Wagner Herbet Alves Costa (1968-2006)
OBS.: Este texto é uma resposta a uma série de questionamentos que foram feitos por um protestante em outro site. Questionamentos que, de praxe, sempre são diuturnamente levantados por sectários. Como, por exemplo, a sentença de 1 Tm 2,5 que fala que Jesus é o único mediador e que, supostamente, vetaria a possibilidade de os santos celestiais intercederem. Ou aquela de Mc 3 que fala que ‘minha mãe é a que faz a vontade de meu Pai que está no céu’. Ou ainda, que Cristo não quereria que se elogiasse Maria por lhe ter dado à luz, cf. Lc 11. Dentre outras.
Penso que ele possa, ainda que parcialmente, colaborar na elucidação de muitos desses fatos, constantemente, despejados contra a fé dos católicos.
Prezados Participantes
Teve um protestante que expôs um texto dele para ser analisado. É o que me proponho, aqui, com meu parco conhecimento, a fazê-lo. Perdoem-me, desde já, a falta de cabedal para dar melhores respostas. E como não vai ser possível responder tudo duma só vez; essa missiva, por conseguinte, é a primeira parte. [E não adiante sectário algum vir com palavras adocicadas ou camufladas para, por fim, dizer que a Igreja Católica está errada – e, concomitantemente, lançar perniciosas críticas; além de incitar os católicos a abandonarem-na. E de desde já esclareço: citar um amontoado de passagens bíblicas, isso não é estudo... está mais para o método que Satanás utilizou para tentar Nosso Senhor Jesus Cristo.]...
Começarei pelo final, onde ele sugere que se procure uma igreja onde a verdadeira doutrina seja ensinada... Ora, com certeza não poderia ser qualquer das “igrejas” protestantes; até porque as mesmas surgiram mais de mil anos depois daquela que o Senhor fundou sobre Pedro (que é a Igreja Católica). Além do mais, as denominações protestantes depõem contra elas próprias; haja vista, umas, pela Bíblia, dizem que é legítimo o Batismo de Crianças, já outras negam; umas, também, por meio da mesma Escritura Santa, afirmam que as almas no além estão conscientes, enquanto outras contradizem; e assim por diante. Como pode numa confusão infernal destas – que é o protestantismo – poderia estar a Igreja do Altíssimo?
Deus deixou uma Igreja hierarquizada para poder levar aos rincões da Terra a Palavra de Deus não adulterada. “É a Igreja do Deus vivo: coluna e sustentáculo da verdade” (1 Tm 3,15). Perceba: a verdade é sustentada pela Igreja única de Deus! (E não por interpretações individuais dos que lêem a Escritura Sagrada.) Daí, na Bíblia, estar sentenciado: “Obedecei aos vossos dirigentes, e sede-lhes dóceis; porque velam pessoalmente sobre vossas almas” (Hb 13,17). Os hereges movidos pelo espírito de insubmissão, como é próprio do pai deles, o ‘Diabo e Satanás`, detestam autoridade. Não conseguem aturar que determinadas pessoas são maiores (em autoridade e/ou poder); pois lhes faltam a humildade. “Tenhais consideração por aqueles que... vos são superiores e guias no Senhor”(1 Tes 5,12).
Quantos não foram os ditos evangélicos que, discordando de seus verdadeiros pastores, acharam-se autorizados, pelo próprio Deus Altíssimo, a fundarem as suas próprias igrejolas?... Quanta presunção! Quanta insubmissão!... Está escrito: “Estes os que causam divisões... não têm o Espírito” (Jud 19). [Eles repetem o oficio do Diabo, dividindo os filhos de Deus – aliás, um dos significados etimológicos da palavra ‘diabo’ é divisor.]
E a vontade de Deus é que ouçamos a Mãe Igreja. Contudo: “Se nem mesmo à Igreja der ouvido, trata-o como o gentio e o publicano” (Mt 18,17).
A Deus nos veneramos (ou servimos) e adoramos; aos santos nós veneramos; aos ídolos (imagens de falsas divindades do paganismo) nem veneramos, nem muito menos adoramos.
Por certo, não é errado servir as criaturas, por que senão Jesus jamais teria vindo a Terra ‘para servir e não para ser servido’. Além do que, a citação de Rm 1 fala per si: “serviram mais ao homem do que a Deus” (sic); quando, obviamente, é a Divindade que devemos servir MAIS. [Como também devemos: amar ‘mais’ a Deus do que os homens, honrar ‘mais’ a Deus do que os homens, etc. E não botar a carroça na frente dos bois.] Ou como está na Vulgata: “Serviram a criatura de preferência ao Criador” (Rm 1,23)... Entretanto, a questão aqui – independente da versão bíblica que se use – está em se perceber a sentença por inteira, que é: “Adoraram e serviram a criatura de preferência ao Criador”(Rm 1,23). Notaram: o problema é que ADORARAM a criatura, e não simplesmente a serviram.
Quanto à recusa de Simão Pedro, em receber a citada prostração, era porque se constituía numa prostração adorativa; a qual não visava somente homenageá-lo ou reverenciá-lo, mas adorá-lo (tratando-o por divindade). De fato, está escrito: “prostrou-se aos seus pés, adorando-o”(At 10,25). [Está claro: “adorando-o”!] Daí, inclusive, Pedro refutar dizendo: “sou apenas um homem”(At 10,26). Sendo que, na Sagrada Escritura, em contrapartida, quando não é com finalidade adorativa (porém apenas venerativa), podemos encontrar inúmeros exemplos de prostrações legitimamente feitas perante criaturas. Eis um deles: “Quando chegou o profeta Natã... Ele veio perante o rei e se prostrou diante dele, com rosto em terra”(1 Rs 1,22-23).
Cuidado com o ‘SÓ’!!!. Martinho Lutero colocou um “só”, na tradução da Bíblia que fez, antes da palavra fé para justificar o ímpio conceito de que somente a fé salvaria. (Graças a Deus, há muito, corrigiram esse erro.) Mas, não era de Lutero que eu queria falar... Era do perigo dessa palavrinha que, mesmo que não esteja escrevinhada nalgum texto, muitas vezes querem “escrevê-la” na forma de se ler a Sagrada Escritura... Se um pai diz, por exemplo, para seu filho: ‘Leia o capítulo 5 do Evangelho de João hoje à tarde’, obviamente, não é a mesma coisa que dizer: ‘Leia SÓ o capítulo 5 do Evangelho de João hoje à tarde’. (No primeiro caso, não há exclusão de outros capítulos; no segundo, sim.) De sorte que, analogamente, Jesus nunca disse: ‘Peçam SÓ a mim’; isso ele não disse. Disse, tão-somente, ‘peçam a mim’.
Não nos esqueçamos, igualmente, que a bíblia (com bê minúsculo) dos protestantes falta parte da Revelação Escrita de Deus; ela não tem os deuterocanônicos. Por conseguinte, eles – imergidos no erro da Rebelião principiada por Lutero – não usam a Escritura Perfeita, autorizada pelo Altíssimo e comunica ao mundo por meio de sua única Igreja. E, de modo algum, eles seguem essas Sacras Escrituras. Nem mesmo as que eles têm (a `bíblia dos meia-meia`, pois só tem 66 livros`); haja vista, está escrito na própria bíblia deles que é necessário guardar as tradições apostólicas (que é diferente das tradições farisaicas que Jesus repeliu): “Guardai as tradições que vos ensinamos oralmente ou por escrito”(2 Te 2,15). Ademais, conforme também está escrito, nem tudo que o Senhor fez está registrado no texto bíblico: “Há, porém, muitas outras coisas que Jesus fez e que, se fossem escritas uma por uma, creio que o mundo não poderia conter os livros que se escreveriam”(Jo 21,25). Portanto, mais uma vez, comprova-se o quão satânico e imbecil é princípio de que só vale o que está na Bíblia – o tal da ‘Sola Scriptura’.
Que os santos rogam por nós, isso a Bíblia deixa claro no livro dos Macabeus, ao mencionar o profeta Jeremias, já morto, no além-túmulo, intervindo pelos irmãos da terra; conforme a visão “digna de fé” relatada: “Apareceu a seguir, um homem notável... Este é o amigo dos seus irmãos, aquele que muito ora pelo povo e por toda a cidade santa, Jeremias, o profeta de Deus”(2 Mac 15,13s.) [Se a bíblia protestante não tem este livro: isso é um problema deles! A nossa tem, e isso é suficiente.]
E se o menor no Reino dos Céus é maior do que um grande profeta de Deus em missão neste mundo; então, é de grandiosa valia nos dirigirmos a eles (os que se encontram no paraíso) em nossas preces. Principalmente, incitando-os a louvarem e adorarem nosso Senhor; conforme está escrito. Assim, em nossas orações, não deixemos de conclamá-los: “Louvai-o todos os anjos”(Sl 148,2) e “Exultai com ele, ó céus, e adorem-no todos os filhos de Deus”(Dt 32,43). [Quem disse que orar aos santos do céu é somente para pedir suas intercessões?]
O Apocalipse mostra, expressamente, que Jesus não é o único que intermedeia as orações:
- “Da mão do Anjo, a fumaça do incenso com as orações dos santos subia diante de Deus”(Ap 8,4).
- “Os quatro Seres vivos e os vinte e quatro Anciãos prostraram-se diante do Cordeiro, cada um com uma cítara e taças de ouro cheias de incenso, que são as orações dos santos”(Ap 5,8).
Notaram que é perante o Cordeiro, o Divino Cristo, que eles depõem também as orações dos cristãos (chamados na Bíblia de ‘santos’, cf. 1 Cor 16,1)! Para mostrar que eles têm acesso a Jesus. E é devido a Jesus que se pode chegar até o Pai. [De fato, para chegar ao Pai, faz-se necessário o Filho; mas não para se achegar ao Filho. (Comparável, pois, a uma empresa que ninguém tem acesso ao diretor senão se passar primeiro pela secretária. Ou seja, ninguém vai ao diretor, senão pela secretária; todavia, se pode aproximar da secretária por meio de várias outras pessoas.) Maria, por exemplo, é medianeira junto a Cristo e Cristo, por sua vez, é o mediador junto ao Pai.]
Muitos protestantes, costumeiramente, têm esse mau hábito de pinçar um amontoado de citações que supostamente desvalorizariam os santos benditos de Deus, principalmente a Virgem Maria. Mas, com certeza, não são as passagens bíblicas que os desvalorizam, e, sim, esses ditos evangélicos; porquanto, para começo de conversa, eles são capazes de crer que até um pastor, de uma esquina qualquer da vida, pode alcançar, por seus rogos, uma cura prodigiosa... enquanto os santos e abençoados do Céu, que desfrutam da companhia do Todo-poderoso, nada poderiam em favor dos seus irmãos, em Cristo, que ainda peregrina pela mundo. (Vê se pode uma coisa dessas: os pastores deles, muito podem; já os santificados de Deus, nada!)
Veja que eu não generalizei, porquanto não disse que todos o protestantes agem assim. Até por que, sempre existiram “evangélicos” que não desconsideraram a Intercessão do Santos, tendo em vista a existência da Comunhão dos Santos. Inclusive, mesmo em comissões ecumênicas de estudo, já acenaram positivamente para a realidade de os seres santificados dos céus intervirem, com seus rogos, a nosso favor. “Tomaremos como base um documento assinado por vários teólogos, católicos, protestantes (luteranos, calvinistas ou reformadores), anglicanos e ortodoxos orientais, no fim do Congresso Mariológico realizado na Ilha de Malta, entre 8 e 15 de setembro de 1983. Tal documento considera não somente a piedade para com Maria Santíssima, como também a devoção aos santos, de modo geral”[CUNHA, E., Imagens e Santos (um esclarecimento para o povo), 1a edição, AM Edições, SP, 1993, p. 57].
Uma mulher, sem estar cheia do Espírito Santo, e, muito provavelmente, julgando apenas pelas aparências, bendiz a dimensão procriativa de Maria; daí ela falar ‘seios’ e ‘entranhas’. Em contrapartida, outra mulher, Santa Isabel, “repleta do Espírito Santo” (Lc 1,41), iluminadamente, bendiz a pessoa inteira de Nossa Senhora: “Bendita és tu”(Lc 1,42)! [Pois Maria não é só a que gerou o Cristo, mas também a creu, e aquela que sempre se colocou como serva obediente do Altíssimo.]
Entretanto, não que dizer que Jesus tenha rejeitado, de todo, o louvor que aquela varoa, no meio do povo, dirigira à sua genitora; pois, conforme está apresentado no site Mariology.com: “M. Galizzi nota “que a adversativa ‘em lugar’ não é completamente exata, porque o particípio grego não tem matiz adversativa e é melhor traduzida por ‘até mesmo mais’; isto é: ‘até mesmo mais abençoados são aqueles que ouvem’ ”[http://www. mariology.com/sections/biblical.html]. Dando, a idéia de que aquela que foi lembrada por ser o ventre que o gestou é feliz, sim; entretanto, mais até, devem ser felicitados aqueles que observam a palavra do Altíssimo.
De qualquer forma, essa sentença de Cristo (de que felizes são “os que ouvem a Palavra de Deus e a observam ”, Lc 11,28) perfeitamente se enquadra à Virgem Santíssima; ela que deu seu perfeito sim à mensagem que vem do Alto: “Faça-se em mim segundo a tua palavra”(Lc 1,38).
Assim, Maria é bendita por sua fé, Maria é bendita por sua obediência e Maria é bendita, também, por ter gerado em seu ventre, como homem, o Filho de Deus. (Ainda que, por ventura, seja mais bendita por sua fé e obediência.)
Tenho para comigo que, se aquela mulher soubesse que Jesus era Deus e ela estivesse louvando Maria por ser sua mãe, Cristo nada acrescentaria. No entanto, a avaliação da mesma era apenas do ponto de vista natural (e não sobrenatural, como foi a de Isabel); por isso, Jesus procurou objetivamente salientar, diante do que a mulher tinha na consciência, a questão da obediência ao Altíssimo... Ao que parece, muito comumente, Jesus dava suas resposta mediante o grau de consciência dos seus interlocutores. É semelhante à vez que o jovem rico lhe dirigiu a palavra chamando-o de Bom Mestre, e que ele lhe respondeu: “Por que me chamas de bom? Ninguém é bom, senão só Deus”(Lc 18,19). Em que Cristo não negou (nem quis negar), per si, a sentença que o rapaz proferiu. Pois, de fato, o moço disse uma verdade; entretanto, o mesmo não tinha consciência dessa verdade que proferia.
Não só Jesus padeceu por mim, mas muitos e muitos outros também deram sua vida pelo bem da Igreja. Daí, aquela conhecidíssima frase da Antiguidade Cristã: ‘O sangue dos mártires são sementes de novos cristãos’. São Paulo mesmo testifica: “Completo, na minha carne, o que falta das tribulações de Cristo pelo seu Corpo, que é a Igreja” (Col 1,24). Pessoas que, hodiernamente, são preciosos exemplos de santidade e amor a Deus e ao Evangelho, as quais devemos seguir imitando-os. Está escrito: “Sede meus imitadores, como eu mesmo o sou de Cristo”(1 Cor 11,1).
“Tomai com exemplo de uma vida de sofrimento e de paciência os profetas que falaram em nome do Senhor. Notai que temos por bem-aventurados os que perseveraram pacientemente”(Tg 5,10s.). “Desejamos somente que cada um de vós demonstre o mesmo ardor... para não serdes lentos a compreensão, e sim imitadores daqueles que, pela fé e pela perseverança, recebem a herança das promessas”(Hb 6,12). E esta, aliás, é uma das finalidades do Culto aos Santos: apresentar os heróis da fé como modelos a serem imitados. [Daí, mesmo que, absurdamente, nenhum católico não mais pedisse os rogos dos santificados do céu, ainda assim, seria lícito e proveitoso cultuá-los.]
Nosso Senhor quer que aqueles que o honram sejam, universalmente (ou catolicamente), honrados, conhecidos e amados: “Em verdade vos digo que, onde quer que venha a ser proclamado o Evangelho, em todo o mundo, também o que ela fez será contado em sua memória”(Mt 26,13)... Jamais, ó Senhor, deixaremos de erigir um memorial aos teus santos! Estes “filhos de Deus” (Jo 1,12) que foram recebidos no “seu Reino celeste” (2 Tm 4,19).
Temos os santos de Deus, como pais espirituais. Como “nosso pai Davi” (At 4,25), ou Abraão que “se tornou pai de todos aqueles que crêem”(Rm 4,11). Por conseguinte, é nosso dever honrá-los!
Jesus ser nosso Salvador não anula o valor dos seus santos. Muito pelo contrário, pois foi ele mesmo quem os santificou e glorificou: “Os que predestinou, também os chamou; e os que chamou, também os justificou, e os que justificou, também os glorificou”(Rm 8,30). Cristo glorifica os seus eleitos e, em contrapartida, certos hereges parece que fazem tudo para retirar-lhes toda e qualquer glória. Vai ver que é a ignorância de se achar que só Deus tem glória. Pois sabei: uma é a gloria de Deus, outra é a “glória dos filhos de Deus”(Rm 8,21). O que o Altíssimo não dá é a SUA própria glória de ser o criador de tudo que há, ou seja, de ser DEUS. Mas, não deixa de premiar, segundo lhe apraz, concedendo graça e glória aos seres por ele amado: “Deus concede graça e glória”(Sl 84(83),12). Diz o Senhor: “Eu os glorificarei”(Jer 3019)!
De fato, Jesus é o único que salva, no entanto, ele o faz através de sua Igreja; que misticamente é seu Corpo. “Como Cabeça da Igreja, que é o seu Corpo”(Ef 1,22s.). Tem gente, que até se diz cristão, mas que não consegue acolher muito bem essa grandiosa verdade que é união que há entre o Messias e a sua Igreja. Da qual fazem parte não só os que partiram do mundo, mas também os discípulos de Cristo que cá estão. Daí, quiçá, mesmo um servo sem préstimos como eu (o mais indigno dos membros da Mater Ecclesia) poderia ser usado como um seu instrumento salvífico, a exemplo de outros do passado. Seguindo o que foi recomendado a Timóteo, ao qual São Paulo dirigiu essas pressurosas palavras: “Persevera nestas disposições porque assim fazendo, salvarás a ti mesmo e aos teus ouvintes”(1 Tm 4,16). E na Epístola de São Judas encontramos: “A outros procurai salvar, arrancando-os ao fogo” (Ju 23)... Como, então, duvidar que os santos de Deus não podem ser utilizados, pelo próprio Altíssimo, como instrumentos seus de salvação?
Deus, com certeza, é a fonte de todos os milagres; entretanto, seria completamente errado dizer que fulano operou tal milagre? Se for, então, como se explica o que está escrito nos Atos dos Apóstolos: “As multidões atendiam unânimes ao que Felipe dizia, pois ouviam falar dos sinais que operava”(At 8,6). O sujeito dessa frase é o diácono Filipe, ele ‘operava’ tais sinais. Ou até mesmo o que proferiu nosso Senhor: “Quem crê em mim fará as obras que eu faço e fará até maiores do que ela” (Jo 14,12). Não seria melhor, diriam alguns, que Jesus tivesse dito: ‘Quem crê em mim eu farei por meio dele obras’? [Não sei se o que eu vou dizer está muito correto, contudo... Penso eu, no que diz respeito os trecho bíblicos mencionados, mal comparando, que Deus é o ‘autor’ dos milagres, mas as criaturas podem ser os ‘atores’ deles. Sendo elas os vasos comunicantes, ou canais da graça, por meio dos quais o Altíssimo poderá realizar um tal ato. Quando um ator fala numa peça, embora as palavras saiam de sua boca, elas são originalmente creditadas ao autor (pois foi ele que produziu a mensagem). Mas também as mesmas são creditadas, em segundo lugar, aos atores, porquanto eles realizam aquilo o autor queria que eles fizessem.] Obviamente, Deus pode realizar um milagre sem intermediação de qualquer criatura. De fato, ele pode agir tanto diretamente como indiretamente!
Está escrito: “E Paulo, fixando nele os olhos e vendo que tinha fé para ser curado, disse-lhe com voz forte: “Levanta-te direito sobre teus pés!” Ele deu um salto, e começou a andar”(At 14,9s.). São Paulo, aqui, não disse ‘em nome de Jesus’ ou ‘em nome do Senhor’, e mesmo assim a pessoa foi curada. Bastou constatar que a pessoa tivesse fé.
Segundo Mc 3, 33-35, podemos inferir que todas as santas de Deus são, espiritualmente, mães de Jesus. A diferença é que, além de mãe espiritual de Nosso Senhor, Maria é também, por graça divina, sua mãe biológica. [Portanto, ela é digna de ser, duplamente, honrada e reverenciada!]... Não devemos, pois, imitar a Cristo? E se Jesus aceita todas essas como suas madres, como nós as recusaríamos por mães?... É interessante o “recado” que São Pedro deixa às mulheres cristãs: “É o que vemos em Sara... Delas vós tornareis filhas, se praticardes o bem”(1 Ped 3,6). E se Santa Sara é colocada como modelo e mãe (espiritual) das seguidoras de Cristo, por que não Maria?
Ora, que Maria é nossa mãe, até Lutero chegou a reconhecer. “Lutero tinha fé e coragem para dizer simples e belamente que nós somos filhos de Maria. Ele diz que tudo que Cristo tem deve ser nosso, então também sua Mãe é nossa mãe”[SCHINELLER, SJ, Peter, Por que veneramos Maria, Editora Santuário, Aparecida-SP, 1995, p. 11]. E ele ainda disse: “Nós somos as crianças de Maria”[http://www.mariology.com/sectiones/biblical. html].
Cristão que se coloca, espiritualmente, como João apóstolo, ao pé da Cruz de Nosso Senhor, certamente, de muito bom grado, acolhe para si as palavras de Jesus (referentes à sua Santa Mãe Maria): “Eis a tua mãe!” (Jo 19,27).
No site católico Corazones.org igualmente cita que o sentido de mediação que só cabe a Cristo: é aquela de alguém que toma o lugar do outro para pagar-lhe o débito (que não teria condição alguma, por si, de saudá-lo): “Um menino quebra o vidro de um a casa; o menino não tem dinheiro para repor o custo do valor do vidro, pelo qual seu pai paga o vidro. Nosso Senhor Jesus pagou por nossos pecados”[http://www.corazones. org/diccionario/mediador.htm]. Jesus interveio recebendo, em nosso lugar, o peso da divida infinita que tínhamos diante de Deus.
Com efeito, está escrito: “Um só mediador... que se deu em resgate por todos”(1 Tm 2,5-6). Ou seja, Jesus é o único ‘mediador-resgatador’. Pois mediador que se dá em resgate pelos pecados da humanidade, só Cristo. (Por isso, somente ele é o Salvador!) Ainda que 1 bilhão de pessoas se oferecessem (em sacrifício) para salvar-me, não seriam mediadores-resgatadores. Entretanto, solicitar a alguém para pedir algo em meu favor, muitos e muitos estariam qualificados a assumir esse papel; até minha mãe seria uma prestimosa intercessora minha junto ao Senhor. (E se ela pode, muito mais os santos e anjos dos céus!)
Permitam-me, entretanto, acrescentar mais um comentário (que não deixa de ser polêmico): O termo ‘eis’, em grego, utilizado para dizer que há ‘um só’ mediador (em 1 Tm 2,5), significa, de fato, “um, porém, não no sentido excludente. S. Paulo poderia ter escolhido o ‘MONOS’ que se é excludente” [http://www.corazones.org./diccionario/ mediador/htm.]; mas ele não o fez. Ademais, sobre essa passagem 1 Tm 2:5, um meticuloso estudioso, Miguel Mingues, em seu livro ‘Mary, The Servant of the Lord: A Ecumenical Proposal (Boston: Daugther of St. Paul, 1978)’, comenta: “Quando o autor de 1 Tm pretende acentuar a singularidade de Deus, ele não usa ‘eis’, mas ‘monos’em poucos versículos antes, a saber em 1:17, bem como em 6:15,16. Na epístola inteira ‘eis’ ocorre em nossa passagem (2:5) somente”[http://www.mariology.com/sectionsstarting.hmtl]. Corroborando, muito provavelmente, que: propositadamente, São Paulo não teria querido utilizar um vocábulo que colocasse Jesus como exclusivo mediador.
E é, por esse caminho, que também aponta o ex-protestante Scott Hahn, dizendo: “Em primeiro lugar, a palavra grega que se utiliza aqui para único é eis, que significa ‘primeiro’ou ‘principal’, não monos, que significa ‘somente’ ou ‘só’ ”[http://www.es. catholic. net.secciones/articulo.phtml?ts=8&ca=74&te=370&id=6107].
Daí, se for assim como assinalou Scott Hahn, ainda que se queira – a ferro e fogo – enxergar que ‘mediador’ em tal passagem significaria intercessor (ou o que pede por outrem), de qualquer maneira, seria, catolicamente, interpretada da seguinte forma: ‘Há um principal (ou primeiro) intercessor`. Dando a entender, claramente, que existiriam outros intercessores secundários. Seria como alguém ser reconhecido como o ‘principal’ vendedor duma loja; o que não quer dizer que ele seria o único, mas o primeiro (o maior) dos vendedores.
Se Jesus é o único que interceder, o que seriam dos anjos que vivem a mediar nossas orações (cf. Ap 5,8; 8,3.)? Ou mesmo dos protestantes, os quais vivem rogando pelos outros? ... [Milhões e milhões de “evangélicos” intercedem pelos outros e, depois, muitos deles têm a desfaçatez de dizer que Jesus é o ÚNICO intercessor!]
P.S.: Tudo que escrevi está sujeito à autoridade da Igreja Católica; a qual poderá corrigir, completar, refutar e tudo mais que for necessário para preserva o Depósito da Fé.
E, perdoem-me, mais uma vez, pela visível incompetência de minha parte em defender as verdades da Santa Fé Católica... Que Deus, que é Bom, Santo e Misericordioso suscite outros mil vezes mais capacitados! Amém!
Bibliografia
-A BÍBLIA DE JERUSALÉM, Editora Paulus, SP, 1996.
-BÍBLIA SAGRADA (Traduzida da Vulgata e anotada pelo Pe. Matos Soares), 15a edição, Edições Paulinas, SP, 1988.
-CUNHA, E., Imagens e Santos (um esclarecimento para o povo), 1a edição, AM edições, SP, 1993.
-http://www.corazones.org/diccionario/mediador/htm.
-http://es.catholic.net.secciones/articulo.phtml?ts=8&ca=74*te=370&id=6170.
-http://www.mariology.com/sections/biblical.html.
-http://www.mariology.com/sections/starting.hmtl.
Fiquem com Deus!
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“Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei minha Igreja, e as portas do Inferno nunca prevalecerão contra ela”(Mt 16,18).
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sexta-feira, 9 de julho de 2010
A VERDADEIRA IGREJA
Wagner Herbet Alves Costa (1968-2006)
1) A Igreja verdadeira tem que ter 2000 anos (deve vir do tempo dos apóstolos: cf. Mt 16,18; Mt 28,18-30) e não 100, 200 ou 500 anos (com é o caso das chamadas igrejas protestantes). Jesus é histórico, por conseguinte, histórica é a sua Igreja. Eis por que é imprescindível que ela – como o Verbo encarnado – perpassem dois milênios.
2) A Igreja verdadeira prega a unidade da fé (cf. Ef, 4,5) e, portanto (e obviamente), deverá ser, sempre, contrária – radicalmente contrária – ao Livre Exame das Escrituras; o qual só gerou e gera interpretações divergentes e contraditórias. E, conseqüentemente, dá origem às divisões e ao esfacelamento do Cristianismo. [E é justamente o que se vê no protestantismo.]
3) A Igreja verdadeira é aquela que guarda, igualmente, as tradições apostólicas (cf. 2 Ts 2,15). E não as igrejolas que além de não guardarem tais tradições, fazem pior, também as negam. A Bíblia é “útil” e não ‘única’ fonte da revelação divina – até porque, nem tudo que Jesus fez se encontra na Bíblia (cf. Jo 21,25). [Há uma enorme diferença entre ser ‘útil’e ser ‘única’. A Bíblia é, sem dúvida alguma, útil; mas não é a única fonte revelacional.]
4) A Igreja verdadeira é aquela que instituiu a Bíblia – e que, portanto, a precede. E não que surgiu depois dela. Sendo a Igreja, e não a Bíblia (AT + NT), a coluna e sustentáculo da verdade (cf. 1 Tm 3,15).
Como notou vários convertidos ao Catolicismo: para se acreditar na autoridade da Bíblia é necessário, primeiro, acreditar-se na autoridade da Igreja; porquanto foi a Igreja Católica quem estabeleceu o cânon da Escritura Sagrada (ou seja, a lista de livros que a compõem).
As “igrejas” protestantes quiseram, erroneamente, originar-se em um ‘revertério’ maligno, o qual se opõe a obra de Deus. Haja vista, o Altíssimo ter instituído uma Igreja (a Católica) e esta Igreja instituir a Bíblia. Já as comunidades protestantes querem, a partir da Bíblia, dar origem as suas igrejinhas. [Deus fez assim: a partir da Igreja, temos a Bíblia; o diabo faz o contrário, da Bíblia temos igrejinhas!]
Ademais, a bíblia protestante é incompleta; faltam livros. A Bíblia Católica (que é a Bíblia de Deus) é completa. [A bíblia deles é com “bê” minúsculo.]
5) A Igreja verdadeira é aquela que preza em agir em favor de determinados mortos; pois crê que certas almas ainda carecem dos sufrágios (ou “auxílios”) dos vivos. Em suma: vivos que agem favorecendo a mortos (cf. 1 Cor 15,29); angariando-lhes, conseqüentemente, bênçãos espirituais. Noutras palavras, confessando a realidade do Purgatório!
6) A Igreja verdadeira é aquela que salienta a importância capital das obras para salvação (cf. Mt 25,40ss; Tg 2,26). Refutando, com veemência, o nefando e ímpio princípio da “Sola Fides” (ou ‘Só a Fé’) e ensinando, perenemente, a prática das “boas obras” (Hb 10,24).
7) A Igreja verdadeira é aquela que centra seu culto litúrgico na Eucaristia (cf. 1 Cor 11,12ss; At 2, 42.46). Crendo, firmemente, que a carne do Senhor é verdadeiro alimento (cf. Jo 6,56-58) que assegura a Vida Eterna em nós e nós na Vida Eterna (cf. Jo 6,56-58).
A Igreja verdadeira é aquela que, perenemente, proclama a bem-aventurança (cf. Lc 1,48) da Gloriosa (cf. Ap 12,1.5) Mãe do Deus Conosco (cf. Mt 1,23). Ela que a mãe do nosso Senhor (cf. Lc 1,43) e nossa (cf. Jo 19,27) – nós que somos chamados a sermos discípulos amados, como João. A “cheia de graça” (Lc 1,28) é – entre as criaturas – quem mais intimamente participou do mistério salvífico. Colaborando de modo ímpar; pois foi ela: a eleita de Deus (Pai), a engravidada por Deus (Espírito Santo) e que se tornou a mãe de Deus (Filho). De sorte que, o Imaculado Filho nasceu da Imaculada Maria por obra do Imaculado Espírito Santo. (Segundo a vontade do Imaculado Pai Eterno!)
Se Henoc, porque “andou com Deus” (Gn 5,24), foi arrebatado em corpo e alma para o paraíso; quanto mais aquela, “cheia de graça” (Lc 1,28), que deu à luz Divino Redentor? [A qual, literalmente, (e de modo único e sem igual), andou com Deus Vivo dentro dela durante meses seguidos!] E se, por ventura, Maria tivesse morrido – pois a Bíblia não explicita isso – ainda assim, não a ressuscitaria, o seu divino Filho? [Ele que não tolerou nem mesmo a morte de seu amigo Lázaro, certamente, não suportaria ver sua mãe amada amarrada nos laços e liames da morte?] Levou, portanto, para o céu, também, aquele santo corpo que foi a fôrma da sua carne messiânica!... Todo ser de Maria o recebeu na terra; e é, por isso, que também todo o ser dela (corpo e alma) foi recebido, por ele, no céu!
Carne santa que estava ligado não só ao Divino Mestre; mas também ao maior dos profetas e o precursor de Cristo: João Batista. Haja vista, João, sendo filho de Isabel, era, conseqüentemente, parente de Maria... Virginalmente viveu o Precursor do Messias, virginalmente viveu o Messias, virginalmente, também viveu a Mãe do Messias. Carne virginal, tão grandemente aclamada!
9) A Igreja verdadeira é aquela que reconhece o Deus Altíssimo, não como um Deus antiarte (ou antiartístico); mas, muito pelo contrário, reconhece-O como um Deus que ama as Artes. Daí, o Tabernáculo – bem como o Templo de Jerusalém – possuírem abundantes imagens (cf. Ex 26,1; 1 Rs 7,29.36; 2 Cron 3,5-7). Sendo o Altíssimo, inclusive, conforme as próprias Escrituras, um grande inspirador dos artesões e artífices (cf. Ex 31,1ss; Ex 35,30).
10) A Igreja verdadeira crê, ao menos ser possível, a manifestação dos seres santos que partiram deste mundo – sejam os que partiram pela via comum da morte, como Moisés (cf. Dt 34,5); sejam os que deixaram-no pela incomum via do arrebatamento, como Elias (cf. 2 Rs 2,11). Assim está narrado nos evangelhos sinóticos: a ‘aparição’ de Moisés e a de Elias perante os apóstolos Pedro, Tiago e João (cf. Mt 17,1-3; Mc 9,1-4; Lc 9,28-31).
11) A Igreja verdadeira é aquela que reconhece a plenipotência (ou pleno poder) que o Senhor lhe conferiu (cf. Mt 18,18): ligando e desligando na terra, o que será ligado e desligado no céu. Sendo, a mesma, detentora do poder de perdoar – e também de reter – os pecados dos homens (cf. Jo 20,23). A Igreja é a instituição (uma sociedade visível) que possui, sobre a Terra, a última palavra sobre questões religiosas (cf. Mt 18,17). [É como se fosse o “Supremo Tribunal de Deus” na Terra.]
12) A Igreja verdadeira é aquela que valoriza e incentiva a vida celibatária: que é uma expressão de dedicação maior a favor da causa do Senhor e da santificação (cf. Mt 19,12; 1 Cor 7,32-34). E, por vezes, conserva “costumes” (cf. 1 Cor 11,16) que já eram praticados entre os cristãos dos primeiros séculos: como, por exemplo, o uso do véu por parte das mulheres (ao menos nos recintos religiosos). [Hodiernamente, restringiu-se tal prática quase que às religiosas (‘freiras’); todavia, este hábito, ainda subsiste na Igreja de Deus.]
13) A Igreja verdadeira é aquela que se encontra organizada hierarquicamente (com bispos, presbíteros, e diáconos): conforme 1 Tm 3,1.8; 3,17. Ocupando o ponto culminante, nesta hierarquia, os bispos (e dentre estes, o Bispo de Roma, aquele que porta “as chaves do Reino dos Céus”( Mt 16,19)): que são, em primeiro lugar, os “superiores e guias no Senhor”(1 Tes 5,12). [Essa Igreja também desconhece a chefia das mulheres na presidência das assembléias cristãs (cf. 1 Tm 2,11-12).]
14) A Igreja verdadeira não despreza o sofrimento (nem o amaldiçoa), mas o tem como elemento participante da vida cristã. Afinal: “Vos foi concedida, em relação a Cristo, a graça não só de credes nele, mas também de por ele sofrerdes” (Fl 1,29). Infelizes os que procuram a religião cristã, simplesmente, para alcançar curas, bênçãos e as prosperidades deste mundo que passa. A verdadeira religião não deixa de lembrar o valor das práticas penitenciais: como jejum (cf. At 13,2; At 9,9) e mortificações corporais (cf. 1 Cor 9,27; Tg 5,10; Col 1,24; Mt 11,21).
Salvação no mole, Cristo nunca ensinou. Ao contrário, disse ele: “Entrai pela porta estreita, porque largo é o caminho que conduz à perdição” (Mt 7,13). “Quem não carrega a sua cruz e vem após mim, não pode ser meu discípulo”(Lc 14,27). “E para vossa educação que sofreis”(Hb 12,7).
Obs.: Se escrevi algo que destoa do ensino da Santa Madre Igreja Católica, por favor, perdoem-me; e rejeitem o que minha ignóbil pessoa digitou. E siga no que sempre e perfeitamente tem ensinado a Mater Ecclesia.
P.S.: Tudo que escrevi está sujeito à autoridade da Igreja Católica. A qual poderá corrigir, refutar, completar e tudo o mais que for necessário para preservar incólume o Sagrado Depósito da Fé.
Bibliografia
- A BÍBLIA DE JERUSALÉM, Editora Paulus, SP, 1996.
Fiquem com Deus!
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“Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei minha Igreja, e as portas do Inferno nunca prevalecerão contra ela” (Mt 16,18).
1) A Igreja verdadeira tem que ter 2000 anos (deve vir do tempo dos apóstolos: cf. Mt 16,18; Mt 28,18-30) e não 100, 200 ou 500 anos (com é o caso das chamadas igrejas protestantes). Jesus é histórico, por conseguinte, histórica é a sua Igreja. Eis por que é imprescindível que ela – como o Verbo encarnado – perpassem dois milênios.
2) A Igreja verdadeira prega a unidade da fé (cf. Ef, 4,5) e, portanto (e obviamente), deverá ser, sempre, contrária – radicalmente contrária – ao Livre Exame das Escrituras; o qual só gerou e gera interpretações divergentes e contraditórias. E, conseqüentemente, dá origem às divisões e ao esfacelamento do Cristianismo. [E é justamente o que se vê no protestantismo.]
3) A Igreja verdadeira é aquela que guarda, igualmente, as tradições apostólicas (cf. 2 Ts 2,15). E não as igrejolas que além de não guardarem tais tradições, fazem pior, também as negam. A Bíblia é “útil” e não ‘única’ fonte da revelação divina – até porque, nem tudo que Jesus fez se encontra na Bíblia (cf. Jo 21,25). [Há uma enorme diferença entre ser ‘útil’e ser ‘única’. A Bíblia é, sem dúvida alguma, útil; mas não é a única fonte revelacional.]
4) A Igreja verdadeira é aquela que instituiu a Bíblia – e que, portanto, a precede. E não que surgiu depois dela. Sendo a Igreja, e não a Bíblia (AT + NT), a coluna e sustentáculo da verdade (cf. 1 Tm 3,15).
Como notou vários convertidos ao Catolicismo: para se acreditar na autoridade da Bíblia é necessário, primeiro, acreditar-se na autoridade da Igreja; porquanto foi a Igreja Católica quem estabeleceu o cânon da Escritura Sagrada (ou seja, a lista de livros que a compõem).
As “igrejas” protestantes quiseram, erroneamente, originar-se em um ‘revertério’ maligno, o qual se opõe a obra de Deus. Haja vista, o Altíssimo ter instituído uma Igreja (a Católica) e esta Igreja instituir a Bíblia. Já as comunidades protestantes querem, a partir da Bíblia, dar origem as suas igrejinhas. [Deus fez assim: a partir da Igreja, temos a Bíblia; o diabo faz o contrário, da Bíblia temos igrejinhas!]
Ademais, a bíblia protestante é incompleta; faltam livros. A Bíblia Católica (que é a Bíblia de Deus) é completa. [A bíblia deles é com “bê” minúsculo.]
5) A Igreja verdadeira é aquela que preza em agir em favor de determinados mortos; pois crê que certas almas ainda carecem dos sufrágios (ou “auxílios”) dos vivos. Em suma: vivos que agem favorecendo a mortos (cf. 1 Cor 15,29); angariando-lhes, conseqüentemente, bênçãos espirituais. Noutras palavras, confessando a realidade do Purgatório!
6) A Igreja verdadeira é aquela que salienta a importância capital das obras para salvação (cf. Mt 25,40ss; Tg 2,26). Refutando, com veemência, o nefando e ímpio princípio da “Sola Fides” (ou ‘Só a Fé’) e ensinando, perenemente, a prática das “boas obras” (Hb 10,24).
7) A Igreja verdadeira é aquela que centra seu culto litúrgico na Eucaristia (cf. 1 Cor 11,12ss; At 2, 42.46). Crendo, firmemente, que a carne do Senhor é verdadeiro alimento (cf. Jo 6,56-58) que assegura a Vida Eterna em nós e nós na Vida Eterna (cf. Jo 6,56-58).
A Igreja verdadeira é aquela que, perenemente, proclama a bem-aventurança (cf. Lc 1,48) da Gloriosa (cf. Ap 12,1.5) Mãe do Deus Conosco (cf. Mt 1,23). Ela que a mãe do nosso Senhor (cf. Lc 1,43) e nossa (cf. Jo 19,27) – nós que somos chamados a sermos discípulos amados, como João. A “cheia de graça” (Lc 1,28) é – entre as criaturas – quem mais intimamente participou do mistério salvífico. Colaborando de modo ímpar; pois foi ela: a eleita de Deus (Pai), a engravidada por Deus (Espírito Santo) e que se tornou a mãe de Deus (Filho). De sorte que, o Imaculado Filho nasceu da Imaculada Maria por obra do Imaculado Espírito Santo. (Segundo a vontade do Imaculado Pai Eterno!)
Se Henoc, porque “andou com Deus” (Gn 5,24), foi arrebatado em corpo e alma para o paraíso; quanto mais aquela, “cheia de graça” (Lc 1,28), que deu à luz Divino Redentor? [A qual, literalmente, (e de modo único e sem igual), andou com Deus Vivo dentro dela durante meses seguidos!] E se, por ventura, Maria tivesse morrido – pois a Bíblia não explicita isso – ainda assim, não a ressuscitaria, o seu divino Filho? [Ele que não tolerou nem mesmo a morte de seu amigo Lázaro, certamente, não suportaria ver sua mãe amada amarrada nos laços e liames da morte?] Levou, portanto, para o céu, também, aquele santo corpo que foi a fôrma da sua carne messiânica!... Todo ser de Maria o recebeu na terra; e é, por isso, que também todo o ser dela (corpo e alma) foi recebido, por ele, no céu!
Carne santa que estava ligado não só ao Divino Mestre; mas também ao maior dos profetas e o precursor de Cristo: João Batista. Haja vista, João, sendo filho de Isabel, era, conseqüentemente, parente de Maria... Virginalmente viveu o Precursor do Messias, virginalmente viveu o Messias, virginalmente, também viveu a Mãe do Messias. Carne virginal, tão grandemente aclamada!
9) A Igreja verdadeira é aquela que reconhece o Deus Altíssimo, não como um Deus antiarte (ou antiartístico); mas, muito pelo contrário, reconhece-O como um Deus que ama as Artes. Daí, o Tabernáculo – bem como o Templo de Jerusalém – possuírem abundantes imagens (cf. Ex 26,1; 1 Rs 7,29.36; 2 Cron 3,5-7). Sendo o Altíssimo, inclusive, conforme as próprias Escrituras, um grande inspirador dos artesões e artífices (cf. Ex 31,1ss; Ex 35,30).
10) A Igreja verdadeira crê, ao menos ser possível, a manifestação dos seres santos que partiram deste mundo – sejam os que partiram pela via comum da morte, como Moisés (cf. Dt 34,5); sejam os que deixaram-no pela incomum via do arrebatamento, como Elias (cf. 2 Rs 2,11). Assim está narrado nos evangelhos sinóticos: a ‘aparição’ de Moisés e a de Elias perante os apóstolos Pedro, Tiago e João (cf. Mt 17,1-3; Mc 9,1-4; Lc 9,28-31).
11) A Igreja verdadeira é aquela que reconhece a plenipotência (ou pleno poder) que o Senhor lhe conferiu (cf. Mt 18,18): ligando e desligando na terra, o que será ligado e desligado no céu. Sendo, a mesma, detentora do poder de perdoar – e também de reter – os pecados dos homens (cf. Jo 20,23). A Igreja é a instituição (uma sociedade visível) que possui, sobre a Terra, a última palavra sobre questões religiosas (cf. Mt 18,17). [É como se fosse o “Supremo Tribunal de Deus” na Terra.]
12) A Igreja verdadeira é aquela que valoriza e incentiva a vida celibatária: que é uma expressão de dedicação maior a favor da causa do Senhor e da santificação (cf. Mt 19,12; 1 Cor 7,32-34). E, por vezes, conserva “costumes” (cf. 1 Cor 11,16) que já eram praticados entre os cristãos dos primeiros séculos: como, por exemplo, o uso do véu por parte das mulheres (ao menos nos recintos religiosos). [Hodiernamente, restringiu-se tal prática quase que às religiosas (‘freiras’); todavia, este hábito, ainda subsiste na Igreja de Deus.]
13) A Igreja verdadeira é aquela que se encontra organizada hierarquicamente (com bispos, presbíteros, e diáconos): conforme 1 Tm 3,1.8; 3,17. Ocupando o ponto culminante, nesta hierarquia, os bispos (e dentre estes, o Bispo de Roma, aquele que porta “as chaves do Reino dos Céus”( Mt 16,19)): que são, em primeiro lugar, os “superiores e guias no Senhor”(1 Tes 5,12). [Essa Igreja também desconhece a chefia das mulheres na presidência das assembléias cristãs (cf. 1 Tm 2,11-12).]
14) A Igreja verdadeira não despreza o sofrimento (nem o amaldiçoa), mas o tem como elemento participante da vida cristã. Afinal: “Vos foi concedida, em relação a Cristo, a graça não só de credes nele, mas também de por ele sofrerdes” (Fl 1,29). Infelizes os que procuram a religião cristã, simplesmente, para alcançar curas, bênçãos e as prosperidades deste mundo que passa. A verdadeira religião não deixa de lembrar o valor das práticas penitenciais: como jejum (cf. At 13,2; At 9,9) e mortificações corporais (cf. 1 Cor 9,27; Tg 5,10; Col 1,24; Mt 11,21).
Salvação no mole, Cristo nunca ensinou. Ao contrário, disse ele: “Entrai pela porta estreita, porque largo é o caminho que conduz à perdição” (Mt 7,13). “Quem não carrega a sua cruz e vem após mim, não pode ser meu discípulo”(Lc 14,27). “E para vossa educação que sofreis”(Hb 12,7).
Obs.: Se escrevi algo que destoa do ensino da Santa Madre Igreja Católica, por favor, perdoem-me; e rejeitem o que minha ignóbil pessoa digitou. E siga no que sempre e perfeitamente tem ensinado a Mater Ecclesia.
P.S.: Tudo que escrevi está sujeito à autoridade da Igreja Católica. A qual poderá corrigir, refutar, completar e tudo o mais que for necessário para preservar incólume o Sagrado Depósito da Fé.
Bibliografia
- A BÍBLIA DE JERUSALÉM, Editora Paulus, SP, 1996.
Fiquem com Deus!
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“Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei minha Igreja, e as portas do Inferno nunca prevalecerão contra ela” (Mt 16,18).
Passagens difíceis do Alcorão
Wagner Herbet Alves Costa (1968-2006)
OBS.: 1- Sei que a presente temática não faz parte desse portal; todavia, resolvi postar, assim mesmo, esse meu artigo. Entenderei se não quiserem, inclusive, perder tempo lendo-o; pois é mais outro “calhamaço” que vos envio. No entanto, peço que, ao menos leiam as duas últimas páginas. Destacadamente os itens: ‘Tipos de monoteísmo” e ‘Esperança’; porquanto – penso eu – servem, respectivamente, para um esclarecimento de qual é a diferença entre o monoteísmo que os cristãos confessam e o que é confessado pelos judeus e muçulmanos, e também para salientar a esperança na conversão dos islâmicos à Fé Cristã. [Inclusive, se quiserem expor no site tais itens somente, sem o resto do texto, poderão fazê-lo.]
2- O meu e-mail está com “defeito”, por isso, estou utilizando o de minha irmã Pollyana....
PASSAGENS DIFÍCEIS DO ALCORÃO
(Parte – 1)
Embora o Concílio Vaticano II seja reconhecidamente pastoral (e que, após este episódio da História Conciliar do Catolicismo, tenham grassado pestilentas teses como a infame Teologia da Libertação), é claro que ele continua tendo um grande peso. E um dos documentos desse concílio (depois de assinalar o grandioso apreço que a Igreja nutre pelos judeus) diz expressamente: <<“Mas o plano de salvação abrange também aqueles que, reconhecem o Criador. Entre eles, em primeiro lugar, os muçulmanos, que, professando manter a fé de Abraão, adoram conosco o Deus único, misericordioso, juiz dos homens no último dia” (LG 16; cf. NA 3)>>[CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA, 5a edição, Editora Vozes Edições Paulinas Edições Loyola Editora Ave-Maria, RJ/SP, 1993, p. 207, n. 841]
Todavia, apesar dessa visão conciliar bastante otimista com relação aos confessores da fé islâmica, não podemos nos esquecer de certas problemáticas de caráter teológico que persistem (algumas, inclusive, de grandíssima relevância); como, por exemplo, as que são suscitadas por passagens do Corão como a que segue: <<“Diz: Ele é Deus, o Único! Deus, o Eterno Refúgio! Que não gerou nem foi gerado. Nada é igual a Ele!”(Alcorão112,14)>> [http://www.montfort.org.br/index.php?seção=caderno& subsecção=religião&artigo= Maomé&lang=bra]...
E agora? Para o cristão, como encarar tal proposição?...
Há, porém, pelo menos três modos, racionalmente falando, de um cristão se posicionar diante dessa sentença corânica (e de outras similares): 1 - ou o Alcorão afirma uma concepção antitrinitária, e, portanto, é um livro que contém falsidade; 2 – ou em uma outra versão do Corão, que seria a original, não possuiria tal sentença ou qualquer outra que se contraporia à veraz doutrina da Igreja de Deus; 3 - ou falso é o entendimento que se tem, comumente, de tal passagem.
Mas alguém questionaria (com relação à terceira proposição): como, então, poderia ser lido tal trecho do Alcorão de modo a não ferir a maravilhosa verdade doutrinária sobre a Santíssima Trindade?... Bem, eu não digo que seja fácil; mas tentarei apresentar, apesar da notória simploriedade do meu saber, uma solução (ainda que seja exposta tão-somente no campo hipotético ou especulativo). Aliás, esse é o desafio ao qual me proponho neste meu artigo: ler o Alcorão de forma a não o opor à verdade da Fé Cristã.
Introdução
Antes, porém, é curioso notar o que diz o Alcorão: << “Se estás em dúvida sobre o que temos revelado, consulta aqueles que leram o livro antes de ti” (Corão, X, 94. Edição Tangará do Alcorão Sagrado, versão árabe por Samir el Hayek São Paulo, 1979, p. 152)>>[htp://www.montfort.org.br, Idem...]. Ou seja, o próprio Corão reconhece que nós, os cristãos, somos aqueles que têm autoridade para aclarar as partes de difíceis entendimento do livro sagrado do islã; nós que precedemos os mulçumanos na revelação. [Os judeus também estariam incluídos entre os predecessores; entretanto, como se recusaram ao Evangelho de Cristo, não podem mais (depois de ter se consumada a Nova Aliança) serem tomados como doutos (ao menos em grau elevado) no concernente à revelação divina.]
Como Deus falou, antes aos judeus e depois aos cristãos, segundo a própria ótica islâmica; então, notoriamente, estes últimos têm a revelação mais completa (Antigo Testamento e Novo Testamento). Pois os do judaísmo ficaram somente com o Antigo Testamento. E, obviamente, o lógico é consultar os que têm o conhecimento revelacional mais completo, no caso, os cristãos... [Salvo se os judeus, em questão, pertencerem a algum grupo messiânico, o qual acolhem também a Nova Aliança, em Cristo Jesus e que confessam: “Nós estamos no Verdadeiro, no seu Filho Jesus Cristo. Este é o Deus verdadeiro e a Vida eterna”(1 Jo 5,20). Reconhecendo, igualmente, que é a “Igreja do Deus vivo: coluna e sustentáculo da verdade” (1 Tm 3,15) e, por conseguinte, nela se encontram “as chaves do Reino dos Céus” (Mt 16,19).]
Além do mais, no que tange o tempo, os cristãos precedem imediatamente os islamitas. Logo, os mais próximos e imediatos, com relação aos islâmicos, recebedores da Revelação Divina, cronologicamente, são os seguidores de Jesus.
É, também, importante lembrar que, ao menos num versículo – no que diz respeito àqueles que antes dos muçulmanos receberam revelação divina, isto é, judeus e cristãos – o Alcorão aponta preferencialmente para os cristãos (Surata 5,82): << “Constatará que aqueles que estão mais próximos do afeto dos fiéis, entre os humanos, são os dizem: Somos Cristãos”>>[http: //www.kuran.gen.tr/html/brezilyaca/005.php.3].
E é mui curioso, ainda, constatar que: <> [http://www.montfot.org.br, Idem].
Questão da Trindade
Ora, o Espírito Santo, que é Deus, ele nem gerou a Deus nem foi gerado por Deus; mas procede do Pai e do Filho. Onde está escrito no Alcorão que Deus não pode proceder? E assim como nós cristãos podemos falar de Deus, centrando-nos na Pessoa do Espírito Santo; também podemos falar do Senhor, focando na Pessoa do Pai ou na Pessoa do Filho. Pois tanto o Pai, como o Filho ou o Espírito Santo é um único e mesmo Deus.
Quando falamos da Pessoa do Pai, dizemos: o Pai gerou, mas não foi gerado. E quando falamos da Pessoa do Filho ensinamos: este foi gerado, porém não gerou. Já o Espírito Santo nem gerou nem foi gerado, mas procede. Em suma, o versículo do Alcorão (Surata 112,1-4) estaria direcionado à 3a Pessoa da Santíssima Trindade (o Espírito Santo).
Vede, ainda, que só Deus é absoluto: Ele é gerador, gerado e procedente. Só Deus é Divindade; e é, por isso, que só Ele pode gerar a Si mesmo e de Si mesmo proceder. (Nenhum outro ser gera a si próprio, ou procede de si; somente o Todo-poderoso. Que pode tudo, inclusive, gerar-se e, de si, proceder!) De sorte que, o mistério da Santíssima Trindade revela-nos a incomparável distinção que há entre o Criador e as criaturas.
Outra, quiçá, leitura possível da referida Sura (ou Surata) 112 é a seguinte: ‘Deus (Filho) não foi gerado (carnalmente por varão algum) nem gerou (varão ou varoa); haja vista Jesus, o Verbo divino, não teve pai humano nem descendência carnal (sem filhos). De sorte que, tal passagem do Corão também pode ser aplicada à 2a. Pessoa da Santíssima Trindade sem ferir a dogmática católica – desde que seja entendida da forma que aqui foi apresentada.
Deus é “Totalidade” (singular/plural)
Ademais, é importante lembrar que: No Alcorão, existem passagens em que a Divindade é tratada, algumas vezes, no singular (eu) e em outras no plural (nós), semelhante o que acontece no texto bíblico. E já que os cristãos entenderam, com relação à Bíblia, essa dobrada maneira de tratamento da divindade, ser uma forma velada da afirmação do Mistério da Santíssima Trindade (e não como sendo um simples plural majestático); assim, nós bem que poderíamos também contemplar essa realidade da divina “totalidade” (singular/plural) no texto do Alcorão. Pois é singular em natureza, mas ‘plural’ em pessoas. Deus é o todo: o essencialmente singular em “numerosidade” (de relações); todavia, sem contradição, já que é singular num aspecto e ‘plural’ noutro. No Corão é dito:
- <<“Criamos todos os seres vivos” (Surata 21,30)>>[http://www.kuran.gen.tr/html/ brezilyaca/021.php3].
- << “O salvamos... conduzindo-os a terra que abençoamos” (Surata 21,7)>>[http://
- <<“Do mesmo jeito que originamos a criação, reproduzi-la-emos (Surata 15,23)>>[ http //www.kuran.gen.tr/html/brezilyaca/015.php3].
- <<“Criamos o homem de argila” (Surata 15,24)>>[http://www.kuran.gen.tr/html/ brezilyaca/015.php3].
É por isso que, em sentenças como as supracitadas e nas que se seguem (Surata 50,43 e 50,59): <<“Somos Nós que damos a vida e amorte”>>[http://www.kuran.gen.tr/ html/brezilyaca/050.php3] <<“Somos Nós Criador”>>[http;//www.kuran.gen.tr/html/ brezilyaca/056.php3], bem poderíamos compreender como sendo uma confissão a respeito da Santíssima Trindade – o Pai, o Filho e o Espírito Santo.
Se os muçulmanos lêem isso como um simples plural majestático, aí é uma perspectiva de leitura deles... mas quem disse que tem que ser esse o nosso ponto de vista (ao menos no campo hipotético), nós que somos cristãos?
Curiosas observações
E não é curioso que o Islamismo considera-se sendo a 3a Revelação?! A primeira seria a do Judaísmo e a segunda, do Cristianismo... Se for assim, então, não teria o Altíssimo, intencionalmente, querido assinar sua “tripersonalidade” no plano revelacional, isto é, que ele é Três Pessoas, daí as 3 revelacões (como crêem os muçulmanos)?... Não teria, portanto, o Todo-poderoso, escolhido que a ÚNICA fé abraânica fosse professada por TRÊS `povos` para assinalar justamente, no curso da História (Ele que é o Senhor de toda História), que ele é UNO em natureza, mas TRINO em pessoas?
Mal comparando, o cubo nos lembraria tal e tão santo mistério (o da Santíssima Trindade). Uma vez que, possuindo 3 dimensões (altura, comprimento e largura), é apenas 1 único e mesmo objeto. [Obviamente, se se retira uma dessas dimensões deixaria de ser cubo. E cubo, só é cubo, porque possui três dimensões indivisíveis.]... Afinal, como se chama cubo em árabe (língua oficial do Corão)? E o que significa o nome CAABA (que é o santuário-mor para o Islamismo)?... [O cubo tem 6 faces, 12 arestas e 8 vértices. Donde, 6 + 12 + 8 = 26; ora, 26 é o valor numérico do Tetragrama Divino IHWH ou Javé... E uma da formas mais comuns de se abrir um cubo é a cruciforme, ou seja, em cruz. Cruz que nos lembra aquela sobre a qual Jesus (cujo significado do nome é “Javé Salva”) derramou seu sangue redentor.]
Se um ser humano é capaz de dar a vida por outrem, em sinal de amor a esta pessoa; muitíssimo mais, haveria de o Bendito Deus fazê-lo, porquanto muitíssimo mais ama e sabe amar... Infinda é a sua Misericórdia!... Que prova maior (de misericórdia) se pode exigir de Deus? E quem poderá duvidar de seu infinito amor, depois de ele morrer em nosso lugar (por meio da natureza humana que assumiu)? [Com efeito, Deus não se deixa vencer em misericórdia!]
Deus ‘teve’ filho?
Mas o Corão não nega que Deus teve filho(s)?... De fato, crer que, um dia, 2000 mil anos atrás, o Todo-poderoso desejou ter um filho e para tanto se unira “sexualmente e/ou lascivamente” a uma mulher – conforme mencionado em inúmeros mitos do paganismo – é, por deveras, contrário à Revelação. A intenção corânica, creio eu, é rejeitar esse tipo de crendice. E, nisso, ele está coberto de razão. Entrementes, a verdade é que, Deus (o Pai), sempre, desde toda eternidade, TEM um Filho; e não simplesmente ‘teve’. [Mais precisamente: ‘Deus “É” Filho, sempiterno, do Eterno e Divino Pai’!] Ou seja, antes de existir o mais remoto vestígio de qualquer criatura, eternamente já existia um Filho divino: Sua Perene Palavra (ou o Verbo)... Depois, é que, este se encarnou, por obra do Espírito Santo, em uma virgem israelita: Maria de Nazaré. Assim, dizer que Deus “teve” (ou seja, passou a ter o que não tinha antes) um filho não é verdadeiro.
[Adendo: E há também, quem sabe, a questão de que, quando dizemos que alguém teve (ou tenha tido) algo, isso poderia indicar que não se tem mais ou, ao menos, existe a incerteza se ainda continua tendo tal coisa... Exemplo: ‘Meu amigo teve um carro’, daria a entender que ele não tem mais. O fato, é que, pela da tradução do Corão para língua portuguesa que li não aparece a expressão: Deus não “tem” filho; mas tão-somente que ele não “teve” filho. E que, portanto, o certo a se dizer é que: Deus TEM um Filho (ou melhor: ‘Deus é Filho’). Que, por ser filho dum Eterno, é também Eterno; daí, sua existência ser igualmente perpétua. Noutras palavras: Ele o TEM desde toda eternidade; porquanto é de sua mesma natureza, que é eterna.]
Eu como católico, prontamente, corrigiria um irmão na fé que, por ventura, estivesse dizendo: `Deus teve um filho`. Diria-lhe: `Não deveis falar assim, mas diga: Deus tem um filho`.
Já a Encarnação é como que uma solução para o seguinte questionamento: ‘Deus poderia encarnar-se, isto é, além da sua divina natureza eterna, assumir uma natureza humana? Resposta: Sim! Aliás, é o que exatamente ocorreu. Tenha-se em vista, o Altíssimo ser Onipotente; e, por conseguinte, possuir poder para tanto. (Ou alguém duvida que Ele tenha poder para tanto?)
<> [http://www. logoshop.hpg.com.br/div172.htm].
Deus, com isso tudo, dá o testemunho de insuperável humildade... Daí, ser tão rejeitado pelo Altíssimo os arrogantes e pretensiosos, pois se até ele – que é Deus Todo-poderoso – propõem a se apresentar de forma humilde; como, então, uma simples criatura pode arrogar-se a não o ser. [Como um rei que, deixando suas vestes de glória (esvaziando-se do luxo) e revestindo-se de simples tecidos, para, saindo do seu majestosíssimo palácio, ir misturar-se com o seu povo, assim é o grande Rei e Senhor. Um Deus que visita os que ele escolheu amar (aqueles que são alvos de sua misericórdia)!]
Com efeito, Deus não só nos ensina que devemos ser humildes; mas, Ele próprio, nos dá tremendo exemplo de humildade! (Quem poderia ser mais pedagógico do que o Divino Mestre, não é mesmo?)
Deus que se tornou visível
“No princípio era o Verbo e o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus. No princípio, ela estava com Deus. Tudo foi feito por meio dele e sem ele nada foi feito” (Jo 1,1-3), e “o Verbo se fez carne” (Jo 1,14). “O que era desde o princípio, o que vimos com nossos olhos, o que contemplamos, o que nossas mãos apalparam do Verbo da vida... e vimos e lhes damos testemunho e vos anunciamos a Vida eterna, que estava voltado para o Pai e que nos apareceu” (1 Jo 1,1-2).
Jesus mesmo declarou: “Eu sou o Primeiro e o Último, o Vivente; estive morto, mas eis que estou vivo pelos séculos dos séculos”(Ap 1,17-18). E ainda salientou: “Em verdade, em verdade, vos digo: antes que Abraão existisse, EU SOU” (Jo 8,58)... [Lembremos que: os anjos não morrem e nem por isso são Deus (dada vênia, o simples fato não-morrer não é atestado de divindade). Nem nos esqueçamos que os mesmos não têm o poder de encarnarem-se, só Deus (o Onipotente) tem um tal poder. E é justamente essa onipotência que faz que um Ser seja Divino.]
O Verbo é Deus (o Primeiro e o Último); o invisível que assumiu a visibilidade...O Alcorão também ensina que Deus é Primeiro e Último, Visível e Invisível.
A Surata (ou Sura) 57,3 diz: << “Ele é o Primeiro e Último, o Visível e o Invisível, e é Onisciente”>> [htt://www.kuran.gen.tr/html/brezilyaca/057.php3].
E com Simão Pedro – conforme está na Bíblia – nós (cristãos) haveremos de sempre confessar ao Verbo Encarnado: “Senhor, tu sabes tudo”(Jo 21,17) .... [E quem sabe tudo; não é, pois, onisciente?]
Jesus (o Verbo) é incriado
Veja o seguinte comentário que encontrei num site: <>[htt://www. logoshp.hpg.ig.com.br/div172c.html]... O fato, é que, o próprio Corão, como a Bíblia, também afirmar que Jesus é a Palavra do Altíssimo. Quando Zacarias estava orando, anjos lhe teriam dito (Surata 3,39): <<“Deus te anunciou o nascimento de João, que corroborará o Verbo de Deus”>>[http://www.kuran.gen.tr/html /brezilyaca/003.php3]. E na Surata 3,45: << “Ó Maria, por certo que Deus te anuncia o Seu Verbo, cujo nome será Messias, Jesus”>>[http://www.kuran.gen.tr/html/bresilyaca/ 003.php3].
Jesus, o Herdeiro de Deus.
Um dos títulos de Deus, no islamismo, é HERDEIRO!... Deus herdeiro(?!), herdeiro de quem??? (Será que algum muçulmano poderia me explicar tal titulação!)... Jesus, o Filho de Deus, sem dúvida, é o Herdeiro perpétuo do Pai.
<>[http://www. dhnet.org.br/direitos/anthist/alcorãoint.html#1465].
Deus nasceu duma virgem
Mas essa idéia de o divino nascer duma virgem não é coisa presente nos mitos pagãos, onde se associa à divindade tal tipo de nascimento?... Ora, quem disse que as “idéias” presentes nos mitos são, todas, per si, erradas? Se forem, então, não deveríamos acreditar em mortos sendo ressuscitados, ou cegos curados, ou outros tantos milagres e prodígios assinalados tanto na Bíblia como no Corão; porquanto em vários mitos aparecem narrados muitos fatos similares. [As idéias podem até ser semelhantes, mas não, necessariamente, as formas com estão descritas nas mitologias.]
Não nos esqueçamos que muitos foram os céticos, ao longo da História, que certamente acharam coisa de conto pagão, por exemplo, que a Divindade tenha transformado uma mulher em estátua de sal (o caso da mulher de Ló). E outros mais, de tal laia, não teriam zombado de ouvir dizer que Salomão proseava (ou conversava) com formigas? [E quantos não compararam as descrições paradisíacas, seja da Escritura Cristã ou do Alcorão, como fábulas? (O mesmo se diga do Inferno.) Coisas, diriam os incrédulos, de mitos pagãos!]
Os mitos do paganismo falam de deuses que curam pessoas; e, no entanto, sabemos que o Deus verdadeiro é quem, de fato, cura. Os mitos do paganismo falam de deuses que ressuscitam mortos; e, no entanto, sabemos que o Deus verdadeiro é quem, de fato, ressuscita-os. Os mitos do paganismo falam de deuses que criaram plantas e animais; e, no entanto, sabemos que o Deus verdadeiro é quem, de fato, criou tais seres... Ora, os mitos do paganismo, semelhantemente, falam de deuses que se encarnam; e, nós (que temos a ciência exata) sabemos que o único divino que se encarnou foi o Deus verdadeiro, na pessoa do Verbo da Vida!
A idéia de que uma divindade podia curar era verdadeira, a idéia de que uma divindade podia ressuscitar mortos era verdadeira... assim, também, verdadeira era a idéia de que uma divindade podia encarnar-se (e ter mãe na temporalidade). Falsa era a atribuição que se fazia dessas coisas (dessas idéias) a seres que não eram. E, do mesmo modo que, atribuía-se a deuses falsos a encarnação da deidade; paralelamente, atribuíram às falsas mães-virgens aquilo que só caberia, no futuro, única e exclusivamente, a Virgem de Nazaré: Maria Santíssima.
Maria, portanto, é a única Mãe de Deus Encarnado. Daí, o gigantesco reconhecimento, dado pela Igreja, a essa criatura toda santa, que é a Virgem de Nazaré. Aliás, o próprio texto corânico bem coloca em proeminência o valor de sua pessoa; haja vista, dentre outras coisas, ser ela a ÚNICA mulher – em todo Alcorão – cujo nome próprio é citado! E o olhe que é citado dezenas de vezes. (E mesmo que fosse citada apenas duas ou três vezes já, grandemente, a particularizaria.).
Como habituei dizer: existem, pelo menos, três formas diferentes para explicar as ditas similaridades, presentes nos textos sagrados da Bíblia, com o que é descrito nas mitologias. Uma delas, a qual me aterei inicialmente (a qual dispenso minha particular consideração), é de São Justino (cristão e apologeta do século II), que eu chamo princípio macaqueador de Satanás. Porquanto, conhecedor das promessas divinas – como: “Eis que a Virgem conceberá e dará à luz um filho e o chamarão com o nome de Emanuel, o que traduzido significa: “Deus está conosco””(Mt 1,23) ou “Ela te esmagará a cabeça e tu lhe ferirás o calcanhar” (Gn 3,15) – o diabo fez tudo para confundir os homens, espalhando estórias semelhantes as que, futuramente, se cumpririam conforme a revelação divina. Para que, quando o verdadeiro filho de Deus aparecesse (verdadeiramente nascido de uma virgem), muitos o renegassem; dizendo, quiçá, coisas do tipo: ‘Que ele (Jesus Cristo) não seria melhor do que os seus (falsos) deuses!’... Há um interessante versículo no Corão (Sura 42,57): << “E quando é dado como exemplo o filho de Maria, eis que o teu povo o escarnea! E dizem: nossas divindades não são melhores do que ele?”>>[http://
Outra explicação, a respeito de tais semelhanças, seria pela linha do psicologismo. Onde os homens, de todas as culturas, projetariam em seus mitos o desejo – inato a todo ser humano – de encontrar-se com o seu Criador, fisicamente manifesto; já que o homem, além de espírito, possui também um corpo... Em que, por fim, Deus, todo Misericordioso, respondeu ao apelo e o anseio comum a toda criatura humana encarnando-se (independente se muitos deles não tivessem plena consciência dessa aspiração).
Os mitos expressariam, então, esse anseio universal, ainda que de forma mitiga e mesmo deformada. Recordo-me do testemunho dado pelo frei D. Bernado Bonowitz, sobre sua primeira intuição a respeito da Encarnação do Verbo, quando ele ainda não era católico, sendo uma criança numa conservadora família judaica. Diz ele: <>[Revista JESUS VIVE E É O SENHOR, (RCC) – Ano XIII – Fevereiro/00 – No. 260, entrevistado por Jorge André, p.7].
Há, ainda, a hipótese de, nas origens da humanidade, ter-se-ia uma única noção religiosa, da qual Noé tinha conhecimento e que ele comunicou a seus filhos. Só que, com o passar das gerações, a idéia perfeita de que o homem tinha da revelação foi se perdendo. Entretanto, as noções gerais – como aquela que afirmava que a divindade iria se encarnar – foram, ‘a troncos e barracos’, conservadas e preservadas, parcialmente e com certas deformidades, nas mais diferentes lendas dos povos. De sorte que, apesar das deformações míticas, o essencial da mensagem foi conservado; ou seja: o Altíssimo, que é infinitamente cheio de misericórdia, demonstraria seu infindo amor, assumindo nossa humanidade (encarnado-se) e morrendo por nós. ‘Não há prova de amor maior do que dá a vida por outrem!’
Quão cara a Deus é a virtude da humildade; por isso, imitando as palavras de São Tiago, digo: ‘Se o Senhor quiser estarei vivo e farei isto ou aquilo’ (cf. Tg 4,14). Sim, se o Altíssimo conceder-me fôlego aos meus dias, então escreverei uma segunda parte (e, talvez, outras mais [aliás, já tenho várias páginas de esboços!]) concernente às minhas conjecturas sobre o Cristianismo e o Islamismo... E que o Divino Espírito, que é Senhor com o Pai e com o Filho, conceda a graça e o dom da coragem para que, se for necessário, derrame meu sangue pela causa do Evangelho, e ser uma oferta agradável, olor que sobe aos céus por e em Cristo Jesus.
Tipos de Monoteísmo
O monoteísmo islâmico e/ou judaico, na sua importante e intransigente defesa da unicidade da natureza divina, mesmo assinalando esse insofismável valor da realidade do Ser Divino (que é uno), ainda assim, carece do colorido daquilo que podemos chamar de tri-personalidade divina. Explico. Comparativamente, você pode captar a realidade duma passagem numa fotografia em preto e branco; todavia, essa realidade é abraçada, com maior profundidade e precisão, quando se tira uma foto colorida. Tanto é que se apresentarmos a alguém, respectivamente, uma fotografia em preto e branco e uma colorida de um mesmo lugar e perguntarmos: ‘Elas descrevem a realidade de tal paisagem, sim ou não?’ Todos responderam que sim, que ambas fazem isso. Entretanto: ‘Qual delas expõe-na (a realidade) com maior exatidão?’ Obviamente, a colorida!... A doutrina das Três Pessoas Divinas é como o colorido fotográfico; e ela não desmantela a veracidade descrita pela unicidade da natureza divina (que seria comparável a uma foto em preto e branco); muito pelo contrário, a enriquece e a embeleza. Assim, poderíamos dizer: o monoteísmo não-tripessoal só desabrochará, com fulgor e resplendor, quando acolher a fé no mistério da Santíssima Trindade (o monoteísmo tripersonal). Em suma, o monoteísmo cristão, mais fiel e ricamente, “retrata” a realidade divina.
Esperança
Quando estivermos ante o Divino – Três Pessoas (o Pai, o Filho e o Espírito Santo) numa única e mesma Divindade – todos certamente ouviremos seu insondável testemunho (que já pode ser igualmente contemplado, ao menos em parte, no Alcorão, Surata 16,51): <<“Somos um único Deus”>>[http://www.kuran.gen.tr/html/brezilyaca /016.php3].
Então haveremos de salmodiar: “O céu foi feito com a palavra de Deus, e seu exército com o sopro de sua boca”(Sal 33,6). [Trocando em miúdos: A palavra divina é o Verbo Jesus; e o sopro, ou espírito, é o Espírito Santo.]
E para encerrar, cito o trecho dum interessante artigo, escrito pelo professor e estudioso sheik Abdul Haddi Palazzi: <>[http://www.visaojudaica.com.br/Junho%202004/Artigos%20e%20reportagens / o_alcorao-diz_ que_al a_deu_israel_aos_judeus.htm] ... Não é, pois, a cidade de Medina também conhecida como ‘A Iluminada’?... Com certeza, naquele notável dia (em que santo sacrifício foi renovado e, portanto, presentificado em Medina), a Luz que veio ao mundo, Jesus Cristo, brilhou com toda resplandecência no interior de tão afamada urbe!
Se foi desse modo, como descrito por Abdul Palazzi, é de impressionar! Pois Maomé não só teria recebido e tratado cordialmente os cristãos; mas, mais ainda, recebeu-os numa das mais sagradas mesquitas do Islã. E, se isso tudo não bastasse, consentiu que, neste sacratíssimo ambiente para o Islamismo, fosse celebrada uma missa. Por que será??...
Queira Deus que, um dia, não pela vingança, rixa ou armas; mas pelo Espírito e pela graça, em mesquitas do mundo inteiro, seja celebrado o Santo Sacrifício da Missa!
Bibliografia
-AQUINO, Prof. Felipe, Escola da Fé I (Sagrada Tradição), Editora Cléofas, Lorena-SP, 2000.
- A BÍBLIA DE JERUSALÉM, Editora Paulus, SP, 1996.
- CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA, 5a edição, Editora Vozes Edições Paulinas Edições Loyola Editora Ave-Maria, RJ/SP, 1993.
http//www.kuran.gen.tr/html/brezilyaca/005.php3.
bra.
http:://www.visãojudaica.com.br/Junho%202004/Artigos%20e%20reportagens?o_alcorão-diz_ que_ala_deu_Israel_aos_judeus.htm.
Revista JESUS VIVE E É O SENHOR (RCC), Ano XIII – Fevereiro 00, No. 260.
PS.: O presente texto visa, indiscutivelmente, a propagação da Boa Nova de Nosso Senhor Jesus Cristo. Não obstante, primei por expor, especulativamente, as presumidas congruências acima citadas, na esperança de que se converta num valioso instrumento de evangelização. Porquanto, se se pode “demonstrar” que é possível achar as luzes da doutrina da Santíssima Trindade mesmo no texto do Alcorão, quanto mais então aumentará nosso empenho, e chances, em compartilhar toda a riqueza da Sagrada Fé Cristã com o povo islâmico. E, para tanto, coloco sob a proteção da Virgem Santíssima esse meu anseio (e esse meu ensaio) missionário – ela que é a “Primeira Evangelizadora”. [E que, por excelência, é `A Portadora da Palavra de Deus`; haja vista ter trazido o Verbo da Vida em seu ventre.].
Escusem, desde já, a visível incompetência (de minha parte) para tratar de temas tão delicados... (E pelos erros que fatalmente terei eu cometido.)
Tudo que escrevi está e estará sempre sujeito a um maior e melhor juízo, que é o da Santa Madre Igreja Católica. Que tem o poder, dado pelo Altíssimo, para corrigir, refutar, completar e tudo mais que for necessário.
Que DEUS seja louvado!
OBS.: 1- Sei que a presente temática não faz parte desse portal; todavia, resolvi postar, assim mesmo, esse meu artigo. Entenderei se não quiserem, inclusive, perder tempo lendo-o; pois é mais outro “calhamaço” que vos envio. No entanto, peço que, ao menos leiam as duas últimas páginas. Destacadamente os itens: ‘Tipos de monoteísmo” e ‘Esperança’; porquanto – penso eu – servem, respectivamente, para um esclarecimento de qual é a diferença entre o monoteísmo que os cristãos confessam e o que é confessado pelos judeus e muçulmanos, e também para salientar a esperança na conversão dos islâmicos à Fé Cristã. [Inclusive, se quiserem expor no site tais itens somente, sem o resto do texto, poderão fazê-lo.]
2- O meu e-mail está com “defeito”, por isso, estou utilizando o de minha irmã Pollyana....
PASSAGENS DIFÍCEIS DO ALCORÃO
(Parte – 1)
Embora o Concílio Vaticano II seja reconhecidamente pastoral (e que, após este episódio da História Conciliar do Catolicismo, tenham grassado pestilentas teses como a infame Teologia da Libertação), é claro que ele continua tendo um grande peso. E um dos documentos desse concílio (depois de assinalar o grandioso apreço que a Igreja nutre pelos judeus) diz expressamente: <<“Mas o plano de salvação abrange também aqueles que, reconhecem o Criador. Entre eles, em primeiro lugar, os muçulmanos, que, professando manter a fé de Abraão, adoram conosco o Deus único, misericordioso, juiz dos homens no último dia” (LG 16; cf. NA 3)>>[CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA, 5a edição, Editora Vozes Edições Paulinas Edições Loyola Editora Ave-Maria, RJ/SP, 1993, p. 207, n. 841]
Todavia, apesar dessa visão conciliar bastante otimista com relação aos confessores da fé islâmica, não podemos nos esquecer de certas problemáticas de caráter teológico que persistem (algumas, inclusive, de grandíssima relevância); como, por exemplo, as que são suscitadas por passagens do Corão como a que segue: <<“Diz: Ele é Deus, o Único! Deus, o Eterno Refúgio! Que não gerou nem foi gerado. Nada é igual a Ele!”(Alcorão112,14)>> [http://www.montfort.org.br/index.php?seção=caderno& subsecção=religião&artigo= Maomé&lang=bra]...
E agora? Para o cristão, como encarar tal proposição?...
Há, porém, pelo menos três modos, racionalmente falando, de um cristão se posicionar diante dessa sentença corânica (e de outras similares): 1 - ou o Alcorão afirma uma concepção antitrinitária, e, portanto, é um livro que contém falsidade; 2 – ou em uma outra versão do Corão, que seria a original, não possuiria tal sentença ou qualquer outra que se contraporia à veraz doutrina da Igreja de Deus; 3 - ou falso é o entendimento que se tem, comumente, de tal passagem.
Mas alguém questionaria (com relação à terceira proposição): como, então, poderia ser lido tal trecho do Alcorão de modo a não ferir a maravilhosa verdade doutrinária sobre a Santíssima Trindade?... Bem, eu não digo que seja fácil; mas tentarei apresentar, apesar da notória simploriedade do meu saber, uma solução (ainda que seja exposta tão-somente no campo hipotético ou especulativo). Aliás, esse é o desafio ao qual me proponho neste meu artigo: ler o Alcorão de forma a não o opor à verdade da Fé Cristã.
Introdução
Antes, porém, é curioso notar o que diz o Alcorão: << “Se estás em dúvida sobre o que temos revelado, consulta aqueles que leram o livro antes de ti” (Corão, X, 94. Edição Tangará do Alcorão Sagrado, versão árabe por Samir el Hayek São Paulo, 1979, p. 152)>>[htp://www.montfort.org.br, Idem...]. Ou seja, o próprio Corão reconhece que nós, os cristãos, somos aqueles que têm autoridade para aclarar as partes de difíceis entendimento do livro sagrado do islã; nós que precedemos os mulçumanos na revelação. [Os judeus também estariam incluídos entre os predecessores; entretanto, como se recusaram ao Evangelho de Cristo, não podem mais (depois de ter se consumada a Nova Aliança) serem tomados como doutos (ao menos em grau elevado) no concernente à revelação divina.]
Como Deus falou, antes aos judeus e depois aos cristãos, segundo a própria ótica islâmica; então, notoriamente, estes últimos têm a revelação mais completa (Antigo Testamento e Novo Testamento). Pois os do judaísmo ficaram somente com o Antigo Testamento. E, obviamente, o lógico é consultar os que têm o conhecimento revelacional mais completo, no caso, os cristãos... [Salvo se os judeus, em questão, pertencerem a algum grupo messiânico, o qual acolhem também a Nova Aliança, em Cristo Jesus e que confessam: “Nós estamos no Verdadeiro, no seu Filho Jesus Cristo. Este é o Deus verdadeiro e a Vida eterna”(1 Jo 5,20). Reconhecendo, igualmente, que é a “Igreja do Deus vivo: coluna e sustentáculo da verdade” (1 Tm 3,15) e, por conseguinte, nela se encontram “as chaves do Reino dos Céus” (Mt 16,19).]
Além do mais, no que tange o tempo, os cristãos precedem imediatamente os islamitas. Logo, os mais próximos e imediatos, com relação aos islâmicos, recebedores da Revelação Divina, cronologicamente, são os seguidores de Jesus.
É, também, importante lembrar que, ao menos num versículo – no que diz respeito àqueles que antes dos muçulmanos receberam revelação divina, isto é, judeus e cristãos – o Alcorão aponta preferencialmente para os cristãos (Surata 5,82): << “Constatará que aqueles que estão mais próximos do afeto dos fiéis, entre os humanos, são os dizem: Somos Cristãos”>>[http: //www.kuran.gen.tr/html/brezilyaca/005.php.3].
E é mui curioso, ainda, constatar que: <> [http://www.montfot.org.br, Idem].
Questão da Trindade
Ora, o Espírito Santo, que é Deus, ele nem gerou a Deus nem foi gerado por Deus; mas procede do Pai e do Filho. Onde está escrito no Alcorão que Deus não pode proceder? E assim como nós cristãos podemos falar de Deus, centrando-nos na Pessoa do Espírito Santo; também podemos falar do Senhor, focando na Pessoa do Pai ou na Pessoa do Filho. Pois tanto o Pai, como o Filho ou o Espírito Santo é um único e mesmo Deus.
Quando falamos da Pessoa do Pai, dizemos: o Pai gerou, mas não foi gerado. E quando falamos da Pessoa do Filho ensinamos: este foi gerado, porém não gerou. Já o Espírito Santo nem gerou nem foi gerado, mas procede. Em suma, o versículo do Alcorão (Surata 112,1-4) estaria direcionado à 3a Pessoa da Santíssima Trindade (o Espírito Santo).
Vede, ainda, que só Deus é absoluto: Ele é gerador, gerado e procedente. Só Deus é Divindade; e é, por isso, que só Ele pode gerar a Si mesmo e de Si mesmo proceder. (Nenhum outro ser gera a si próprio, ou procede de si; somente o Todo-poderoso. Que pode tudo, inclusive, gerar-se e, de si, proceder!) De sorte que, o mistério da Santíssima Trindade revela-nos a incomparável distinção que há entre o Criador e as criaturas.
Outra, quiçá, leitura possível da referida Sura (ou Surata) 112 é a seguinte: ‘Deus (Filho) não foi gerado (carnalmente por varão algum) nem gerou (varão ou varoa); haja vista Jesus, o Verbo divino, não teve pai humano nem descendência carnal (sem filhos). De sorte que, tal passagem do Corão também pode ser aplicada à 2a. Pessoa da Santíssima Trindade sem ferir a dogmática católica – desde que seja entendida da forma que aqui foi apresentada.
Deus é “Totalidade” (singular/plural)
Ademais, é importante lembrar que: No Alcorão, existem passagens em que a Divindade é tratada, algumas vezes, no singular (eu) e em outras no plural (nós), semelhante o que acontece no texto bíblico. E já que os cristãos entenderam, com relação à Bíblia, essa dobrada maneira de tratamento da divindade, ser uma forma velada da afirmação do Mistério da Santíssima Trindade (e não como sendo um simples plural majestático); assim, nós bem que poderíamos também contemplar essa realidade da divina “totalidade” (singular/plural) no texto do Alcorão. Pois é singular em natureza, mas ‘plural’ em pessoas. Deus é o todo: o essencialmente singular em “numerosidade” (de relações); todavia, sem contradição, já que é singular num aspecto e ‘plural’ noutro. No Corão é dito:
- <<“Criamos todos os seres vivos” (Surata 21,30)>>[http://www.kuran.gen.tr/html/ brezilyaca/021.php3].
- << “O salvamos... conduzindo-os a terra que abençoamos” (Surata 21,7)>>[http://
- <<“Do mesmo jeito que originamos a criação, reproduzi-la-emos (Surata 15,23)>>[ http //www.kuran.gen.tr/html/brezilyaca/015.php3].
- <<“Criamos o homem de argila” (Surata 15,24)>>[http://www.kuran.gen.tr/html/ brezilyaca/015.php3].
É por isso que, em sentenças como as supracitadas e nas que se seguem (Surata 50,43 e 50,59): <<“Somos Nós que damos a vida e amorte”>>[http://www.kuran.gen.tr/ html/brezilyaca/050.php3] <<“Somos Nós Criador”>>[http;//www.kuran.gen.tr/html/ brezilyaca/056.php3], bem poderíamos compreender como sendo uma confissão a respeito da Santíssima Trindade – o Pai, o Filho e o Espírito Santo.
Se os muçulmanos lêem isso como um simples plural majestático, aí é uma perspectiva de leitura deles... mas quem disse que tem que ser esse o nosso ponto de vista (ao menos no campo hipotético), nós que somos cristãos?
Curiosas observações
E não é curioso que o Islamismo considera-se sendo a 3a Revelação?! A primeira seria a do Judaísmo e a segunda, do Cristianismo... Se for assim, então, não teria o Altíssimo, intencionalmente, querido assinar sua “tripersonalidade” no plano revelacional, isto é, que ele é Três Pessoas, daí as 3 revelacões (como crêem os muçulmanos)?... Não teria, portanto, o Todo-poderoso, escolhido que a ÚNICA fé abraânica fosse professada por TRÊS `povos` para assinalar justamente, no curso da História (Ele que é o Senhor de toda História), que ele é UNO em natureza, mas TRINO em pessoas?
Mal comparando, o cubo nos lembraria tal e tão santo mistério (o da Santíssima Trindade). Uma vez que, possuindo 3 dimensões (altura, comprimento e largura), é apenas 1 único e mesmo objeto. [Obviamente, se se retira uma dessas dimensões deixaria de ser cubo. E cubo, só é cubo, porque possui três dimensões indivisíveis.]... Afinal, como se chama cubo em árabe (língua oficial do Corão)? E o que significa o nome CAABA (que é o santuário-mor para o Islamismo)?... [O cubo tem 6 faces, 12 arestas e 8 vértices. Donde, 6 + 12 + 8 = 26; ora, 26 é o valor numérico do Tetragrama Divino IHWH ou Javé... E uma da formas mais comuns de se abrir um cubo é a cruciforme, ou seja, em cruz. Cruz que nos lembra aquela sobre a qual Jesus (cujo significado do nome é “Javé Salva”) derramou seu sangue redentor.]
Se um ser humano é capaz de dar a vida por outrem, em sinal de amor a esta pessoa; muitíssimo mais, haveria de o Bendito Deus fazê-lo, porquanto muitíssimo mais ama e sabe amar... Infinda é a sua Misericórdia!... Que prova maior (de misericórdia) se pode exigir de Deus? E quem poderá duvidar de seu infinito amor, depois de ele morrer em nosso lugar (por meio da natureza humana que assumiu)? [Com efeito, Deus não se deixa vencer em misericórdia!]
Deus ‘teve’ filho?
Mas o Corão não nega que Deus teve filho(s)?... De fato, crer que, um dia, 2000 mil anos atrás, o Todo-poderoso desejou ter um filho e para tanto se unira “sexualmente e/ou lascivamente” a uma mulher – conforme mencionado em inúmeros mitos do paganismo – é, por deveras, contrário à Revelação. A intenção corânica, creio eu, é rejeitar esse tipo de crendice. E, nisso, ele está coberto de razão. Entrementes, a verdade é que, Deus (o Pai), sempre, desde toda eternidade, TEM um Filho; e não simplesmente ‘teve’. [Mais precisamente: ‘Deus “É” Filho, sempiterno, do Eterno e Divino Pai’!] Ou seja, antes de existir o mais remoto vestígio de qualquer criatura, eternamente já existia um Filho divino: Sua Perene Palavra (ou o Verbo)... Depois, é que, este se encarnou, por obra do Espírito Santo, em uma virgem israelita: Maria de Nazaré. Assim, dizer que Deus “teve” (ou seja, passou a ter o que não tinha antes) um filho não é verdadeiro.
[Adendo: E há também, quem sabe, a questão de que, quando dizemos que alguém teve (ou tenha tido) algo, isso poderia indicar que não se tem mais ou, ao menos, existe a incerteza se ainda continua tendo tal coisa... Exemplo: ‘Meu amigo teve um carro’, daria a entender que ele não tem mais. O fato, é que, pela da tradução do Corão para língua portuguesa que li não aparece a expressão: Deus não “tem” filho; mas tão-somente que ele não “teve” filho. E que, portanto, o certo a se dizer é que: Deus TEM um Filho (ou melhor: ‘Deus é Filho’). Que, por ser filho dum Eterno, é também Eterno; daí, sua existência ser igualmente perpétua. Noutras palavras: Ele o TEM desde toda eternidade; porquanto é de sua mesma natureza, que é eterna.]
Eu como católico, prontamente, corrigiria um irmão na fé que, por ventura, estivesse dizendo: `Deus teve um filho`. Diria-lhe: `Não deveis falar assim, mas diga: Deus tem um filho`.
Já a Encarnação é como que uma solução para o seguinte questionamento: ‘Deus poderia encarnar-se, isto é, além da sua divina natureza eterna, assumir uma natureza humana? Resposta: Sim! Aliás, é o que exatamente ocorreu. Tenha-se em vista, o Altíssimo ser Onipotente; e, por conseguinte, possuir poder para tanto. (Ou alguém duvida que Ele tenha poder para tanto?)
<> [http://www. logoshop.hpg.com.br/div172.htm].
Deus, com isso tudo, dá o testemunho de insuperável humildade... Daí, ser tão rejeitado pelo Altíssimo os arrogantes e pretensiosos, pois se até ele – que é Deus Todo-poderoso – propõem a se apresentar de forma humilde; como, então, uma simples criatura pode arrogar-se a não o ser. [Como um rei que, deixando suas vestes de glória (esvaziando-se do luxo) e revestindo-se de simples tecidos, para, saindo do seu majestosíssimo palácio, ir misturar-se com o seu povo, assim é o grande Rei e Senhor. Um Deus que visita os que ele escolheu amar (aqueles que são alvos de sua misericórdia)!]
Com efeito, Deus não só nos ensina que devemos ser humildes; mas, Ele próprio, nos dá tremendo exemplo de humildade! (Quem poderia ser mais pedagógico do que o Divino Mestre, não é mesmo?)
Deus que se tornou visível
“No princípio era o Verbo e o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus. No princípio, ela estava com Deus. Tudo foi feito por meio dele e sem ele nada foi feito” (Jo 1,1-3), e “o Verbo se fez carne” (Jo 1,14). “O que era desde o princípio, o que vimos com nossos olhos, o que contemplamos, o que nossas mãos apalparam do Verbo da vida... e vimos e lhes damos testemunho e vos anunciamos a Vida eterna, que estava voltado para o Pai e que nos apareceu” (1 Jo 1,1-2).
Jesus mesmo declarou: “Eu sou o Primeiro e o Último, o Vivente; estive morto, mas eis que estou vivo pelos séculos dos séculos”(Ap 1,17-18). E ainda salientou: “Em verdade, em verdade, vos digo: antes que Abraão existisse, EU SOU” (Jo 8,58)... [Lembremos que: os anjos não morrem e nem por isso são Deus (dada vênia, o simples fato não-morrer não é atestado de divindade). Nem nos esqueçamos que os mesmos não têm o poder de encarnarem-se, só Deus (o Onipotente) tem um tal poder. E é justamente essa onipotência que faz que um Ser seja Divino.]
O Verbo é Deus (o Primeiro e o Último); o invisível que assumiu a visibilidade...O Alcorão também ensina que Deus é Primeiro e Último, Visível e Invisível.
A Surata (ou Sura) 57,3 diz: << “Ele é o Primeiro e Último, o Visível e o Invisível, e é Onisciente”>> [htt://www.kuran.gen.tr/html/brezilyaca/057.php3].
E com Simão Pedro – conforme está na Bíblia – nós (cristãos) haveremos de sempre confessar ao Verbo Encarnado: “Senhor, tu sabes tudo”(Jo 21,17) .... [E quem sabe tudo; não é, pois, onisciente?]
Jesus (o Verbo) é incriado
Veja o seguinte comentário que encontrei num site: <>[htt://www. logoshp.hpg.ig.com.br/div172c.html]... O fato, é que, o próprio Corão, como a Bíblia, também afirmar que Jesus é a Palavra do Altíssimo. Quando Zacarias estava orando, anjos lhe teriam dito (Surata 3,39): <<“Deus te anunciou o nascimento de João, que corroborará o Verbo de Deus”>>[http://www.kuran.gen.tr/html /brezilyaca/003.php3]. E na Surata 3,45: << “Ó Maria, por certo que Deus te anuncia o Seu Verbo, cujo nome será Messias, Jesus”>>[http://www.kuran.gen.tr/html/bresilyaca/ 003.php3].
Jesus, o Herdeiro de Deus.
Um dos títulos de Deus, no islamismo, é HERDEIRO!... Deus herdeiro(?!), herdeiro de quem??? (Será que algum muçulmano poderia me explicar tal titulação!)... Jesus, o Filho de Deus, sem dúvida, é o Herdeiro perpétuo do Pai.
<>[http://www. dhnet.org.br/direitos/anthist/alcorãoint.html#1465].
Deus nasceu duma virgem
Mas essa idéia de o divino nascer duma virgem não é coisa presente nos mitos pagãos, onde se associa à divindade tal tipo de nascimento?... Ora, quem disse que as “idéias” presentes nos mitos são, todas, per si, erradas? Se forem, então, não deveríamos acreditar em mortos sendo ressuscitados, ou cegos curados, ou outros tantos milagres e prodígios assinalados tanto na Bíblia como no Corão; porquanto em vários mitos aparecem narrados muitos fatos similares. [As idéias podem até ser semelhantes, mas não, necessariamente, as formas com estão descritas nas mitologias.]
Não nos esqueçamos que muitos foram os céticos, ao longo da História, que certamente acharam coisa de conto pagão, por exemplo, que a Divindade tenha transformado uma mulher em estátua de sal (o caso da mulher de Ló). E outros mais, de tal laia, não teriam zombado de ouvir dizer que Salomão proseava (ou conversava) com formigas? [E quantos não compararam as descrições paradisíacas, seja da Escritura Cristã ou do Alcorão, como fábulas? (O mesmo se diga do Inferno.) Coisas, diriam os incrédulos, de mitos pagãos!]
Os mitos do paganismo falam de deuses que curam pessoas; e, no entanto, sabemos que o Deus verdadeiro é quem, de fato, cura. Os mitos do paganismo falam de deuses que ressuscitam mortos; e, no entanto, sabemos que o Deus verdadeiro é quem, de fato, ressuscita-os. Os mitos do paganismo falam de deuses que criaram plantas e animais; e, no entanto, sabemos que o Deus verdadeiro é quem, de fato, criou tais seres... Ora, os mitos do paganismo, semelhantemente, falam de deuses que se encarnam; e, nós (que temos a ciência exata) sabemos que o único divino que se encarnou foi o Deus verdadeiro, na pessoa do Verbo da Vida!
A idéia de que uma divindade podia curar era verdadeira, a idéia de que uma divindade podia ressuscitar mortos era verdadeira... assim, também, verdadeira era a idéia de que uma divindade podia encarnar-se (e ter mãe na temporalidade). Falsa era a atribuição que se fazia dessas coisas (dessas idéias) a seres que não eram. E, do mesmo modo que, atribuía-se a deuses falsos a encarnação da deidade; paralelamente, atribuíram às falsas mães-virgens aquilo que só caberia, no futuro, única e exclusivamente, a Virgem de Nazaré: Maria Santíssima.
Maria, portanto, é a única Mãe de Deus Encarnado. Daí, o gigantesco reconhecimento, dado pela Igreja, a essa criatura toda santa, que é a Virgem de Nazaré. Aliás, o próprio texto corânico bem coloca em proeminência o valor de sua pessoa; haja vista, dentre outras coisas, ser ela a ÚNICA mulher – em todo Alcorão – cujo nome próprio é citado! E o olhe que é citado dezenas de vezes. (E mesmo que fosse citada apenas duas ou três vezes já, grandemente, a particularizaria.).
Como habituei dizer: existem, pelo menos, três formas diferentes para explicar as ditas similaridades, presentes nos textos sagrados da Bíblia, com o que é descrito nas mitologias. Uma delas, a qual me aterei inicialmente (a qual dispenso minha particular consideração), é de São Justino (cristão e apologeta do século II), que eu chamo princípio macaqueador de Satanás. Porquanto, conhecedor das promessas divinas – como: “Eis que a Virgem conceberá e dará à luz um filho e o chamarão com o nome de Emanuel, o que traduzido significa: “Deus está conosco””(Mt 1,23) ou “Ela te esmagará a cabeça e tu lhe ferirás o calcanhar” (Gn 3,15) – o diabo fez tudo para confundir os homens, espalhando estórias semelhantes as que, futuramente, se cumpririam conforme a revelação divina. Para que, quando o verdadeiro filho de Deus aparecesse (verdadeiramente nascido de uma virgem), muitos o renegassem; dizendo, quiçá, coisas do tipo: ‘Que ele (Jesus Cristo) não seria melhor do que os seus (falsos) deuses!’... Há um interessante versículo no Corão (Sura 42,57): << “E quando é dado como exemplo o filho de Maria, eis que o teu povo o escarnea! E dizem: nossas divindades não são melhores do que ele?”>>[http://
Outra explicação, a respeito de tais semelhanças, seria pela linha do psicologismo. Onde os homens, de todas as culturas, projetariam em seus mitos o desejo – inato a todo ser humano – de encontrar-se com o seu Criador, fisicamente manifesto; já que o homem, além de espírito, possui também um corpo... Em que, por fim, Deus, todo Misericordioso, respondeu ao apelo e o anseio comum a toda criatura humana encarnando-se (independente se muitos deles não tivessem plena consciência dessa aspiração).
Os mitos expressariam, então, esse anseio universal, ainda que de forma mitiga e mesmo deformada. Recordo-me do testemunho dado pelo frei D. Bernado Bonowitz, sobre sua primeira intuição a respeito da Encarnação do Verbo, quando ele ainda não era católico, sendo uma criança numa conservadora família judaica. Diz ele: <>[Revista JESUS VIVE E É O SENHOR, (RCC) – Ano XIII – Fevereiro/00 – No. 260, entrevistado por Jorge André, p.7].
Há, ainda, a hipótese de, nas origens da humanidade, ter-se-ia uma única noção religiosa, da qual Noé tinha conhecimento e que ele comunicou a seus filhos. Só que, com o passar das gerações, a idéia perfeita de que o homem tinha da revelação foi se perdendo. Entretanto, as noções gerais – como aquela que afirmava que a divindade iria se encarnar – foram, ‘a troncos e barracos’, conservadas e preservadas, parcialmente e com certas deformidades, nas mais diferentes lendas dos povos. De sorte que, apesar das deformações míticas, o essencial da mensagem foi conservado; ou seja: o Altíssimo, que é infinitamente cheio de misericórdia, demonstraria seu infindo amor, assumindo nossa humanidade (encarnado-se) e morrendo por nós. ‘Não há prova de amor maior do que dá a vida por outrem!’
Quão cara a Deus é a virtude da humildade; por isso, imitando as palavras de São Tiago, digo: ‘Se o Senhor quiser estarei vivo e farei isto ou aquilo’ (cf. Tg 4,14). Sim, se o Altíssimo conceder-me fôlego aos meus dias, então escreverei uma segunda parte (e, talvez, outras mais [aliás, já tenho várias páginas de esboços!]) concernente às minhas conjecturas sobre o Cristianismo e o Islamismo... E que o Divino Espírito, que é Senhor com o Pai e com o Filho, conceda a graça e o dom da coragem para que, se for necessário, derrame meu sangue pela causa do Evangelho, e ser uma oferta agradável, olor que sobe aos céus por e em Cristo Jesus.
Tipos de Monoteísmo
O monoteísmo islâmico e/ou judaico, na sua importante e intransigente defesa da unicidade da natureza divina, mesmo assinalando esse insofismável valor da realidade do Ser Divino (que é uno), ainda assim, carece do colorido daquilo que podemos chamar de tri-personalidade divina. Explico. Comparativamente, você pode captar a realidade duma passagem numa fotografia em preto e branco; todavia, essa realidade é abraçada, com maior profundidade e precisão, quando se tira uma foto colorida. Tanto é que se apresentarmos a alguém, respectivamente, uma fotografia em preto e branco e uma colorida de um mesmo lugar e perguntarmos: ‘Elas descrevem a realidade de tal paisagem, sim ou não?’ Todos responderam que sim, que ambas fazem isso. Entretanto: ‘Qual delas expõe-na (a realidade) com maior exatidão?’ Obviamente, a colorida!... A doutrina das Três Pessoas Divinas é como o colorido fotográfico; e ela não desmantela a veracidade descrita pela unicidade da natureza divina (que seria comparável a uma foto em preto e branco); muito pelo contrário, a enriquece e a embeleza. Assim, poderíamos dizer: o monoteísmo não-tripessoal só desabrochará, com fulgor e resplendor, quando acolher a fé no mistério da Santíssima Trindade (o monoteísmo tripersonal). Em suma, o monoteísmo cristão, mais fiel e ricamente, “retrata” a realidade divina.
Esperança
Quando estivermos ante o Divino – Três Pessoas (o Pai, o Filho e o Espírito Santo) numa única e mesma Divindade – todos certamente ouviremos seu insondável testemunho (que já pode ser igualmente contemplado, ao menos em parte, no Alcorão, Surata 16,51): <<“Somos um único Deus”>>[http://www.kuran.gen.tr/html/brezilyaca /016.php3].
Então haveremos de salmodiar: “O céu foi feito com a palavra de Deus, e seu exército com o sopro de sua boca”(Sal 33,6). [Trocando em miúdos: A palavra divina é o Verbo Jesus; e o sopro, ou espírito, é o Espírito Santo.]
E para encerrar, cito o trecho dum interessante artigo, escrito pelo professor e estudioso sheik Abdul Haddi Palazzi: <>[http://www.visaojudaica.com.br/Junho%202004/Artigos%20e%20reportagens / o_alcorao-diz_ que_al a_deu_israel_aos_judeus.htm] ... Não é, pois, a cidade de Medina também conhecida como ‘A Iluminada’?... Com certeza, naquele notável dia (em que santo sacrifício foi renovado e, portanto, presentificado em Medina), a Luz que veio ao mundo, Jesus Cristo, brilhou com toda resplandecência no interior de tão afamada urbe!
Se foi desse modo, como descrito por Abdul Palazzi, é de impressionar! Pois Maomé não só teria recebido e tratado cordialmente os cristãos; mas, mais ainda, recebeu-os numa das mais sagradas mesquitas do Islã. E, se isso tudo não bastasse, consentiu que, neste sacratíssimo ambiente para o Islamismo, fosse celebrada uma missa. Por que será??...
Queira Deus que, um dia, não pela vingança, rixa ou armas; mas pelo Espírito e pela graça, em mesquitas do mundo inteiro, seja celebrado o Santo Sacrifício da Missa!
Bibliografia
-AQUINO, Prof. Felipe, Escola da Fé I (Sagrada Tradição), Editora Cléofas, Lorena-SP, 2000.
- A BÍBLIA DE JERUSALÉM, Editora Paulus, SP, 1996.
- CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA, 5a edição, Editora Vozes Edições Paulinas Edições Loyola Editora Ave-Maria, RJ/SP, 1993.
http//www.kuran.gen.tr/html/brezilyaca/005.php3.
bra.
http:://www.visãojudaica.com.br/Junho%202004/Artigos%20e%20reportagens?o_alcorão-diz_ que_ala_deu_Israel_aos_judeus.htm.
Revista JESUS VIVE E É O SENHOR (RCC), Ano XIII – Fevereiro 00, No. 260.
PS.: O presente texto visa, indiscutivelmente, a propagação da Boa Nova de Nosso Senhor Jesus Cristo. Não obstante, primei por expor, especulativamente, as presumidas congruências acima citadas, na esperança de que se converta num valioso instrumento de evangelização. Porquanto, se se pode “demonstrar” que é possível achar as luzes da doutrina da Santíssima Trindade mesmo no texto do Alcorão, quanto mais então aumentará nosso empenho, e chances, em compartilhar toda a riqueza da Sagrada Fé Cristã com o povo islâmico. E, para tanto, coloco sob a proteção da Virgem Santíssima esse meu anseio (e esse meu ensaio) missionário – ela que é a “Primeira Evangelizadora”. [E que, por excelência, é `A Portadora da Palavra de Deus`; haja vista ter trazido o Verbo da Vida em seu ventre.].
Escusem, desde já, a visível incompetência (de minha parte) para tratar de temas tão delicados... (E pelos erros que fatalmente terei eu cometido.)
Tudo que escrevi está e estará sempre sujeito a um maior e melhor juízo, que é o da Santa Madre Igreja Católica. Que tem o poder, dado pelo Altíssimo, para corrigir, refutar, completar e tudo mais que for necessário.
Que DEUS seja louvado!
ADORAR
Prezados participantes do Portal União
Uma coisa é questionar práticas que determinados católicos fazem com relação às imagens; outra é negar todo e qualquer uso das mesmas. No primeiro caso pode até ser um lampejo de virtude; no segundo, é a mais profunda ignorância.
Sem dúvida, as iconografias sempre foram tidas como embelezadoras dos ambientes, mas também foram reconhecidas como valiosos instrumentos pedagógicos; e ainda, estimuladoras da devoção aos santos e de vidas edificantes,... mas nem por isso, elas, per si, são uma garantia de eternidade ao lado do Senhor Altíssimo. E mesmo aquelas imagens, as quais DEUS lhes associa algum fim extraordinário (como a serpente de bronze), também não garantem um lugar no céu.
Contudo, é preciso lembrar também que, nem mesmo uma cura realizada pelo próprio Cristo, em pessoa, (sem a utilização de qualquer outro elemento), não é garantia de que o miraculado vá obter a salvação eterna! Porquanto este poderá, futuramente, desviar-se da senda do Senhor. Com efeito, o próprio Jesus disse aquele que ele curara duma paralisia: “Eis que estás curado; não peques mais, para que não te suceda algo ainda pior”(Jo 5,14)... Todavia, obviamente, não desprezamos as curas e bênçãos alcançadas de Deus, sejam diretamente ou sejam, com o uso conjunto de algum elemento material, que pode ser até uma imagem. Pois, de ambos os modos, segundo a Escritura Santa, Deus poderá agir. Em suma, além das finalidades ordinárias (isto é, comuns), as imagens podem ser utilizadas ‘extraordinariamente`, se essa for a vontade do Altíssimo....
Essa idéia dum Deus antiarte é coisa herege ou ignorante! Haja vista, Deus, que é o primeiro “artista”, é também inspirador de artesãos e artífices: “Iahweh falou a Moisés, dizendo: “Eis que chamei pelo nome Beseleel... Eu o enchi com o espírito de Deus em sabedoria, entendimento e conhecimento para toda espécie de trabalho, para elaborar desenhos, para trabalhar o ouro, prata e bronze... para entalho de madeira, e para realizado toda espécie de trabalhos” ”(Ex 31,1ss.). (Veja: Ex 35,30ss.)
De fato, não nos esqueçamos que o mesmo Deus que criou o mundo pela palavra (dita e não escrita!) não deixou de fazer o homem a partir duma “estátua” de barro: “Deus modelou o homem com a argila do solo”(Gen 2,7). [E assim fez, semelhantemente, com relação aos animais: “Iahweh Deus modelou então, do solo, todas as feras selvagens e todas as e todas as aves do céu”(Gn 2,19).] ... Bem como, acolheu como templo dedicado a seu Nome, um local recheado de imagens. E também atendeu à intercessão de Moisés, a favor do povo que perecia por picadas de cobras, mediante a condição de se contemplar uma imagem de bronze.... E não era, pois, seu lugar de “predileção” entre estátuas querubínicas? Conforme está escrito: “Ali virei a ti, e, de cima do propiciatório, do meio dos dois querubins que estão sobre a arca do Testemunho” (Ex 25,22). (Veja ainda: Nm 7,89).
É curioso ainda notar que eu nunca vi um católico, por mais radical que fosse, declarar que um protestante, ou outra pessoa qualquer, iria para o inferno só por não usar imagens de seres santificados. Nunca!... Por quê? Seria porque é como explicou o estudioso católico Lúcio Navarro com relação ao chamado culto às imagens: “Este culto não é necessário para salvação”[NAVARRO, Lúcio, Legítima Interpretação da Bíblia, Campanha de Instrução Religiosa Brasil-Portugal, Recife, 1957, p. 570 ]... Já o de Adoração a Deus, sem dúvida, é indispensável!
Resumindo, podemos e devemos usar também a “linguagem” pictórica ou escultórica para levar a Boa Nova de Nosso Senhor Jesus Cristo a todos os rincões da Terra. Porquanto, a imagens são uma forma de comunicação utilíssima e mais que atual (haja vista, serem elas de todos os tempos!). Sendo, ainda, por assim dizer, a linguagem mais universal, pois atinge tanto alfabetizados como analfabetos.
a) Apesar de saber quão turvo é o entendimento dos Testemunhas de Jeová, um deles (neste portal) acabou confirmando – de forma até detalhada – aquilo que eu já havia apresentado sobre a legitimidade de se prostrar ante seres que não sejam a Divindade.
O problema sobre a questão da ‘adoração’, pelo que compreendi nos meus parcos estudos, é por que o termo em grego que se traduz comumente por adorar (“prosternar ou prostrar-se”) pode ser igualmente traduzido como uma simples reverência ou veneração, aplicável também às criaturas e não somente a Deus Altíssimo; e a Escritura é cheia de citações que confirmam isso. [Por conseguinte, evidencia-se que não é um termo aplicável unicamente ao que é divino; diferente, por exemplo, da palavra hebraica `bara`(verbo criar), no Antigo Testamento, só se aplica referente ao Altíssimo. Haja vista somente o Todo-poderoso é Criador (cf. CIC, no 290).]
Na citação de Mt 4,10 (cujo paralelo é Lc 4) está assim , no original: Ao Senhor Deus seu ‘proskyneseis’ e a ele ‘mono` ‘latreusis` (cf. está na versão em grego de biblegateway.com/passge?serch=matthew%2004&; &version=68;). Ou seja, prostrar-se-á diante de seu Deus e a ele MONO (‘somente`, em grego) a latria!...
Perceberam que a palavra ‘somente’ ou ‘mono’ está precedendo exclusivamente a segunda parte da sentença, a qual se refere ao culto lautrêutico; mas não a primeira, referente à prostração. Pois prostração ou ‘proskyneseis’ (que pode ser traduzido, simplesmente, como homenagem ou veneração) não é algo exclusivo para com Deus; já a latria, sim. Latria, só a Deus!
Praticamente, de todas as palavras que se costuma apontar como significando venerar, servir, cultuar, adorar, etc – no Novo Testamento – aquela que, de fato, é unicamente direcionada a Deus é a latria. [A Deus, se venera (ou se serve) e adora-se; aos santos, só se venera... aos ídolos, nem se venera, nem muito menos se adora.]
b) Entretanto, penso eu (corrija-me, por misericórdia, se eu estiver errado!) que, a palavra mais adequada para se referir ao que católicos fazem – inclusive, perante imagens – é ‘ajoelhar-se`. Porquanto, prostração seria mais adequado para referir-se a quem põe a face por terra (como fazem os muçulmanos, costumeiramente, em suas orações) ou pelo menos próxima ao chão. E isso não é comum entre os católicos.
O cristão tem, verdadeiramente, o hábito de se ajoelhar para orar; isso desde a Era Apostólica: “Pedro... pôs-se de joelhos e orou”(At 9,40). São Paulo “ajoelhou-se, e orou com todos eles”(At 20,36). [E ajoelhar-se, no grego, é uma palavra distinta de ‘proskyneo’. Tanto em Atos 9,40, como em 20,36, a o vocábulo utilizado é ‘gonata’.]
Seja de joelhos, ou em pé, o importante é que podemos entoar jaculatórias aos seres santificados de Deus, como as que seguem:
- “Exultai com ele, ó céus, e adorem-no todos os filhos de Deus!”(Dt 32,43).
- “Bendizei a Iahweh, anjos seus”( Sl 103(102),20)!
Lembremos, ainda, que o apocalipse, com sua linguagem figurada, apresenta seres celestiais como “medianeiros” (ou seja, sendo elo de ligação junto a Cristo Jesus, que é o mediador perante o Pai Celeste) das orações: 1- “Os quatro Seres vivos e os vinte e quatro Anciãos prostraram-se diante do Cordeiro, cada um com uma cítara e taça de ouro cheia de incenso, são as orações dos santos”(Ap 5,8); 2 - “E da mão do Anjo, a fumaça do incenso com as orações dos santos subiu diante de Deus”(Ap 8,4).
O incenso, aí, pode representar que o tais seres tornam mais agradáveis ao Senhor os pedidos que os cristãos (ou ‘santos’, cf. At 9,32; Rm 16,15) fazem; aliás, um pensador protestante de nome Grotius, do século XVIII, já falava algo semelhante (cf. NAVARRO, Lúcio, Legítima Interpretação da Bíblia, 2a edição, Campanha de Instrução Religiosa Brasil-Portugal, Recife, 1957).
Certamente, os desgostosos com relação à Santa Fé Católica, não querendo curvar-se ante a verdade e, provavelmente, estrebuchando perante tão luminosa proposição, ainda tentarão redargüir, dizendo algo (imagino eu) assim: `Mas se referem aos anjos!`... Ao que respondo: E, por ventura, os seres angelicais não são também criaturas santas?... E completo fazendo outra pergunta: Como ter certeza que são anjos, os vinte e quatro Anciãos mencionados? Não seriam eles serem humanos presentes na corte celeste?
Mas de onde tiras a idéia de que possam ser santos homens, os ditos anciãos? Primeiramente, porque a palavra anciãos é aplicada a seres humanos. Daí, inclusive, os tais poderiam, talvez, serem aqueles primitivos chefes da Igreja incipiente, os quais participaram do Concílio de Jerusalém: “Então pareceu bem aos apóstolos e anciãos”(At 15,22). Ou mesmo, os chefes das classes sacerdotais noticiados no Antigo Testamento: “Davi os dividiu em classes...Maazias o vigésimo quarto”(1 Cron 24,3.18). [Ademais, está escrito: “Os que forem julgados dignos de ter parte no outro século... são semelhantes aos anjos”(Lc 20,35s.).]
O fato é que, pelo sangue de Cristo, nós nos aproximamos de TODA pátria celestial: “Vós vos aproximastes do monte Sião e da Cidade Do Deus vivo, a Jerusalém celestial, e de milhões de anjos reunidos em festa, e da assembléias dos primogênitos cujos nomes estão inscritos nos céus, e de Deus, o Juiz de todos, e dos espíritos dos justos que chegaram à perfeição”(Hb 12,22ss.). Ligados pelo vínculo indestrutível da caridade.
E sempre entoaremos hinos, dizendo: “Glorifica a Iahweh, Jerusalém, Louva teu Deus, ó Sião”(Sl 147(146-147),12), referindo-se a Jerusalém celeste, “a Cidade santa”(Ap 21,2) das Alturas e os que nela habitam. Se muitos, hoje, quando lêem versículos como este, o fazem ainda com o véu sobre a cabeça – não enxergando a realidade espiritual, por trás destas palavras – isso é um problema deles. ( No máximo, o que podemos fazer é rezar para que as escamas, que lhes cobrem os olhos, caiam!)
Até parece, pelo discurso entojado de certos indivíduos, que os santos não são membros de Cristo! Mas eles são, sim! Membros espirituais do Corpo Místico de Nosso Senhor. E quem não haveria de venerar esses seus sacrossantos membros?
Tenho para comigo que: ‘Quem não quer nada com os Santos de Deus, também não terá nada com o Deus do Santos`. Por conseguinte, só lhe restará, por sorte e destino, a infeliz companhia do Diabo e seus sequazes, lá no quinto dos infernos!
c) Os pagãos, segundo a Escritura, ofereciam sacrifícios aos seus deuses e participavam dum banquete sagrado com as carnes sacrificiais. Do qual é proibido aos cristãos participarem, evitando, principalmente, o escândalo para os mais fracos na fé. “Ora, não quero que entreis em comunhão com os demônios... Não podeis participar da mesa do Senhor e da mesa dos demônios”(1 Cor 10,20-21). [Essa é a chamada questão dos idolotitos.]
Creio que o episódio da cura do arameu Naamã possa servir para aclarar mais ainda a questão da adoração...
Nele, depois de curado, Naamã alcança do santo profeta a “licença” [pois o profeta de Deus dispensando-o em paz: “Vá em paz!” ( 2 Rs 5,19)] de poder entrar no templo de Renom e até prostrar-se nele; certamente perante a estátua de tal pseudodeidade, ao acompanhar o seu rei. Está escrito: “Quando meu senhor vai ao templo de Remon para adorar, ele se apóia sobre meu braço e também me prostro no templo de Remon junto com ele; digne-se Iahweh perdoar essa ação a seu servo”(2 Rs 5,18).
Se pelo menos a prostração que Naamã iria fazer fosse perante uma estátua que representasse um ser santificado que está na mansão celestial como os querubins [à semelhança das figuras querubínicas que encimavam a arca da Aliança]; pois até um exemplo disso, dum certo modo, temos nas Escrituras Sagradas: “Josué então rasgou suas vestes, prostrou-se com a face em terra diante da Arca de Iahweh até à tarde, tanto ele como os anciãos de Israel”(Js 7,6). [Além do mais, o povo tinha o hábito de reverenciar o Templo do Senhor, apesar de nele se encontrarem várias imagens sacras; isso desde o Tabernáculo, conforme o mandamento divino: “Reverenciareis meu Santuário”(Lv 19,30).]
Ou, ao menos, ante a representação simbólica d’algum ser que servia de oferta agradável a Deus, como touros que são ofertados em sacrifício (e cujas estátuas sustentavam o Mar de Bronze), que, analogicamente, eram signos do santos mártires... vá lá! [Ou, quiçá, imagens de justos de Deus, prefigurados nas palmeiras (palmas) lavradas nas paredes do Templo do Senhor; como o “justo Ló” (2Pe 2,7). “O justo brota como a palmeira”(Sl 92(91),13).]
Mas não era!... Todavia, é mui importante salientar que Naamã já havia se comprometido com o essencial. Vejamos as próprias palavras dele: “Teu servo não mais oferecerá holocausto nem sacrifício a outros deuses, mas só a Iahweh”(2 Rs 5,17). No fundamental, ele já havia se compromissado.
Ademais, como deve ser sabido, a idolatria consuma-se não em estar presente ou perante um ídolo, mas em prestar `latria` a ele. Daí, o nome: ídolo+latria. [Até porque se estar em ambiente com ídolos (estátuas de falsas divindade do paganismo) fosse idolatria, então quem entrar em museus do mundo inteiro que tem tais artes escultóricas seriam idólatras! (No Louvre, por exemplo, têm estátuas de deuses helênicos, deuses egípcios, etc.) Ou mesmo os cristãos, que desde os primeiros séculos, viveram em lugares cheios de ídolos.]... E como venho mencionando: a prostração (proskrineu) não é o mesmo que latria (latreusis) – pelo menos na passagem em questão. E que, pela sentença Mt 4,10, o `mono` (ou somente) está se referindo a latria; e não à prostração.
No entanto, fica patente que o referido profeta não quis reconhecer outro peso ao gentio Naamã, senão ao do não sacrifício às falsas divindades (e, obviamente, a não participação nas carnes sacrificadas aos ídolos.) Aliás, cuide-se de notar que, ‘coincidentemente’, o Concílio de Jerusalém não quis apresentar, no tocante à idolatria, nenhuma proibição exceto: “Vos abstenhais das carnes imoladas aos ídolos”(At 15,29), “não vos impor nenhum outro peso”(At 15,28). [E essa reunião conciliar era para tratar justamente do que se exigiria aos gentios. Inclusive, nas discussões acalouradas, certamente as partes contendores apresentavam citações da Escritura Santa que apoiariam suas teses. Não seria presumível que o lado que defendia os da gentilidade não teria aduzido tal episódio do sírio Naamã. (Provavelmente o próprio São Paulo.)]
No Apocalipse, duas das Sete Igrejas capengavam espiritualmente justamente nessa questão dos idolotitos, pois muitos foram induzidos que “comessem das carnes sacrificadas aos ídolos”(Ap 2,14); “a se prostituírem, comendo das carnes sacrificadas aos ídolos”(Ap 2,20).
Se observarmos, o sacrifício do “justo Abel” (M t 23,35), nos princípios da Humanidade, é a Deus que é oferecido. Noé, quando sai da Arca, é unicamente ao Todo-poderoso, criador de tudo que há, que ele oferece sacrifícios... Abraão, que foi um dos que fez aliança com o Altíssimo antes da Era Sinaítica, oferece sacrifícios a Deus. É, indiscutivelmente, a Deus que se deve ofertar sacrifícios.
Fico imaginado a quantidade de cristãos, principalmente de servos, que viviam em meio a senhores pagãos que, por vezes, não seriam obrigados a realizar alguma prática prostrativa, como pela qual passara o gentio Naamã! Mesmo que o número deste fosse diminutos, por certo, existiram e se aproveitaram de uma concessão semelhante à do referido arameu.
E se o gentio Naamã se beneficiou duma concessão como aquela; por que, com a Nova Aliança, a gentilidade que se incorporou à Igreja de Deus não teria igualmente certas concessões? (E, ao invés disso, imporiam-lhes pesos que até na própria Antiga Aliança foi concedido dispensa! Tem algum lógica isso?)
d) Jesus deixou bem claro que os “idólatras” (Ap 21,8) sofreriam o peso da condenação eterna. [Aqui, no original em grego, está escrito ‘eidololatrais’ (cf. biblegateway.com/passage/?search=Apocalipse%2021%20;version=68;), ou seja, eidolo+LATRIA – e não `prokuneo` diante de ídolo.]
E, lembrando que: ‘ídolo’ é imagem de falsa divindade pagã. Em resumo: idolatria, ao pé da letra, seria `prestrar culto de latria a falsas divindades pagãs`.
d) O mesmo testemunha de Jeová, no meu entender, embora presuma que não fosse a sua intenção, acabou apontando que ídolo, no sentido estrito, como sendo uma estátua (seja esculpido, seja fundida). [Aliás, eu já ouvi essa tese há algum tempo. Inclusive, alguém certa vez me contou que determinada filha protestante deixava sua mãe católica receber a imagem de Nossa Senhora de Schoenstatt; porque essa imagem era uma figura e não uma estátua.]... E o curioso é que essa idéia parece despontar na própria Escritura.
- “Maldito seja o homem que faz um ídolo esculpido ou fundido”(Dt 27,15).
- “Destruireis as imagens esculpidas, todas as estátuas de metal fundidos”(Nm 33,52).
- “Na casa de teus deuses eu destruirei imagens esculpidas e imagens fundidas”(Naum 1,14).
- “Obra de um escultor e das mãos de um ourives” (Jer 10,9).
- “Todo ourives se envergonha do ídolo porque sua escultura é mentirosa”(Jer 51,17).
- “E não fizerdes uma imagem esculpida”(Dt 4,23).
- “Aqueles que confiam em ídolos, que dizem às suas imagens fundidas: Vós sois os nossos deuses”(Is 42,17).
- “De que serve uma escultura para que seu artista a esculpa? Um ídolo de metal”(Hac 2,19).
- “O meu ídolo fez estas coisas, a minha imagem esculpida ou a minha imagem fundida o determinaram”(Is 48,5).
As clássicas idolatrias (a do Bezerro de Ouro, e do Rei da Babilônia) são também estátuas: “Fez fundir em molde e fabricou com ele uma estátua de bezerro”(Ex 32,4); “o rei Nabucodonosor mandou fazer uma estátua de ouro”(Dn 3,1). Ou mesmo do ídolo Dagon, em que, no final, as mãos e a cabeça do mesmo jazem por terra
No Livro do Êxodo, logo após a citação o Decálogo, vem dito, quase como uma nota explicativa, no concernente a proibição do uso de imagens, o seguinte versículo: “Não fareis deuses de prata ao lado de mim, nem fareis deuses de ouro para vós”(Ex 20,23). [Novamente a idéia que fica é com relação a estátuas.] Mas adiante também está escrito: “Não farás para ti deuses de metal fundido”(Ex 34,17). E nos Dez Mandamentos do Deuteronômio é explícito: “Não farás para ti imagens esculpidas, de nada que se assemelhe ao que existe... Não te prostrarás diante desses deuses” (Dt 5,8s.).
No Livro dos Números, Deus diz aos israelitas: “Quando tiverdes atravessado o Jordão, em direção à terra de Canaã, expulsareis de diante de vós todos os habitantes da terra. Destruíreis as suas imagens esculpidas, todas as suas estátuas de metal fundido”(Nm 33,51s.). Outra vez, ESTÁTUAS!!!
Até mesmo na pregação que Paulo faz em Atenas sobre os ídolos, ele diz, conforme ‘A Bíblia de Jerusalém’: “Não podemos pensar que a divindade seja semelhante ao ouro, à prata, ou à pedra, a um escultura de arte e engenho humanos”(At 17,29). [A tradução “trabalhos pela arte” (sic), citada por um membro do portal, não demonstra a realidade específica mencionada, que é de ser uma ‘escultura’, ou seja, uma ESTÁTUA.] Na `Nova Versão Internacional` se encontra: “Uma escultura feita pela arte e imaginação de homem”[http://www.biblegateway. compassage/?search=acts %2017:29;&version=36;]. Na ‘João Ferreira Almeida Atualizada`: “esculpida pela arte e imaginação do homem”[http:// version=25;].
Lendo várias das citações sobre os ídolos, devo confessar que: dá a clara impressão que eles seriam, obrigatoriamente, estátuas; mas, por outro lado – se isso for verdade – também, concomitantemente e estranhamente, aludiria de que o Altíssimo permitia, sim, que as pinturas de deuses do paganismo fossem preservadas. (Será??) O que não quer dizer, de todo jeito, que fossem permitido adorá-las. Nunca, jamais!
OU SEJA, obviamente, não significa que se podia prostrar (ou oferecer incenso), em adoração, diante de uma pintura – ainda mais se esta retratasse uma falsa deidade do paganismo. [Pois Deus certamente repele um tal ato.] Porquanto, mesmo que as pinturas não sejam propriamente um ídolo, só se deve adorar a Deus. Não se pode adorar um ser humano vivo ou não, ou mesmo um anjo; muito menos um animal, uma árvore, uma pedra, ou produtos derivados destes. Em suma, não se pode adorar qualquer criatura – celestial ou terrena, animada ou inanimada.
Como costumo dizer: se Maria, em pessoa, pela graça divina, aparecesse a mim, eu não a adoraria, muito menos tem cabimento achar que eu adore uma representação simbólica dela. O problema é que muitos teimam em achar que prostrar é, necessariamente, o mesmo que adorar (no sentido exclusivista devido somente a Deus). Pois a Bíblia está cheia de exemplos de homens que nem de longe se comparavam ou comparam à Virgem de Nazaré, os quais foram alvos de lícitas prostrações. (Sem falar também de anjos que foram reverenciados.) Ainda que Maria fosse a menor no Reino do Céu, ainda assim, ela seria maior do que qualquer um sobre a Terra. [Volto, entretanto, a questionar: ajoelhar é o mesmo que simplesmente prostrar?]
Se a adoração é aquilo que só é devido, única e exclusivamente, a Deus. Então, tudo aquilo que se pode fazer a uma criatura, isso, per si, não é adoração. Exemplo, posso prostrar-me de ante de um ser humano (aqui mesmo da Terra)? Em tese, sim! Se prostrar fosse necessariamente adoração, não se poderia fazer tal reverência perante ninguém ou nada mais, somente diante do Altíssimo. E se se pode prostrar em frente de um ser humano, ou uma montanha (cf. Sl 99 (98),9), ou até uma habitação cheia de imagens, muito mais se poderá fazê-lo em respeito e homenagem às santas criaturas celestiais.
Infelizmente, os povos da Antiguidade fabricavam deuses e os adoravam: é a idolatria! Como descreve o profeta Isaías: “Fabricou um ídolo e se prostrou diante dele... faz um deus – o seu ídolo –, prostra-se diante dele e o adora”(Is 44,15.17). E que, com certeza absoluta, tais ídolos, não representavam simbolicamente o Filho de Deus Encarnado (Nosso Senhor Jesus Cristo). Não eram, pois, imagens do Divino Mestre que eles cultuavam adorativamente.
Nós não fabricamos deuses. No máximo, representamos simbolicamente o Deus verdadeiro que se tornou visível!
e) SE for, como alguns pensam, que para ser ídolo, obrigatoriamente, tiver que ser uma estátua; então, automaticamente, estariam livres de críticas imagens não-estátuas. Pinturas, desenhos, mosaicos, afrescos, cartazes, vitrais, escapulários, vestes adornadas, tapeçaria com estampas, cortinas, ícones, bandeiras, estandartes, sinetes... Resumindo, ainda que se retirassem as estátuas das igrejas católicas, os nossos santuários continuariam repletos de signos iconográficos. Cheios de figuras de todos os tipos, com exceção, é claro, das estátuas.
E. Cunha comenta sobre a existência de sinagogas da Antiguidade onde se encontravam várias imagens: “Tenham-se em vista, por exemplo, certas sinagogas da Palestina do século III d. C., onde se encontraram afrescos e figuras humanas. Seja citada também a sinagoga de Dura-Europos (à margem do rio Eufrates), na qual estavam representados Moisés diante da sarça ardente, o sacrifício de Abraão, a saída do Egito e a visão de Ezequiel”[CUNHA, E., Imagens e Santos: um esclarecimento para o povo, AM Edições, 2a edição, SP, 1993, p. 30].
No livro ‘Depois de Jesus o Triunfo do Cristianismo` traz impresso uma ilustração de um mosaico de uma antiga sinagoga, com o seguinte comentário abaixo: “Neste mosaico de uma antiga sinagoga, vê-se o santuário da Torá, com cortinas e flanqueado por leões, aves e menorás”[READER`S DIGEST, Depois de Jesus: o Triunfo do Cristianismo, 1a edição, Reader`s Digest Brasil Ltda, RJ, 1999, p. 107].
f) Cédulas de dinheiro (e moedas) costumam ter imagens nelas... Sinceramente, nunca vi protestante protestar, por exemplo, contra as efígies dos presidentes norte-americanos impressas nas chamadas “verdinhas”. [Nem muito menos: queimar, rasgar, ou jogar dinheiro fora só porque há alguma imagem estampada nelas... ainda bem que não fazem isso, não é mesmo!]. Também nunca vi eles criticarem os monumentos de heróis pátrios, como o de Abraham Lincoln (em Washignton) ou as gigantescas cabeças dos quatros primeiros governantes dos EUA, no monte Richmond. (Cito os Estados Unidos por ser uma nação majoritariamente protestante; aliás, um membro deste portal também citou estes exemplos.)
E as revistas, costumeiramente, elas também têm figuras? E jornais? E gibis? E livros? E enciclopédias? E atlas do corpo humano? E álbuns? E selos? E certas embalagens?... E boneca de plástico, não é uma imagem? (E olhe que é ao estilo de estátua!) Não nos esqueçamos dos ursinhos de pelúcias!... E não sejamos preconceituosos, incluamos também as imagens eletrônicas (Tv, Vídeo Games, etc). E os filmes (películas cinematográficas)? Fotografia também é um meio produzir imagens, ou não é?
Inclusive, muitos livros e enciclopédias apresentam figuras de ídolos (fotogramas de ‘estátuas de falsos deuses do paganismo’)! Vários livros didáticos há pinturas de ídolos, principalmente, os de História – quando tratam dos assuntos da História das Civilizações Antigas... Será que os protestantes não usam tais livros? Ou também estariam proibidos de tirar fotos de ídolos, quando visitam museus ou países onde ainda se têm monumentos do paganismo? [Protestante pode, ao menos, pintar figuras de ídolos? Isto é, olhando uma estátua de falsa divindade do paganismo transpô-la, por meio de pinceladas, para a tela. Bem, eu já vi pinturas de ídolos em livros protestantes.]
Eh! Mas não nos prostramos diante de tais coisas! (diriam os desafetos do Catolicismo) – Então, pelo que confessas, respondo eu, sem me estender muito por outras reflexões: o que vocês (neste seu modo de pensar) deveriam questionar seria, tão-somente, o ato de prostração e não o de ter imagens. [E ainda respondam-me: prostrar-se é, necessariamente, o mesmo que se ajoelhar? Ou é como comentei num item anterior, que elas se distinguiriam entre si, sendo prostração o ato de procumbir (ou cair por terra)?... Bem, seja como for, o mais importante é provar que prostração é necessariamente adoração. Daí, reitero o desafio: ‘Prove que prostrar é, necessariamente, adoração devida somente a Deus!`]
Alguns exemplos de prostrações feitas diante de criaturas:
- “Eliseu atravessou o rio. Os irmãos profetas... vieram ao seu encontro e se prostraram por terra, diante dele”(2 Rs 2,14-15).
- “Ester foi falar com o rei uma segunda vez. Lançou-se a seus pés, chorou, suplicando-lhe”(Est 8,3).
g) No Deuteronômio, contundo, fala da proibição de se fazer imagem de Deus; entretanto, é preciso termos ciência de dois pontos:
1o – É explicitado que o vetado era ‘imagem esculpida’(estátua): “Uma vez que nenhuma forma viste no dia em que Iahweh falou no Horeb, do meio do fogo, não vos pervertais, fazendo para vós uma imagem esculpida em forma de ídolo: uma figura de homem ou de mulher, figura de algum animal...”(Dt 4,15-17).
2o - A mesma passagem explica o porquê era proibida a confecção de tal imagem. Ou seja, como Deus, na Antiga Aliança, não havia se manifestado em forma visível ou de homem, ou de bicho, etc; logo, não fazia sentido caracterizá-lo ou estereotipá-lo... Na Nova Aliança, a Pessoa Divina do Filho se manifesta “em figura de homem”(Fil 2,7) e a Pessoa Divina do Espírito Santo “em forma corpórea, como pomba” (Lc 3,22).
Na Antiga Aliança, ouviu-se a Deus, mas não o viram. “Ouvíeis o som das palavras, mas nenhuma forma distinguíeis: nada, além de uma voz!”(Dt 4,12). Agora, porém, na Nova, São João, cheio de alacridade, escrevera testemunhando: “O que era desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com nossos olhos, o que contemplamos, e o que nossas mãos apalparam do Verbo da vida”(1 Jo 1,1).
Então, em Dt 4, é próprio Senhor Altíssimo que aclara o porquê não se podia, quando da Antiga Aliança, fazer uma imagem que o representasse simbolicamente: “Uma vez que nenhuma forma viste”(Dt 4,15). Coisa que foi superado, com o Novo Testamento. Pode-se representar, presentemente, o modo ou figura que Deus assumiu. Daí, as palavras de São João Damasceno: “Outrora, Deus, o incorpóreo e invisível, nunca era representado. Mas agora que Deus se manifestou na carne e habitou entre os homens, eu represento o ‘visível` de Deus ”[CUNHA, E., Imagens e Santos: um esclarecimento para o povo, 1a edição, AM Edições, SP, 1993, p. 32]
Em Gal 3,1, curiosamente, fala-se de se ter “desenhado” (há aqueles que traduzem por ‘descrita` ou alguma outra palavra que equivalha) a imagem de Messias crucificado. São Paulo queixa-se dos gálatas’que, depois de terem sido apresentados ao “desenho” do Crucificado, ainda assim, acabaram retornando ao apego das práticas mosaicas: “Quem vos fascinou, a vós cujos olhos foi desenhada a imagem de Jesus crucificado”(Gl 3,1).. [Realmente, em princípio, dá a entender que é o significado é o de ‘descrito’; entretanto, devido à expressão antecedente “ante cujos olhos” é que foi desenhada a imagem, pode sugerir, sim, uma figura. Seria, então, o primeiro relato de iconografia cristã???]
h) Também temos que chamar a atenção para o fato de que em nenhum lugar do Novo Testamento, ou Nova Aliança, está escrito ‘não farás imagens de escultura’ (nem muito menos pintura). Aliás, na Antiga, o que, ao que tudo indica, era proibido – com finalidades adorativas – eram ‘imagens de esculturas de divindades’.
Com a Nova Aliança, Jesus disse: “EU SOU”(Jo 8,58) e “quem tem meus mandamentos e os observa é que me ama”(Jo 14,21). “Se queres entrar para a Vida, guarda os mandamentos... Estes: “Não matarás, não adulterarás, não roubarás, não levantarás falso testemunho; honra pai e mãe, e amarás o teu próximo como a ti mesmo” ”(Mt 19,17-19).
Ele, que, com o Pai e o Espírito Santo, “não é um Deus de mortos”(Lc 20,37), bem afirma: “Se alguém guarda a minha palavra jamais verá a morte”(Jo 8,51); e ainda: “As minha ovelhas escutam minha voz... e eu lhes dou a vida eterna e elas jamais perecerão”(Jo 10,27-28). Não à toa, se auspicia logo o encontro com o Altíssimo (em sua celestial morada): “Sim, estamos cheios de confiança, e preferimos deixar a mansão deste corpo para ir morar junto do Senhor”(2 Cor 5,8); “o meu desejo é partir e ir estar com Cristo, pois isso me é muito melhor”(Fl 1,23). O quanto confiante é o clamor proferido por aqueles que venceram, pela graça divina, o mundo – como Santo Estêvão: “Senhor Jesus, recebe meu espírito”(At 8,59)!
E, afinal, estamos sob a Lei de Moisés ou sob a “Lei de Cristo”(Gl 6,2)?...Ademais, Mostre-me, na Bíblia, anterior a Aliança Sinaítica, a proibição de se fazer nem que seja estátuas! Cadê, tal passagem? [E aproveitam para questionar aos sabatistas: e o preceito sabático? Por acaso, Abraão cumpriu um tal preceito para que fosse reconhecido como “pai de todos aqueles que crêem”(Rm 4,4)? Ou Noé, declarado “arauto da justiça”(2Ped 2,5)? Ou Abel, reconhecido como “justo”(Mt 23,35) porque suas obras eram “justas”(1 Jo 3,12)? O qual, aliás, “mesmo depois de morto, ele ainda fala”(Hb 11,4)! Pois, ainda que esteja fisicamente morto, permanece espiritualmente vivo; conforme a palavra do Senhor que diz: “O que faz a vontade de Deus permanece eternamente”(1 Jo 2,17).]
Se tem algum tipo de proibição é na Aliança feita no Sinai, que é uma Aliança feita com os judeus que foram libertos do cativeiro do Egito. “Ouve, ó Israel... Iahweh não concluiu esta Aliança com nossos pais, mas conosco”(Dt 5,1.3). Tanto é que o Decálogo inicia assim: “Eu sou Iahweh teu Deus, aquele que te fez sair da terra do Egito”(Dt 5,6).
Noé ou Abel não guardavam o sábado, e nem eram proibidos de fazer imagens – mesmo estátuas; e digo isso, inclusive, no que concerne a estátuas de Deus. [Todavia, creio, mui fortemente, que eles não tenham feito estatuetas do Altíssimo (embora não lhes fosse proibido). Entretanto, no campo das hipóteses, não posso negar que seja possível; ainda mais que existem os tais ‘efod’ (que não são as vestimentas) e ‘terafins’, os quais, em passagens bíblicas, ora são muito criticados e ora não.].
O preceito sabático, bem como a proibição de imagem esculpida que representasse uma divindade, foram acréscimos da Lei de Moisés. Mas NO PRINCIPIO não era assim: tais normas não existiam. Foi o mosaismo que impôs, além doutras tantas; as quais, totalizadas, poderíamos dizer: formam “um jugo que nem nossos pais nem mesmo nós pudemos suportar”(At 15,10).
A Nova Aliança não é sinaítica, referente a um povo específico; porém, visa a universalidade (ou “catolicidade”) das nações, circuncisadas espiritualmente pelo batismo: “Ide, portanto, e fazei que todas as nações se tornem discípulos, batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo: (Mt 28,19)! (Nossa Jerusalém, aliás, é a do Alto!) [Não à toa, mesmo tendo o Espírito Santo descido sobre o gentio Cornélio, familiares e amigos, a primeira ordem que o primeiro papa deu, com relação a eles, foi que fossem batizados: “Determinou que fossem batizados”(At 10,48). Haja vista “quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no Reino de Deus”(Jo 3,5).
i) Mas o certo é que nem toda estátua é um ídolo! Por que, senão, o Templo de Deus, em Jerusalém, teria sido um tremendo bastião da idolatria; haja vista terem sido postas nele inúmeras imagens desse tipo.
Com efeito, ainda que, conforme alguns costumam apregoar, todo ídolo tivesse que ser uma estátua; isso não significaria que toda estátua é um ídolo. Assim como todo dólar é dinheiro, mas nem todo dinheiro é dólar.
Ademais, a Bíblia salienta, sim, essa idéia de templos apinhados de imagens. (Estranho, do ponto de vista escriturístico, são santuários consagrados à Divindade vazios de imagens, isso é que não tem muito sustentáculo bíblico.) Com efeito, está escrito sobre o Santuário do Altíssimo: “Quanto à grande sala... mandou esculpir por cima palmas e guirlandas... e depois mandou esculpir querubins nas paredes”(2 Cron 3,5.7), “mandou fazer a Cortina... e nela mandou bordar querubins”(2 Cron 3,14), “sobre as molduras que estavam entre as travessas havia leões, touros e querubins... e sobre o encaixe também havia esculturas” (1 Rs 7,29.31). [Portanto, no Divino Santuário, o que não faltavam eram imagens!]... Até na visão do Templo relatado pelo profeta Ezequiel, vê-se a profusão estonteante das mesmas: “Desde a entrada até o interior do Templo, bem como por fora, sobre toda a parede em torno – tanto por dentro como por fora – estavam querubins e palmeiras, uma palmeira entre dois querubins. Cada querubim tinha duas faces: um a face de homem.... e uma face de leão... Os querubins e as palmeiras estavam esculpidos sobre o muro, desde o chão até em cima da entrada”(Ez 41,17-20). “Sobre elas (sobre as portas do Hekal) estavam esculpidos querubins e palmeiras, como os que se encontravam sobre os muros”(Ez 41,25).
Já no Tabernáculo existiam imagens. Nele fora posta a Arca da Aliança, cujo propiciatório havia “dois querubins de ouro”(Ex 25,18). Tendo, inclusive, dez cortinas, sobre as quais estavam “querubins bordados”(Ex 26,1)... Sendo assim, você se prostraria diante de um tal santuário sabendo que existiam imagens dentro dele?... Pois está escrito: “Reverenciareis meu santuário”(Lv 19,30)!
Tenhamos em mente que: Deus não é contra as imagens (mas sim contra os ídolos). O que não significa que se possa utilizá-las de forma abusiva.
j) Muitos, quando falam do uso de imagens, só lembram de criticar a Igreja Católica. Existem várias Igrejas Ortodoxas, e elas usam imagens (ícones). “Templos” luteranos, até estátuas podem ser vislumbradas neles. Em determinadas igrejas Anglicanas, também. Certas “Igrejas” Reformadas (Calvinista) têm imagens pictóricas.
Tenho livros de determinadas denominações que estampam figuras, inclusive de Cristo: como de Testemunhas de Jeová e Adventista. Tenho, ainda, em mãos um livretinho (um espécie de gibi) recheado de figuras que representam anjos e santos; bem como de Jesus.
l) Pode até parecer uma espécie de prática supersticiosa alguém pegar um pedaço de pano e esfregar noutro ser humano para, por meio disso, ser operado prodígios... No entanto, o mesmo ato poderá ser uma forma lícita de adquirir e/ou ministrar uma benção, e é o que justamente está registrado no Texto Sacro: “Pelas mãos de Paulo, Deus operava milagres não comuns. Bastava, por exemplo, que sobre os enfermos se aplicasse lenços e aventais que houvesse tocado o seu corpo: afastavam-se deles as doenças, e os espíritos maus saíam” (At 19,11s.).
Portanto, a fé no que Deus nos ensina, revela que Ele pode, sim, associar uma cura (ou benção) a um ente material, como um pedaço de pano. [Ou mesmo um óleo, conforme está escrito: “E expulsavam muitos demônios, e curavam muitos enfermos, ungindo-os com óleo”(Mc 6,13). Ou até um bolo: “Isaias disse: “Tomai um pão de figos”(2 Rs 20,7); tomaram um e aplicaram sobre a úlcera e o rei ficou curado”(2 Rs 20,7). ] Ou, às vezes, a um ente imaterial, como uma “sombra”(At 5,15). E se o Altíssimo pode fazer tal associação, junto a uma criatura material, por que não poderia fazê-lo com relação às imagens? A princípio, nada o impediria! Pois imagens também são criaturas materiais. (Tudo que não é o Criador é criatura; seja essa criatura industrializada ou não pelas mãos humanas.) Aliás, está escrito: “Se alguém era mordido por uma serpente, contemplava a serpente de bronze e vivia” (Nm 21,9).
m) É pífia a afirmação que ‘deve’ ser rejeitada, essa ou aquela prática, só porque é passível de se cometer abusos. Ora, a própria Bíblia pode ser usada errada (e muito errada!), bem como praticamente tudo: o alimento, o carro, o medicamento, a faca, etc. Nem, por isso, invalida, per si, tais coisas. Com efeito, é como dizem: `O abuso (ou mau uso) não tolhe o uso`. [Mesmo o amor pode ser usado indevidamente; quando se ama mais a si mesmo do que a Deus, ou amar mais o filho ou pai do que o Senhor Santíssimo.]
Aquelas pessoas dos panos e aventais (cf. At 19) acorreram para angariar alguma benção, ou para si ou para os seus. E isso foi algo corretíssimo!... Se não fosse do agrado de Deus, ninguém teria sido curado. [Mas é, óbvio, porém, que a Religião não se restringe a práticas desse tipo; no entanto, por outro lado, isso também faz parte da Religião (ou, pelo menos, pode fazer). Quem moverá guerra contra Shaddai, impedido Deus de agir da forma que queira?]
Ou então, vai ver que esses hereges são mais sábios, mais santos e doutos que Deus! (Será que eles se acham assim?)... Se Deus, mas do que qualquer outro, sabia muito bem quem é o ser humano que ele criou, e mesmo assim não deixou de associar seu divino poder a essas coisas (inclusive à uma imagem), qual o metido à besta vai dizer que isso não pode. Em suma: DEUS pode vincular, sim, a sua benção a qualquer ser que ele quiser. E poderá fazê-lo, ontem, hoje, e sempre que julgar conveniente. (Gostem ou não gostem os heréticos!).
Mas essa negativa é devido a um falso e abobalhado (até mesmo gnóstico) conceito de que a divina religião é destituída de materialidade. Que suficiente seria a fé sentimentalóide! (Ou pior, o desprezo dos elementos materiais; para salientar uma ilusória espiritualidade que quer passar por cristã.) Basta ver a Ceia do Senhor onde há a matéria do pão que é transubstanciada. E mesmo entre os que não crêem assim, não tem como negar que existe o elemento material, o pão. A cura com óleo descrita nos evangelhos (cf. Mc 6,13) é outro exemplo... “Alguém dentre vós está doente? Mande chamar os presbíteros da Igreja para que orem sobre ele, ungindo-o com óleo em nome do Senhor”(Tg 5,14)... Cristo assumiu a carne para mais consolidar que, na Religião Divina, o sobrenatural se anela ao natural. O poder espiritual, ao elemento material. A graça invisível é associada ao sinal visível. Ou seja, uma Aliança também sacramental.
n) Tanto Deus não olha para a aparência dos que escolhe que, para o primeiro rei de Israel, escolheu o belo Saul. Outro exemplo de homens que tiveram o favor divino, foi José do Egito; que também prefigurava ao Cristo de Deus. Diz a Escritura a seu respeito: “Era belo de porte e tinha um rosto bonito”(Gn 39,6). Os heróis da fé – Daniel, Ananias, Misael e Azarias – foram escolhidos para servirem no palácio real, dentre outros critérios, pela “boa aparência”(Dn 1,4).
Alguém citou a “feiúra” de Davi!!... Peço para mostrarem-me, na Bíblia, onde está informado tal coisa... Contudo, enquanto espero (sentado!), vou citar um outro texto sobre Davi que eu conheço: “Era ruivo, de belo semblante e admirável presença”(1 Sm 16,12).
Interessante é saber que cordeiro que iria ser imolado haveria de ser perfeito, sem defeito físico. Essa perfeição externa, no que tange um animal, poderia ter sido expressado na formosura humana do Cristo. Quiçá, aquela interjeição da mulher que bendisse os seios de Maria por causa de Cristo poderia está vinculada a admiração que ela teve por seus porte e traços físicos... O fato, porém, é que existem trechos bíblicos, cuja interpretação, apontam para mais do que presumível beleza do Messias: “Como és belo, meu amado”(Cânt 1,16). E ainda: “És o mais belo dos filhos dos homens, a graça escorre dos teus lábios”(Sl 45(44),3).
A feiúra da Paixão do Messias de Deus, vaticinada no escrito do profeta Isaías (cf. Is 53), e cumprida no alto do Calvário, teologicamente, estaria a mostrar o horror que causa o pecado. Ela exteriorizava (tornando visível) a hediondez que é uma alma imergida na impiedade. Em suma, notabilizava a deformidade espiritual que causa o pecado no homem; através dos mal-tratos sofridos em seu corpo.
[Parece, também, que é como se ele estivesse a nos ensinar: assim como vocês vêem, com vossos olhos carnais, o horror em que se transformou o corpo do Filho do Homem, e virais vossa face; similarmente, Deus, que enxerga espiritualmente, vislumbra a hediondez da alma imergida no pecado. Assim, ele também haverá de virar a sua divina face. Donde os pecadores haverão de ficar “longe da face do Senhor”(2 Tes 1,9).]
Bem! Se Jesus, comumente, fosse feio como descrevera Isaías; então, sejamos honestos, ele nem seria um homem feio; mas um monstrengo! Porquanto, está escrito: “Multidões ficaram pasmadas à vista dele – tão desfigurado estava seu aspecto e sua forma não parecia a de um homem”(Is 52,14). E, no capítulo seguinte, justamente, vai explicar o porque ele se encontrava tão destituído de beleza: dentre outras, por que o castigo (de nossos pecados) caiu sobre ele.
A Casa do Senhor (ou Templo de Deus) era exaltado por sua beleza: “Iahweh, eu amo a beleza de tua casa”(Sl 26(25),8). Entretanto, por causa do pecado do povo, por vezes, o Altíssimo o entregava nas mãos dos estrangeiros; os quais destruíam-no... Assim, fizeram os soldados romanos com o templo vivo do Deus Vivo que era o corpo de Cristo. Vilipendiaram-no, deixaram-no em “ruínas”. Aliás, o próprio Templo de Jerusalém, décadas depois, seria arrasado e deixado em escombros por tropas romanas. E, assim, aquele templo de pedras seria desfigurado como o fora o corpo de Nosso Senhor, que é Santuário de Deus (em plenitude): “Destruí este templo... falava do templo de seu corpo”(Jo 2,19.20).
o) E se a Igreja estivesse errada a cerca do uso de estátuas? (Como alguns podem questionar.)
Jamais a Igreja errou no que foi definido dogmaticamente (nem nunca errará)!... Todavia, ante esse atrevido e desafiante questionamento, e só para dar continuidade a tal discussão, indo, inclusive, até mais além, responderei: As Igrejas Ortodoxas usam ícones e não estátuas! Também não reconhecem o Romano Pontífice como chefe, nem professam – entre outras coisas – a imaculabilidade de Nossa Senhora... Portanto, mesmo que, absurdamente, os católicos se recusassem a confessar Maria como imaculada e ao papa como cabeça visível da Igreja, ou não utilizasse imagens-estátuas; ainda assim nós jamais seríamos hereges protestantes; teríamos que ser ortodoxos. Pois a impiedade doutrinária que reina, em geral, no protestantismo, é tão grande, é tão infernal e abissal, que mesmo ante toda essa absurda conjecturação – como foi anteriormente hipotetizada – jamais se justificaria ser protestante. [Ser protestante é injustificável!].
Ah! Também é muito importante termos ciência de que existem ritos da própria Igreja Católica que não usam estátuas, mas ícones; como fazem os ortodoxos. Na Igreja Católica de Rito Melquita, por exemplo, são utilizados ícones.
O uso de imagem é legitimada pela Igreja. A qual recebeu tal poder de Deus (que a autoriza, portanto): “Tudo que ligares na terra será ligado no céu e tudo quanto desligares na terra será desligado no céu”(Mt 18,18).
PS.: Tudo que escrevi está sujeito à autoridade da Igreja Católica; a qual tem o poder de corrigir, refutar, completar e tudo mais que for necessário para preservar o Sagrado Depósito da Fé.
Perdoem-me, desde já, os presumíveis erros... ainda mais num texto deste tamanho. Os quais devem ser creditados a minha, tão pouca instruída, pessoa.
[Adendo 1: Idolatria no sentido largo (`lato sensu`) engloba impureza, avareza, etc – conforme explicitou São Paulo: “Pois é bom que saibas que nenhum fornicário ou impuro ou avarento – e que é uma idolatria”(Ef 5,5).]
[Adendo 2: Prostra é o mesmo que SIMPLESMENTE ajoelhar?... Parece-me que é ajoelhar acompanhado de algo mais.]
[Adendo 3: Não era somente a árvore da ciência do bem e do mal era formosa; haja vista, também está escrito: “Deus fez crescer do solo toda espécie de árvores formosas de ver e boas de comer”(Gn 2,9)... E quando se diz que Satanás se transfigura de Anjo de Luz, entendendo igualmente, aqui, que ele imita, em beleza, tal ser celestial; isso, de cara, significa que o ser celestial é belo (“por direito”) enquanto o Dragão o é por macaqueação. O próprio dos seres celestiais não é, pois, a beleza? E cristo não é o pão vivo descido do Céu?]
[Adendo 4: Se prostração pode ser apenas uma reverência ou homenagem; entretanto, no contexto que é citado no capítulo 1 da Epístola aos Hebreus o entendimento é, sim, de adoração. Veja o que está escrito: “E ao introduzir o Primogênito no mundo, diz novamente: Adorem-no todos os anjos de Deus. A respeito dos anjos, porém, declara: torna em vendavais os seus anjos, e em chama de fogo os seus ministros. Ao Filho, porém, diz: O teu trono , ó Deus, é para os séculos dos séculos... por isso, ó Deus, ti ungiu o teu Deus... Diz ainda: És tu, Senhor, que nas origens fundastes a terra; e os céus são obras de tuas mãos”(Hb 1,6)... Se essa prostração não é adorativa, qual seria então?... Fico imaginado: Se um católico trata-se um santo (ainda que anjo) com a metade dos elogios que foi dito com relação ao Divino Cristo, seria logo acusado de estar tomando o santo por deidade. Agora, só para sustentar, a ferro e fogo, uma tese sumamente anticristã, alguns negam que a tal prostração seja adoração, feita em reconhecimento à Divindade do Senhor Jesus. Vê se pode uma coisa dessas!]
[Adendo 5: Quando Iavé fala que encheu a Beseleel com o Espírito de Deus (Ex cf. Ex 31,1), não dá a nítida impressão de é como se uma pessoa estivesse falando de outra? Não está aqui uma referência ao mistério da Santíssima Trindade?! ... Pois quando falo, por exemplo: ‘Enchi a mala com os livros de Maria`; fica claro que eu sou uma pessoa e Maria outra.]
[Adendo 6: Existem várias passagens bíblicas que falam sobre os uso lícito do incenso... Não tratarei disso aqui. Mas, se for necessário, noutro escrito, não deixarei de repelir, com veemência, a serpente maldita e sua rocambolesca ninhada! Pois tendes firme que: quem é inimigo da Igreja é como as portas infernais. ]
OBS.: Perdoem-me por não ter me dedicado, mais detidamente, a esta temática, mas são tantos os temas que não dá para ficar somente num... Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo, pela Santa Fé que é católica (isto é, universal); até por que ela é universalmente celebrada (ou seja, celebrada em todo lugar). Por isso, “eu dou graças ao meu Deus mediante Jesus Cristo, por todos vós, porque vossa fé é celebrada em todo mundo”(Rm 1,8).
Esperançoso, como os Apóstolos, que: após a “minha partida”(2 Pe 1,15) deste mundo, o Senhor “me levará a salvo para o seu Reino celeste”(2 Tm 4,18). E possa gozar da companhia do Divino e de seus filhos “santificados” (At 26,18) [os quais Ele chamou, justificou, e glorificou: cf. Rm 8,30]. E esse mesmo bem desejo a todos vós; por isso: “Sede santos, porque... Iahweh vosso Deus”(Lv 19,2) é “santo”(1 Pe 1,16) e “fazei amigos... a fim de que... eles vos recebam nas tendas eternas”(Lc 16,9).
“Conjuro-te, diante de Deus e de Cristo Jesus e dos anjos eleitos, que observes estas regras sem preconceito”(1 Tm 5,21).
Bibliografia
- A BÍBLIA DE JERUSALÉM, Editora Paulus, SP, 1996.
- CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA (CIC), 5a edição, Editora Vozes Edições Paulinas Edições Loyola Editora Ave-Maria, RJ/SP, 1993.
- CUNHA, E., Imagens e Santos: um esclarecimento para o povo, 2a edição, AM Edições, SP, 1993.
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- NAVARRO, Lúcio, Legítima Interpretação da Bíblia, 2a edição, Campanha de Instrução Religiosa Brasil-Portugal, Recife, 1957.
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“Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei minha Igreja, e as porta do Inferno nunca prevalecerão contra ela”(Mt 16,18).
Fiquem com Deus!
Uma coisa é questionar práticas que determinados católicos fazem com relação às imagens; outra é negar todo e qualquer uso das mesmas. No primeiro caso pode até ser um lampejo de virtude; no segundo, é a mais profunda ignorância.
Sem dúvida, as iconografias sempre foram tidas como embelezadoras dos ambientes, mas também foram reconhecidas como valiosos instrumentos pedagógicos; e ainda, estimuladoras da devoção aos santos e de vidas edificantes,... mas nem por isso, elas, per si, são uma garantia de eternidade ao lado do Senhor Altíssimo. E mesmo aquelas imagens, as quais DEUS lhes associa algum fim extraordinário (como a serpente de bronze), também não garantem um lugar no céu.
Contudo, é preciso lembrar também que, nem mesmo uma cura realizada pelo próprio Cristo, em pessoa, (sem a utilização de qualquer outro elemento), não é garantia de que o miraculado vá obter a salvação eterna! Porquanto este poderá, futuramente, desviar-se da senda do Senhor. Com efeito, o próprio Jesus disse aquele que ele curara duma paralisia: “Eis que estás curado; não peques mais, para que não te suceda algo ainda pior”(Jo 5,14)... Todavia, obviamente, não desprezamos as curas e bênçãos alcançadas de Deus, sejam diretamente ou sejam, com o uso conjunto de algum elemento material, que pode ser até uma imagem. Pois, de ambos os modos, segundo a Escritura Santa, Deus poderá agir. Em suma, além das finalidades ordinárias (isto é, comuns), as imagens podem ser utilizadas ‘extraordinariamente`, se essa for a vontade do Altíssimo....
Essa idéia dum Deus antiarte é coisa herege ou ignorante! Haja vista, Deus, que é o primeiro “artista”, é também inspirador de artesãos e artífices: “Iahweh falou a Moisés, dizendo: “Eis que chamei pelo nome Beseleel... Eu o enchi com o espírito de Deus em sabedoria, entendimento e conhecimento para toda espécie de trabalho, para elaborar desenhos, para trabalhar o ouro, prata e bronze... para entalho de madeira, e para realizado toda espécie de trabalhos” ”(Ex 31,1ss.). (Veja: Ex 35,30ss.)
De fato, não nos esqueçamos que o mesmo Deus que criou o mundo pela palavra (dita e não escrita!) não deixou de fazer o homem a partir duma “estátua” de barro: “Deus modelou o homem com a argila do solo”(Gen 2,7). [E assim fez, semelhantemente, com relação aos animais: “Iahweh Deus modelou então, do solo, todas as feras selvagens e todas as e todas as aves do céu”(Gn 2,19).] ... Bem como, acolheu como templo dedicado a seu Nome, um local recheado de imagens. E também atendeu à intercessão de Moisés, a favor do povo que perecia por picadas de cobras, mediante a condição de se contemplar uma imagem de bronze.... E não era, pois, seu lugar de “predileção” entre estátuas querubínicas? Conforme está escrito: “Ali virei a ti, e, de cima do propiciatório, do meio dos dois querubins que estão sobre a arca do Testemunho” (Ex 25,22). (Veja ainda: Nm 7,89).
É curioso ainda notar que eu nunca vi um católico, por mais radical que fosse, declarar que um protestante, ou outra pessoa qualquer, iria para o inferno só por não usar imagens de seres santificados. Nunca!... Por quê? Seria porque é como explicou o estudioso católico Lúcio Navarro com relação ao chamado culto às imagens: “Este culto não é necessário para salvação”[NAVARRO, Lúcio, Legítima Interpretação da Bíblia, Campanha de Instrução Religiosa Brasil-Portugal, Recife, 1957, p. 570 ]... Já o de Adoração a Deus, sem dúvida, é indispensável!
Resumindo, podemos e devemos usar também a “linguagem” pictórica ou escultórica para levar a Boa Nova de Nosso Senhor Jesus Cristo a todos os rincões da Terra. Porquanto, a imagens são uma forma de comunicação utilíssima e mais que atual (haja vista, serem elas de todos os tempos!). Sendo, ainda, por assim dizer, a linguagem mais universal, pois atinge tanto alfabetizados como analfabetos.
a) Apesar de saber quão turvo é o entendimento dos Testemunhas de Jeová, um deles (neste portal) acabou confirmando – de forma até detalhada – aquilo que eu já havia apresentado sobre a legitimidade de se prostrar ante seres que não sejam a Divindade.
O problema sobre a questão da ‘adoração’, pelo que compreendi nos meus parcos estudos, é por que o termo em grego que se traduz comumente por adorar (“prosternar ou prostrar-se”) pode ser igualmente traduzido como uma simples reverência ou veneração, aplicável também às criaturas e não somente a Deus Altíssimo; e a Escritura é cheia de citações que confirmam isso. [Por conseguinte, evidencia-se que não é um termo aplicável unicamente ao que é divino; diferente, por exemplo, da palavra hebraica `bara`(verbo criar), no Antigo Testamento, só se aplica referente ao Altíssimo. Haja vista somente o Todo-poderoso é Criador (cf. CIC, no 290).]
Na citação de Mt 4,10 (cujo paralelo é Lc 4) está assim , no original: Ao Senhor Deus seu ‘proskyneseis’ e a ele ‘mono` ‘latreusis` (cf. está na versão em grego de biblegateway.com/passge?serch=matthew%2004&; &version=68;). Ou seja, prostrar-se-á diante de seu Deus e a ele MONO (‘somente`, em grego) a latria!...
Perceberam que a palavra ‘somente’ ou ‘mono’ está precedendo exclusivamente a segunda parte da sentença, a qual se refere ao culto lautrêutico; mas não a primeira, referente à prostração. Pois prostração ou ‘proskyneseis’ (que pode ser traduzido, simplesmente, como homenagem ou veneração) não é algo exclusivo para com Deus; já a latria, sim. Latria, só a Deus!
Praticamente, de todas as palavras que se costuma apontar como significando venerar, servir, cultuar, adorar, etc – no Novo Testamento – aquela que, de fato, é unicamente direcionada a Deus é a latria. [A Deus, se venera (ou se serve) e adora-se; aos santos, só se venera... aos ídolos, nem se venera, nem muito menos se adora.]
b) Entretanto, penso eu (corrija-me, por misericórdia, se eu estiver errado!) que, a palavra mais adequada para se referir ao que católicos fazem – inclusive, perante imagens – é ‘ajoelhar-se`. Porquanto, prostração seria mais adequado para referir-se a quem põe a face por terra (como fazem os muçulmanos, costumeiramente, em suas orações) ou pelo menos próxima ao chão. E isso não é comum entre os católicos.
O cristão tem, verdadeiramente, o hábito de se ajoelhar para orar; isso desde a Era Apostólica: “Pedro... pôs-se de joelhos e orou”(At 9,40). São Paulo “ajoelhou-se, e orou com todos eles”(At 20,36). [E ajoelhar-se, no grego, é uma palavra distinta de ‘proskyneo’. Tanto em Atos 9,40, como em 20,36, a o vocábulo utilizado é ‘gonata’.]
Seja de joelhos, ou em pé, o importante é que podemos entoar jaculatórias aos seres santificados de Deus, como as que seguem:
- “Exultai com ele, ó céus, e adorem-no todos os filhos de Deus!”(Dt 32,43).
- “Bendizei a Iahweh, anjos seus”( Sl 103(102),20)!
Lembremos, ainda, que o apocalipse, com sua linguagem figurada, apresenta seres celestiais como “medianeiros” (ou seja, sendo elo de ligação junto a Cristo Jesus, que é o mediador perante o Pai Celeste) das orações: 1- “Os quatro Seres vivos e os vinte e quatro Anciãos prostraram-se diante do Cordeiro, cada um com uma cítara e taça de ouro cheia de incenso, são as orações dos santos”(Ap 5,8); 2 - “E da mão do Anjo, a fumaça do incenso com as orações dos santos subiu diante de Deus”(Ap 8,4).
O incenso, aí, pode representar que o tais seres tornam mais agradáveis ao Senhor os pedidos que os cristãos (ou ‘santos’, cf. At 9,32; Rm 16,15) fazem; aliás, um pensador protestante de nome Grotius, do século XVIII, já falava algo semelhante (cf. NAVARRO, Lúcio, Legítima Interpretação da Bíblia, 2a edição, Campanha de Instrução Religiosa Brasil-Portugal, Recife, 1957).
Certamente, os desgostosos com relação à Santa Fé Católica, não querendo curvar-se ante a verdade e, provavelmente, estrebuchando perante tão luminosa proposição, ainda tentarão redargüir, dizendo algo (imagino eu) assim: `Mas se referem aos anjos!`... Ao que respondo: E, por ventura, os seres angelicais não são também criaturas santas?... E completo fazendo outra pergunta: Como ter certeza que são anjos, os vinte e quatro Anciãos mencionados? Não seriam eles serem humanos presentes na corte celeste?
Mas de onde tiras a idéia de que possam ser santos homens, os ditos anciãos? Primeiramente, porque a palavra anciãos é aplicada a seres humanos. Daí, inclusive, os tais poderiam, talvez, serem aqueles primitivos chefes da Igreja incipiente, os quais participaram do Concílio de Jerusalém: “Então pareceu bem aos apóstolos e anciãos”(At 15,22). Ou mesmo, os chefes das classes sacerdotais noticiados no Antigo Testamento: “Davi os dividiu em classes...Maazias o vigésimo quarto”(1 Cron 24,3.18). [Ademais, está escrito: “Os que forem julgados dignos de ter parte no outro século... são semelhantes aos anjos”(Lc 20,35s.).]
O fato é que, pelo sangue de Cristo, nós nos aproximamos de TODA pátria celestial: “Vós vos aproximastes do monte Sião e da Cidade Do Deus vivo, a Jerusalém celestial, e de milhões de anjos reunidos em festa, e da assembléias dos primogênitos cujos nomes estão inscritos nos céus, e de Deus, o Juiz de todos, e dos espíritos dos justos que chegaram à perfeição”(Hb 12,22ss.). Ligados pelo vínculo indestrutível da caridade.
E sempre entoaremos hinos, dizendo: “Glorifica a Iahweh, Jerusalém, Louva teu Deus, ó Sião”(Sl 147(146-147),12), referindo-se a Jerusalém celeste, “a Cidade santa”(Ap 21,2) das Alturas e os que nela habitam. Se muitos, hoje, quando lêem versículos como este, o fazem ainda com o véu sobre a cabeça – não enxergando a realidade espiritual, por trás destas palavras – isso é um problema deles. ( No máximo, o que podemos fazer é rezar para que as escamas, que lhes cobrem os olhos, caiam!)
Até parece, pelo discurso entojado de certos indivíduos, que os santos não são membros de Cristo! Mas eles são, sim! Membros espirituais do Corpo Místico de Nosso Senhor. E quem não haveria de venerar esses seus sacrossantos membros?
Tenho para comigo que: ‘Quem não quer nada com os Santos de Deus, também não terá nada com o Deus do Santos`. Por conseguinte, só lhe restará, por sorte e destino, a infeliz companhia do Diabo e seus sequazes, lá no quinto dos infernos!
c) Os pagãos, segundo a Escritura, ofereciam sacrifícios aos seus deuses e participavam dum banquete sagrado com as carnes sacrificiais. Do qual é proibido aos cristãos participarem, evitando, principalmente, o escândalo para os mais fracos na fé. “Ora, não quero que entreis em comunhão com os demônios... Não podeis participar da mesa do Senhor e da mesa dos demônios”(1 Cor 10,20-21). [Essa é a chamada questão dos idolotitos.]
Creio que o episódio da cura do arameu Naamã possa servir para aclarar mais ainda a questão da adoração...
Nele, depois de curado, Naamã alcança do santo profeta a “licença” [pois o profeta de Deus dispensando-o em paz: “Vá em paz!” ( 2 Rs 5,19)] de poder entrar no templo de Renom e até prostrar-se nele; certamente perante a estátua de tal pseudodeidade, ao acompanhar o seu rei. Está escrito: “Quando meu senhor vai ao templo de Remon para adorar, ele se apóia sobre meu braço e também me prostro no templo de Remon junto com ele; digne-se Iahweh perdoar essa ação a seu servo”(2 Rs 5,18).
Se pelo menos a prostração que Naamã iria fazer fosse perante uma estátua que representasse um ser santificado que está na mansão celestial como os querubins [à semelhança das figuras querubínicas que encimavam a arca da Aliança]; pois até um exemplo disso, dum certo modo, temos nas Escrituras Sagradas: “Josué então rasgou suas vestes, prostrou-se com a face em terra diante da Arca de Iahweh até à tarde, tanto ele como os anciãos de Israel”(Js 7,6). [Além do mais, o povo tinha o hábito de reverenciar o Templo do Senhor, apesar de nele se encontrarem várias imagens sacras; isso desde o Tabernáculo, conforme o mandamento divino: “Reverenciareis meu Santuário”(Lv 19,30).]
Ou, ao menos, ante a representação simbólica d’algum ser que servia de oferta agradável a Deus, como touros que são ofertados em sacrifício (e cujas estátuas sustentavam o Mar de Bronze), que, analogicamente, eram signos do santos mártires... vá lá! [Ou, quiçá, imagens de justos de Deus, prefigurados nas palmeiras (palmas) lavradas nas paredes do Templo do Senhor; como o “justo Ló” (2Pe 2,7). “O justo brota como a palmeira”(Sl 92(91),13).]
Mas não era!... Todavia, é mui importante salientar que Naamã já havia se comprometido com o essencial. Vejamos as próprias palavras dele: “Teu servo não mais oferecerá holocausto nem sacrifício a outros deuses, mas só a Iahweh”(2 Rs 5,17). No fundamental, ele já havia se compromissado.
Ademais, como deve ser sabido, a idolatria consuma-se não em estar presente ou perante um ídolo, mas em prestar `latria` a ele. Daí, o nome: ídolo+latria. [Até porque se estar em ambiente com ídolos (estátuas de falsas divindade do paganismo) fosse idolatria, então quem entrar em museus do mundo inteiro que tem tais artes escultóricas seriam idólatras! (No Louvre, por exemplo, têm estátuas de deuses helênicos, deuses egípcios, etc.) Ou mesmo os cristãos, que desde os primeiros séculos, viveram em lugares cheios de ídolos.]... E como venho mencionando: a prostração (proskrineu) não é o mesmo que latria (latreusis) – pelo menos na passagem em questão. E que, pela sentença Mt 4,10, o `mono` (ou somente) está se referindo a latria; e não à prostração.
No entanto, fica patente que o referido profeta não quis reconhecer outro peso ao gentio Naamã, senão ao do não sacrifício às falsas divindades (e, obviamente, a não participação nas carnes sacrificadas aos ídolos.) Aliás, cuide-se de notar que, ‘coincidentemente’, o Concílio de Jerusalém não quis apresentar, no tocante à idolatria, nenhuma proibição exceto: “Vos abstenhais das carnes imoladas aos ídolos”(At 15,29), “não vos impor nenhum outro peso”(At 15,28). [E essa reunião conciliar era para tratar justamente do que se exigiria aos gentios. Inclusive, nas discussões acalouradas, certamente as partes contendores apresentavam citações da Escritura Santa que apoiariam suas teses. Não seria presumível que o lado que defendia os da gentilidade não teria aduzido tal episódio do sírio Naamã. (Provavelmente o próprio São Paulo.)]
No Apocalipse, duas das Sete Igrejas capengavam espiritualmente justamente nessa questão dos idolotitos, pois muitos foram induzidos que “comessem das carnes sacrificadas aos ídolos”(Ap 2,14); “a se prostituírem, comendo das carnes sacrificadas aos ídolos”(Ap 2,20).
Se observarmos, o sacrifício do “justo Abel” (M t 23,35), nos princípios da Humanidade, é a Deus que é oferecido. Noé, quando sai da Arca, é unicamente ao Todo-poderoso, criador de tudo que há, que ele oferece sacrifícios... Abraão, que foi um dos que fez aliança com o Altíssimo antes da Era Sinaítica, oferece sacrifícios a Deus. É, indiscutivelmente, a Deus que se deve ofertar sacrifícios.
Fico imaginado a quantidade de cristãos, principalmente de servos, que viviam em meio a senhores pagãos que, por vezes, não seriam obrigados a realizar alguma prática prostrativa, como pela qual passara o gentio Naamã! Mesmo que o número deste fosse diminutos, por certo, existiram e se aproveitaram de uma concessão semelhante à do referido arameu.
E se o gentio Naamã se beneficiou duma concessão como aquela; por que, com a Nova Aliança, a gentilidade que se incorporou à Igreja de Deus não teria igualmente certas concessões? (E, ao invés disso, imporiam-lhes pesos que até na própria Antiga Aliança foi concedido dispensa! Tem algum lógica isso?)
d) Jesus deixou bem claro que os “idólatras” (Ap 21,8) sofreriam o peso da condenação eterna. [Aqui, no original em grego, está escrito ‘eidololatrais’ (cf. biblegateway.com/passage/?search=Apocalipse%2021%20;version=68;), ou seja, eidolo+LATRIA – e não `prokuneo` diante de ídolo.]
E, lembrando que: ‘ídolo’ é imagem de falsa divindade pagã. Em resumo: idolatria, ao pé da letra, seria `prestrar culto de latria a falsas divindades pagãs`.
d) O mesmo testemunha de Jeová, no meu entender, embora presuma que não fosse a sua intenção, acabou apontando que ídolo, no sentido estrito, como sendo uma estátua (seja esculpido, seja fundida). [Aliás, eu já ouvi essa tese há algum tempo. Inclusive, alguém certa vez me contou que determinada filha protestante deixava sua mãe católica receber a imagem de Nossa Senhora de Schoenstatt; porque essa imagem era uma figura e não uma estátua.]... E o curioso é que essa idéia parece despontar na própria Escritura.
- “Maldito seja o homem que faz um ídolo esculpido ou fundido”(Dt 27,15).
- “Destruireis as imagens esculpidas, todas as estátuas de metal fundidos”(Nm 33,52).
- “Na casa de teus deuses eu destruirei imagens esculpidas e imagens fundidas”(Naum 1,14).
- “Obra de um escultor e das mãos de um ourives” (Jer 10,9).
- “Todo ourives se envergonha do ídolo porque sua escultura é mentirosa”(Jer 51,17).
- “E não fizerdes uma imagem esculpida”(Dt 4,23).
- “Aqueles que confiam em ídolos, que dizem às suas imagens fundidas: Vós sois os nossos deuses”(Is 42,17).
- “De que serve uma escultura para que seu artista a esculpa? Um ídolo de metal”(Hac 2,19).
- “O meu ídolo fez estas coisas, a minha imagem esculpida ou a minha imagem fundida o determinaram”(Is 48,5).
As clássicas idolatrias (a do Bezerro de Ouro, e do Rei da Babilônia) são também estátuas: “Fez fundir em molde e fabricou com ele uma estátua de bezerro”(Ex 32,4); “o rei Nabucodonosor mandou fazer uma estátua de ouro”(Dn 3,1). Ou mesmo do ídolo Dagon, em que, no final, as mãos e a cabeça do mesmo jazem por terra
No Livro do Êxodo, logo após a citação o Decálogo, vem dito, quase como uma nota explicativa, no concernente a proibição do uso de imagens, o seguinte versículo: “Não fareis deuses de prata ao lado de mim, nem fareis deuses de ouro para vós”(Ex 20,23). [Novamente a idéia que fica é com relação a estátuas.] Mas adiante também está escrito: “Não farás para ti deuses de metal fundido”(Ex 34,17). E nos Dez Mandamentos do Deuteronômio é explícito: “Não farás para ti imagens esculpidas, de nada que se assemelhe ao que existe... Não te prostrarás diante desses deuses” (Dt 5,8s.).
No Livro dos Números, Deus diz aos israelitas: “Quando tiverdes atravessado o Jordão, em direção à terra de Canaã, expulsareis de diante de vós todos os habitantes da terra. Destruíreis as suas imagens esculpidas, todas as suas estátuas de metal fundido”(Nm 33,51s.). Outra vez, ESTÁTUAS!!!
Até mesmo na pregação que Paulo faz em Atenas sobre os ídolos, ele diz, conforme ‘A Bíblia de Jerusalém’: “Não podemos pensar que a divindade seja semelhante ao ouro, à prata, ou à pedra, a um escultura de arte e engenho humanos”(At 17,29). [A tradução “trabalhos pela arte” (sic), citada por um membro do portal, não demonstra a realidade específica mencionada, que é de ser uma ‘escultura’, ou seja, uma ESTÁTUA.] Na `Nova Versão Internacional` se encontra: “Uma escultura feita pela arte e imaginação de homem”[http://www.biblegateway. compassage/?search=acts %2017:29;&version=36;]. Na ‘João Ferreira Almeida Atualizada`: “esculpida pela arte e imaginação do homem”[http:// version=25;].
Lendo várias das citações sobre os ídolos, devo confessar que: dá a clara impressão que eles seriam, obrigatoriamente, estátuas; mas, por outro lado – se isso for verdade – também, concomitantemente e estranhamente, aludiria de que o Altíssimo permitia, sim, que as pinturas de deuses do paganismo fossem preservadas. (Será??) O que não quer dizer, de todo jeito, que fossem permitido adorá-las. Nunca, jamais!
OU SEJA, obviamente, não significa que se podia prostrar (ou oferecer incenso), em adoração, diante de uma pintura – ainda mais se esta retratasse uma falsa deidade do paganismo. [Pois Deus certamente repele um tal ato.] Porquanto, mesmo que as pinturas não sejam propriamente um ídolo, só se deve adorar a Deus. Não se pode adorar um ser humano vivo ou não, ou mesmo um anjo; muito menos um animal, uma árvore, uma pedra, ou produtos derivados destes. Em suma, não se pode adorar qualquer criatura – celestial ou terrena, animada ou inanimada.
Como costumo dizer: se Maria, em pessoa, pela graça divina, aparecesse a mim, eu não a adoraria, muito menos tem cabimento achar que eu adore uma representação simbólica dela. O problema é que muitos teimam em achar que prostrar é, necessariamente, o mesmo que adorar (no sentido exclusivista devido somente a Deus). Pois a Bíblia está cheia de exemplos de homens que nem de longe se comparavam ou comparam à Virgem de Nazaré, os quais foram alvos de lícitas prostrações. (Sem falar também de anjos que foram reverenciados.) Ainda que Maria fosse a menor no Reino do Céu, ainda assim, ela seria maior do que qualquer um sobre a Terra. [Volto, entretanto, a questionar: ajoelhar é o mesmo que simplesmente prostrar?]
Se a adoração é aquilo que só é devido, única e exclusivamente, a Deus. Então, tudo aquilo que se pode fazer a uma criatura, isso, per si, não é adoração. Exemplo, posso prostrar-me de ante de um ser humano (aqui mesmo da Terra)? Em tese, sim! Se prostrar fosse necessariamente adoração, não se poderia fazer tal reverência perante ninguém ou nada mais, somente diante do Altíssimo. E se se pode prostrar em frente de um ser humano, ou uma montanha (cf. Sl 99 (98),9), ou até uma habitação cheia de imagens, muito mais se poderá fazê-lo em respeito e homenagem às santas criaturas celestiais.
Infelizmente, os povos da Antiguidade fabricavam deuses e os adoravam: é a idolatria! Como descreve o profeta Isaías: “Fabricou um ídolo e se prostrou diante dele... faz um deus – o seu ídolo –, prostra-se diante dele e o adora”(Is 44,15.17). E que, com certeza absoluta, tais ídolos, não representavam simbolicamente o Filho de Deus Encarnado (Nosso Senhor Jesus Cristo). Não eram, pois, imagens do Divino Mestre que eles cultuavam adorativamente.
Nós não fabricamos deuses. No máximo, representamos simbolicamente o Deus verdadeiro que se tornou visível!
e) SE for, como alguns pensam, que para ser ídolo, obrigatoriamente, tiver que ser uma estátua; então, automaticamente, estariam livres de críticas imagens não-estátuas. Pinturas, desenhos, mosaicos, afrescos, cartazes, vitrais, escapulários, vestes adornadas, tapeçaria com estampas, cortinas, ícones, bandeiras, estandartes, sinetes... Resumindo, ainda que se retirassem as estátuas das igrejas católicas, os nossos santuários continuariam repletos de signos iconográficos. Cheios de figuras de todos os tipos, com exceção, é claro, das estátuas.
E. Cunha comenta sobre a existência de sinagogas da Antiguidade onde se encontravam várias imagens: “Tenham-se em vista, por exemplo, certas sinagogas da Palestina do século III d. C., onde se encontraram afrescos e figuras humanas. Seja citada também a sinagoga de Dura-Europos (à margem do rio Eufrates), na qual estavam representados Moisés diante da sarça ardente, o sacrifício de Abraão, a saída do Egito e a visão de Ezequiel”[CUNHA, E., Imagens e Santos: um esclarecimento para o povo, AM Edições, 2a edição, SP, 1993, p. 30].
No livro ‘Depois de Jesus o Triunfo do Cristianismo` traz impresso uma ilustração de um mosaico de uma antiga sinagoga, com o seguinte comentário abaixo: “Neste mosaico de uma antiga sinagoga, vê-se o santuário da Torá, com cortinas e flanqueado por leões, aves e menorás”[READER`S DIGEST, Depois de Jesus: o Triunfo do Cristianismo, 1a edição, Reader`s Digest Brasil Ltda, RJ, 1999, p. 107].
f) Cédulas de dinheiro (e moedas) costumam ter imagens nelas... Sinceramente, nunca vi protestante protestar, por exemplo, contra as efígies dos presidentes norte-americanos impressas nas chamadas “verdinhas”. [Nem muito menos: queimar, rasgar, ou jogar dinheiro fora só porque há alguma imagem estampada nelas... ainda bem que não fazem isso, não é mesmo!]. Também nunca vi eles criticarem os monumentos de heróis pátrios, como o de Abraham Lincoln (em Washignton) ou as gigantescas cabeças dos quatros primeiros governantes dos EUA, no monte Richmond. (Cito os Estados Unidos por ser uma nação majoritariamente protestante; aliás, um membro deste portal também citou estes exemplos.)
E as revistas, costumeiramente, elas também têm figuras? E jornais? E gibis? E livros? E enciclopédias? E atlas do corpo humano? E álbuns? E selos? E certas embalagens?... E boneca de plástico, não é uma imagem? (E olhe que é ao estilo de estátua!) Não nos esqueçamos dos ursinhos de pelúcias!... E não sejamos preconceituosos, incluamos também as imagens eletrônicas (Tv, Vídeo Games, etc). E os filmes (películas cinematográficas)? Fotografia também é um meio produzir imagens, ou não é?
Inclusive, muitos livros e enciclopédias apresentam figuras de ídolos (fotogramas de ‘estátuas de falsos deuses do paganismo’)! Vários livros didáticos há pinturas de ídolos, principalmente, os de História – quando tratam dos assuntos da História das Civilizações Antigas... Será que os protestantes não usam tais livros? Ou também estariam proibidos de tirar fotos de ídolos, quando visitam museus ou países onde ainda se têm monumentos do paganismo? [Protestante pode, ao menos, pintar figuras de ídolos? Isto é, olhando uma estátua de falsa divindade do paganismo transpô-la, por meio de pinceladas, para a tela. Bem, eu já vi pinturas de ídolos em livros protestantes.]
Eh! Mas não nos prostramos diante de tais coisas! (diriam os desafetos do Catolicismo) – Então, pelo que confessas, respondo eu, sem me estender muito por outras reflexões: o que vocês (neste seu modo de pensar) deveriam questionar seria, tão-somente, o ato de prostração e não o de ter imagens. [E ainda respondam-me: prostrar-se é, necessariamente, o mesmo que se ajoelhar? Ou é como comentei num item anterior, que elas se distinguiriam entre si, sendo prostração o ato de procumbir (ou cair por terra)?... Bem, seja como for, o mais importante é provar que prostração é necessariamente adoração. Daí, reitero o desafio: ‘Prove que prostrar é, necessariamente, adoração devida somente a Deus!`]
Alguns exemplos de prostrações feitas diante de criaturas:
- “Eliseu atravessou o rio. Os irmãos profetas... vieram ao seu encontro e se prostraram por terra, diante dele”(2 Rs 2,14-15).
- “Ester foi falar com o rei uma segunda vez. Lançou-se a seus pés, chorou, suplicando-lhe”(Est 8,3).
g) No Deuteronômio, contundo, fala da proibição de se fazer imagem de Deus; entretanto, é preciso termos ciência de dois pontos:
1o – É explicitado que o vetado era ‘imagem esculpida’(estátua): “Uma vez que nenhuma forma viste no dia em que Iahweh falou no Horeb, do meio do fogo, não vos pervertais, fazendo para vós uma imagem esculpida em forma de ídolo: uma figura de homem ou de mulher, figura de algum animal...”(Dt 4,15-17).
2o - A mesma passagem explica o porquê era proibida a confecção de tal imagem. Ou seja, como Deus, na Antiga Aliança, não havia se manifestado em forma visível ou de homem, ou de bicho, etc; logo, não fazia sentido caracterizá-lo ou estereotipá-lo... Na Nova Aliança, a Pessoa Divina do Filho se manifesta “em figura de homem”(Fil 2,7) e a Pessoa Divina do Espírito Santo “em forma corpórea, como pomba” (Lc 3,22).
Na Antiga Aliança, ouviu-se a Deus, mas não o viram. “Ouvíeis o som das palavras, mas nenhuma forma distinguíeis: nada, além de uma voz!”(Dt 4,12). Agora, porém, na Nova, São João, cheio de alacridade, escrevera testemunhando: “O que era desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com nossos olhos, o que contemplamos, e o que nossas mãos apalparam do Verbo da vida”(1 Jo 1,1).
Então, em Dt 4, é próprio Senhor Altíssimo que aclara o porquê não se podia, quando da Antiga Aliança, fazer uma imagem que o representasse simbolicamente: “Uma vez que nenhuma forma viste”(Dt 4,15). Coisa que foi superado, com o Novo Testamento. Pode-se representar, presentemente, o modo ou figura que Deus assumiu. Daí, as palavras de São João Damasceno: “Outrora, Deus, o incorpóreo e invisível, nunca era representado. Mas agora que Deus se manifestou na carne e habitou entre os homens, eu represento o ‘visível` de Deus ”[CUNHA, E., Imagens e Santos: um esclarecimento para o povo, 1a edição, AM Edições, SP, 1993, p. 32]
Em Gal 3,1, curiosamente, fala-se de se ter “desenhado” (há aqueles que traduzem por ‘descrita` ou alguma outra palavra que equivalha) a imagem de Messias crucificado. São Paulo queixa-se dos gálatas’que, depois de terem sido apresentados ao “desenho” do Crucificado, ainda assim, acabaram retornando ao apego das práticas mosaicas: “Quem vos fascinou, a vós cujos olhos foi desenhada a imagem de Jesus crucificado”(Gl 3,1).. [Realmente, em princípio, dá a entender que é o significado é o de ‘descrito’; entretanto, devido à expressão antecedente “ante cujos olhos” é que foi desenhada a imagem, pode sugerir, sim, uma figura. Seria, então, o primeiro relato de iconografia cristã???]
h) Também temos que chamar a atenção para o fato de que em nenhum lugar do Novo Testamento, ou Nova Aliança, está escrito ‘não farás imagens de escultura’ (nem muito menos pintura). Aliás, na Antiga, o que, ao que tudo indica, era proibido – com finalidades adorativas – eram ‘imagens de esculturas de divindades’.
Com a Nova Aliança, Jesus disse: “EU SOU”(Jo 8,58) e “quem tem meus mandamentos e os observa é que me ama”(Jo 14,21). “Se queres entrar para a Vida, guarda os mandamentos... Estes: “Não matarás, não adulterarás, não roubarás, não levantarás falso testemunho; honra pai e mãe, e amarás o teu próximo como a ti mesmo” ”(Mt 19,17-19).
Ele, que, com o Pai e o Espírito Santo, “não é um Deus de mortos”(Lc 20,37), bem afirma: “Se alguém guarda a minha palavra jamais verá a morte”(Jo 8,51); e ainda: “As minha ovelhas escutam minha voz... e eu lhes dou a vida eterna e elas jamais perecerão”(Jo 10,27-28). Não à toa, se auspicia logo o encontro com o Altíssimo (em sua celestial morada): “Sim, estamos cheios de confiança, e preferimos deixar a mansão deste corpo para ir morar junto do Senhor”(2 Cor 5,8); “o meu desejo é partir e ir estar com Cristo, pois isso me é muito melhor”(Fl 1,23). O quanto confiante é o clamor proferido por aqueles que venceram, pela graça divina, o mundo – como Santo Estêvão: “Senhor Jesus, recebe meu espírito”(At 8,59)!
E, afinal, estamos sob a Lei de Moisés ou sob a “Lei de Cristo”(Gl 6,2)?...Ademais, Mostre-me, na Bíblia, anterior a Aliança Sinaítica, a proibição de se fazer nem que seja estátuas! Cadê, tal passagem? [E aproveitam para questionar aos sabatistas: e o preceito sabático? Por acaso, Abraão cumpriu um tal preceito para que fosse reconhecido como “pai de todos aqueles que crêem”(Rm 4,4)? Ou Noé, declarado “arauto da justiça”(2Ped 2,5)? Ou Abel, reconhecido como “justo”(Mt 23,35) porque suas obras eram “justas”(1 Jo 3,12)? O qual, aliás, “mesmo depois de morto, ele ainda fala”(Hb 11,4)! Pois, ainda que esteja fisicamente morto, permanece espiritualmente vivo; conforme a palavra do Senhor que diz: “O que faz a vontade de Deus permanece eternamente”(1 Jo 2,17).]
Se tem algum tipo de proibição é na Aliança feita no Sinai, que é uma Aliança feita com os judeus que foram libertos do cativeiro do Egito. “Ouve, ó Israel... Iahweh não concluiu esta Aliança com nossos pais, mas conosco”(Dt 5,1.3). Tanto é que o Decálogo inicia assim: “Eu sou Iahweh teu Deus, aquele que te fez sair da terra do Egito”(Dt 5,6).
Noé ou Abel não guardavam o sábado, e nem eram proibidos de fazer imagens – mesmo estátuas; e digo isso, inclusive, no que concerne a estátuas de Deus. [Todavia, creio, mui fortemente, que eles não tenham feito estatuetas do Altíssimo (embora não lhes fosse proibido). Entretanto, no campo das hipóteses, não posso negar que seja possível; ainda mais que existem os tais ‘efod’ (que não são as vestimentas) e ‘terafins’, os quais, em passagens bíblicas, ora são muito criticados e ora não.].
O preceito sabático, bem como a proibição de imagem esculpida que representasse uma divindade, foram acréscimos da Lei de Moisés. Mas NO PRINCIPIO não era assim: tais normas não existiam. Foi o mosaismo que impôs, além doutras tantas; as quais, totalizadas, poderíamos dizer: formam “um jugo que nem nossos pais nem mesmo nós pudemos suportar”(At 15,10).
A Nova Aliança não é sinaítica, referente a um povo específico; porém, visa a universalidade (ou “catolicidade”) das nações, circuncisadas espiritualmente pelo batismo: “Ide, portanto, e fazei que todas as nações se tornem discípulos, batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo: (Mt 28,19)! (Nossa Jerusalém, aliás, é a do Alto!) [Não à toa, mesmo tendo o Espírito Santo descido sobre o gentio Cornélio, familiares e amigos, a primeira ordem que o primeiro papa deu, com relação a eles, foi que fossem batizados: “Determinou que fossem batizados”(At 10,48). Haja vista “quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no Reino de Deus”(Jo 3,5).
i) Mas o certo é que nem toda estátua é um ídolo! Por que, senão, o Templo de Deus, em Jerusalém, teria sido um tremendo bastião da idolatria; haja vista terem sido postas nele inúmeras imagens desse tipo.
Com efeito, ainda que, conforme alguns costumam apregoar, todo ídolo tivesse que ser uma estátua; isso não significaria que toda estátua é um ídolo. Assim como todo dólar é dinheiro, mas nem todo dinheiro é dólar.
Ademais, a Bíblia salienta, sim, essa idéia de templos apinhados de imagens. (Estranho, do ponto de vista escriturístico, são santuários consagrados à Divindade vazios de imagens, isso é que não tem muito sustentáculo bíblico.) Com efeito, está escrito sobre o Santuário do Altíssimo: “Quanto à grande sala... mandou esculpir por cima palmas e guirlandas... e depois mandou esculpir querubins nas paredes”(2 Cron 3,5.7), “mandou fazer a Cortina... e nela mandou bordar querubins”(2 Cron 3,14), “sobre as molduras que estavam entre as travessas havia leões, touros e querubins... e sobre o encaixe também havia esculturas” (1 Rs 7,29.31). [Portanto, no Divino Santuário, o que não faltavam eram imagens!]... Até na visão do Templo relatado pelo profeta Ezequiel, vê-se a profusão estonteante das mesmas: “Desde a entrada até o interior do Templo, bem como por fora, sobre toda a parede em torno – tanto por dentro como por fora – estavam querubins e palmeiras, uma palmeira entre dois querubins. Cada querubim tinha duas faces: um a face de homem.... e uma face de leão... Os querubins e as palmeiras estavam esculpidos sobre o muro, desde o chão até em cima da entrada”(Ez 41,17-20). “Sobre elas (sobre as portas do Hekal) estavam esculpidos querubins e palmeiras, como os que se encontravam sobre os muros”(Ez 41,25).
Já no Tabernáculo existiam imagens. Nele fora posta a Arca da Aliança, cujo propiciatório havia “dois querubins de ouro”(Ex 25,18). Tendo, inclusive, dez cortinas, sobre as quais estavam “querubins bordados”(Ex 26,1)... Sendo assim, você se prostraria diante de um tal santuário sabendo que existiam imagens dentro dele?... Pois está escrito: “Reverenciareis meu santuário”(Lv 19,30)!
Tenhamos em mente que: Deus não é contra as imagens (mas sim contra os ídolos). O que não significa que se possa utilizá-las de forma abusiva.
j) Muitos, quando falam do uso de imagens, só lembram de criticar a Igreja Católica. Existem várias Igrejas Ortodoxas, e elas usam imagens (ícones). “Templos” luteranos, até estátuas podem ser vislumbradas neles. Em determinadas igrejas Anglicanas, também. Certas “Igrejas” Reformadas (Calvinista) têm imagens pictóricas.
Tenho livros de determinadas denominações que estampam figuras, inclusive de Cristo: como de Testemunhas de Jeová e Adventista. Tenho, ainda, em mãos um livretinho (um espécie de gibi) recheado de figuras que representam anjos e santos; bem como de Jesus.
l) Pode até parecer uma espécie de prática supersticiosa alguém pegar um pedaço de pano e esfregar noutro ser humano para, por meio disso, ser operado prodígios... No entanto, o mesmo ato poderá ser uma forma lícita de adquirir e/ou ministrar uma benção, e é o que justamente está registrado no Texto Sacro: “Pelas mãos de Paulo, Deus operava milagres não comuns. Bastava, por exemplo, que sobre os enfermos se aplicasse lenços e aventais que houvesse tocado o seu corpo: afastavam-se deles as doenças, e os espíritos maus saíam” (At 19,11s.).
Portanto, a fé no que Deus nos ensina, revela que Ele pode, sim, associar uma cura (ou benção) a um ente material, como um pedaço de pano. [Ou mesmo um óleo, conforme está escrito: “E expulsavam muitos demônios, e curavam muitos enfermos, ungindo-os com óleo”(Mc 6,13). Ou até um bolo: “Isaias disse: “Tomai um pão de figos”(2 Rs 20,7); tomaram um e aplicaram sobre a úlcera e o rei ficou curado”(2 Rs 20,7). ] Ou, às vezes, a um ente imaterial, como uma “sombra”(At 5,15). E se o Altíssimo pode fazer tal associação, junto a uma criatura material, por que não poderia fazê-lo com relação às imagens? A princípio, nada o impediria! Pois imagens também são criaturas materiais. (Tudo que não é o Criador é criatura; seja essa criatura industrializada ou não pelas mãos humanas.) Aliás, está escrito: “Se alguém era mordido por uma serpente, contemplava a serpente de bronze e vivia” (Nm 21,9).
m) É pífia a afirmação que ‘deve’ ser rejeitada, essa ou aquela prática, só porque é passível de se cometer abusos. Ora, a própria Bíblia pode ser usada errada (e muito errada!), bem como praticamente tudo: o alimento, o carro, o medicamento, a faca, etc. Nem, por isso, invalida, per si, tais coisas. Com efeito, é como dizem: `O abuso (ou mau uso) não tolhe o uso`. [Mesmo o amor pode ser usado indevidamente; quando se ama mais a si mesmo do que a Deus, ou amar mais o filho ou pai do que o Senhor Santíssimo.]
Aquelas pessoas dos panos e aventais (cf. At 19) acorreram para angariar alguma benção, ou para si ou para os seus. E isso foi algo corretíssimo!... Se não fosse do agrado de Deus, ninguém teria sido curado. [Mas é, óbvio, porém, que a Religião não se restringe a práticas desse tipo; no entanto, por outro lado, isso também faz parte da Religião (ou, pelo menos, pode fazer). Quem moverá guerra contra Shaddai, impedido Deus de agir da forma que queira?]
Ou então, vai ver que esses hereges são mais sábios, mais santos e doutos que Deus! (Será que eles se acham assim?)... Se Deus, mas do que qualquer outro, sabia muito bem quem é o ser humano que ele criou, e mesmo assim não deixou de associar seu divino poder a essas coisas (inclusive à uma imagem), qual o metido à besta vai dizer que isso não pode. Em suma: DEUS pode vincular, sim, a sua benção a qualquer ser que ele quiser. E poderá fazê-lo, ontem, hoje, e sempre que julgar conveniente. (Gostem ou não gostem os heréticos!).
Mas essa negativa é devido a um falso e abobalhado (até mesmo gnóstico) conceito de que a divina religião é destituída de materialidade. Que suficiente seria a fé sentimentalóide! (Ou pior, o desprezo dos elementos materiais; para salientar uma ilusória espiritualidade que quer passar por cristã.) Basta ver a Ceia do Senhor onde há a matéria do pão que é transubstanciada. E mesmo entre os que não crêem assim, não tem como negar que existe o elemento material, o pão. A cura com óleo descrita nos evangelhos (cf. Mc 6,13) é outro exemplo... “Alguém dentre vós está doente? Mande chamar os presbíteros da Igreja para que orem sobre ele, ungindo-o com óleo em nome do Senhor”(Tg 5,14)... Cristo assumiu a carne para mais consolidar que, na Religião Divina, o sobrenatural se anela ao natural. O poder espiritual, ao elemento material. A graça invisível é associada ao sinal visível. Ou seja, uma Aliança também sacramental.
n) Tanto Deus não olha para a aparência dos que escolhe que, para o primeiro rei de Israel, escolheu o belo Saul. Outro exemplo de homens que tiveram o favor divino, foi José do Egito; que também prefigurava ao Cristo de Deus. Diz a Escritura a seu respeito: “Era belo de porte e tinha um rosto bonito”(Gn 39,6). Os heróis da fé – Daniel, Ananias, Misael e Azarias – foram escolhidos para servirem no palácio real, dentre outros critérios, pela “boa aparência”(Dn 1,4).
Alguém citou a “feiúra” de Davi!!... Peço para mostrarem-me, na Bíblia, onde está informado tal coisa... Contudo, enquanto espero (sentado!), vou citar um outro texto sobre Davi que eu conheço: “Era ruivo, de belo semblante e admirável presença”(1 Sm 16,12).
Interessante é saber que cordeiro que iria ser imolado haveria de ser perfeito, sem defeito físico. Essa perfeição externa, no que tange um animal, poderia ter sido expressado na formosura humana do Cristo. Quiçá, aquela interjeição da mulher que bendisse os seios de Maria por causa de Cristo poderia está vinculada a admiração que ela teve por seus porte e traços físicos... O fato, porém, é que existem trechos bíblicos, cuja interpretação, apontam para mais do que presumível beleza do Messias: “Como és belo, meu amado”(Cânt 1,16). E ainda: “És o mais belo dos filhos dos homens, a graça escorre dos teus lábios”(Sl 45(44),3).
A feiúra da Paixão do Messias de Deus, vaticinada no escrito do profeta Isaías (cf. Is 53), e cumprida no alto do Calvário, teologicamente, estaria a mostrar o horror que causa o pecado. Ela exteriorizava (tornando visível) a hediondez que é uma alma imergida na impiedade. Em suma, notabilizava a deformidade espiritual que causa o pecado no homem; através dos mal-tratos sofridos em seu corpo.
[Parece, também, que é como se ele estivesse a nos ensinar: assim como vocês vêem, com vossos olhos carnais, o horror em que se transformou o corpo do Filho do Homem, e virais vossa face; similarmente, Deus, que enxerga espiritualmente, vislumbra a hediondez da alma imergida no pecado. Assim, ele também haverá de virar a sua divina face. Donde os pecadores haverão de ficar “longe da face do Senhor”(2 Tes 1,9).]
Bem! Se Jesus, comumente, fosse feio como descrevera Isaías; então, sejamos honestos, ele nem seria um homem feio; mas um monstrengo! Porquanto, está escrito: “Multidões ficaram pasmadas à vista dele – tão desfigurado estava seu aspecto e sua forma não parecia a de um homem”(Is 52,14). E, no capítulo seguinte, justamente, vai explicar o porque ele se encontrava tão destituído de beleza: dentre outras, por que o castigo (de nossos pecados) caiu sobre ele.
A Casa do Senhor (ou Templo de Deus) era exaltado por sua beleza: “Iahweh, eu amo a beleza de tua casa”(Sl 26(25),8). Entretanto, por causa do pecado do povo, por vezes, o Altíssimo o entregava nas mãos dos estrangeiros; os quais destruíam-no... Assim, fizeram os soldados romanos com o templo vivo do Deus Vivo que era o corpo de Cristo. Vilipendiaram-no, deixaram-no em “ruínas”. Aliás, o próprio Templo de Jerusalém, décadas depois, seria arrasado e deixado em escombros por tropas romanas. E, assim, aquele templo de pedras seria desfigurado como o fora o corpo de Nosso Senhor, que é Santuário de Deus (em plenitude): “Destruí este templo... falava do templo de seu corpo”(Jo 2,19.20).
o) E se a Igreja estivesse errada a cerca do uso de estátuas? (Como alguns podem questionar.)
Jamais a Igreja errou no que foi definido dogmaticamente (nem nunca errará)!... Todavia, ante esse atrevido e desafiante questionamento, e só para dar continuidade a tal discussão, indo, inclusive, até mais além, responderei: As Igrejas Ortodoxas usam ícones e não estátuas! Também não reconhecem o Romano Pontífice como chefe, nem professam – entre outras coisas – a imaculabilidade de Nossa Senhora... Portanto, mesmo que, absurdamente, os católicos se recusassem a confessar Maria como imaculada e ao papa como cabeça visível da Igreja, ou não utilizasse imagens-estátuas; ainda assim nós jamais seríamos hereges protestantes; teríamos que ser ortodoxos. Pois a impiedade doutrinária que reina, em geral, no protestantismo, é tão grande, é tão infernal e abissal, que mesmo ante toda essa absurda conjecturação – como foi anteriormente hipotetizada – jamais se justificaria ser protestante. [Ser protestante é injustificável!].
Ah! Também é muito importante termos ciência de que existem ritos da própria Igreja Católica que não usam estátuas, mas ícones; como fazem os ortodoxos. Na Igreja Católica de Rito Melquita, por exemplo, são utilizados ícones.
O uso de imagem é legitimada pela Igreja. A qual recebeu tal poder de Deus (que a autoriza, portanto): “Tudo que ligares na terra será ligado no céu e tudo quanto desligares na terra será desligado no céu”(Mt 18,18).
PS.: Tudo que escrevi está sujeito à autoridade da Igreja Católica; a qual tem o poder de corrigir, refutar, completar e tudo mais que for necessário para preservar o Sagrado Depósito da Fé.
Perdoem-me, desde já, os presumíveis erros... ainda mais num texto deste tamanho. Os quais devem ser creditados a minha, tão pouca instruída, pessoa.
[Adendo 1: Idolatria no sentido largo (`lato sensu`) engloba impureza, avareza, etc – conforme explicitou São Paulo: “Pois é bom que saibas que nenhum fornicário ou impuro ou avarento – e que é uma idolatria”(Ef 5,5).]
[Adendo 2: Prostra é o mesmo que SIMPLESMENTE ajoelhar?... Parece-me que é ajoelhar acompanhado de algo mais.]
[Adendo 3: Não era somente a árvore da ciência do bem e do mal era formosa; haja vista, também está escrito: “Deus fez crescer do solo toda espécie de árvores formosas de ver e boas de comer”(Gn 2,9)... E quando se diz que Satanás se transfigura de Anjo de Luz, entendendo igualmente, aqui, que ele imita, em beleza, tal ser celestial; isso, de cara, significa que o ser celestial é belo (“por direito”) enquanto o Dragão o é por macaqueação. O próprio dos seres celestiais não é, pois, a beleza? E cristo não é o pão vivo descido do Céu?]
[Adendo 4: Se prostração pode ser apenas uma reverência ou homenagem; entretanto, no contexto que é citado no capítulo 1 da Epístola aos Hebreus o entendimento é, sim, de adoração. Veja o que está escrito: “E ao introduzir o Primogênito no mundo, diz novamente: Adorem-no todos os anjos de Deus. A respeito dos anjos, porém, declara: torna em vendavais os seus anjos, e em chama de fogo os seus ministros. Ao Filho, porém, diz: O teu trono , ó Deus, é para os séculos dos séculos... por isso, ó Deus, ti ungiu o teu Deus... Diz ainda: És tu, Senhor, que nas origens fundastes a terra; e os céus são obras de tuas mãos”(Hb 1,6)... Se essa prostração não é adorativa, qual seria então?... Fico imaginado: Se um católico trata-se um santo (ainda que anjo) com a metade dos elogios que foi dito com relação ao Divino Cristo, seria logo acusado de estar tomando o santo por deidade. Agora, só para sustentar, a ferro e fogo, uma tese sumamente anticristã, alguns negam que a tal prostração seja adoração, feita em reconhecimento à Divindade do Senhor Jesus. Vê se pode uma coisa dessas!]
[Adendo 5: Quando Iavé fala que encheu a Beseleel com o Espírito de Deus (Ex cf. Ex 31,1), não dá a nítida impressão de é como se uma pessoa estivesse falando de outra? Não está aqui uma referência ao mistério da Santíssima Trindade?! ... Pois quando falo, por exemplo: ‘Enchi a mala com os livros de Maria`; fica claro que eu sou uma pessoa e Maria outra.]
[Adendo 6: Existem várias passagens bíblicas que falam sobre os uso lícito do incenso... Não tratarei disso aqui. Mas, se for necessário, noutro escrito, não deixarei de repelir, com veemência, a serpente maldita e sua rocambolesca ninhada! Pois tendes firme que: quem é inimigo da Igreja é como as portas infernais. ]
OBS.: Perdoem-me por não ter me dedicado, mais detidamente, a esta temática, mas são tantos os temas que não dá para ficar somente num... Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo, pela Santa Fé que é católica (isto é, universal); até por que ela é universalmente celebrada (ou seja, celebrada em todo lugar). Por isso, “eu dou graças ao meu Deus mediante Jesus Cristo, por todos vós, porque vossa fé é celebrada em todo mundo”(Rm 1,8).
Esperançoso, como os Apóstolos, que: após a “minha partida”(2 Pe 1,15) deste mundo, o Senhor “me levará a salvo para o seu Reino celeste”(2 Tm 4,18). E possa gozar da companhia do Divino e de seus filhos “santificados” (At 26,18) [os quais Ele chamou, justificou, e glorificou: cf. Rm 8,30]. E esse mesmo bem desejo a todos vós; por isso: “Sede santos, porque... Iahweh vosso Deus”(Lv 19,2) é “santo”(1 Pe 1,16) e “fazei amigos... a fim de que... eles vos recebam nas tendas eternas”(Lc 16,9).
“Conjuro-te, diante de Deus e de Cristo Jesus e dos anjos eleitos, que observes estas regras sem preconceito”(1 Tm 5,21).
Bibliografia
- A BÍBLIA DE JERUSALÉM, Editora Paulus, SP, 1996.
- CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA (CIC), 5a edição, Editora Vozes Edições Paulinas Edições Loyola Editora Ave-Maria, RJ/SP, 1993.
- CUNHA, E., Imagens e Santos: um esclarecimento para o povo, 2a edição, AM Edições, SP, 1993.
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- NAVARRO, Lúcio, Legítima Interpretação da Bíblia, 2a edição, Campanha de Instrução Religiosa Brasil-Portugal, Recife, 1957.
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“Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei minha Igreja, e as porta do Inferno nunca prevalecerão contra ela”(Mt 16,18).
Fiquem com Deus!
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